quarta-feira, julho 07, 2010

FARSA OU DEFICIÊNCIA DE TESTOSTERONA?


O jornalista Fábio Campos traçou com precisão na sua coluna de hoje (Jornal o Povo) o itinerário da farsa que cuidaram da encenar na Assembléia Legislativa do Ceará, envolvendo a CPI do Castelão. 

Como era de se esperar, Marcos Cals e outros deputados do PSDB amarelaram solenemente no primeiro teste de oposição. Essa omissão ou cumplicidade mostra claramente que a oposição está morta no Ceará; que o papel do Legislativo Estadual está completamente invertido com o consentimento geral; e que a farsa pode ser deficiência de TESTOSTERONA nos bagos dos políticos invertidos do Ceará.

Em nenhum momento da sua história política o Ceará elegeu uma bancada de deputados estaduais tão raquítica, tão submetida, tão desmerecedora e tão deplorável no seu comportamento e missão quanto essa. O presidente da casa fiscalizadora, Domingo Filho, além de ser um fiel escudeiro, é o vice do governo a quem ele e deveria fiscalizar. Com o consentimento social e amparada por uma legislação impura, a base aliada da oligarquia que governa o Ceará transformou o Legislativo numa extensão subalterna ao Executivo e rompeu com o princípio fundante da democracia política: o equilíbrio de forças entre os poderes.

Então, foi fácil comandar à distância a implosão da CPI que iria apurar possíveis ilícitos numa obra de quase MEIO BILHÃO sem licitação. Paralelamente a isso surge um fato ainda mais envergonhador: o presidente do TCE, Teodorico José de Meneses, rejeitou a ação cautelar impetrada pelo Ministério Público de Contas, que pedia a suspensão de um processo licitatório que concentra 80% dos recursos sem licitação para a reforma do estádio Castelão. 

Vale ressaltar que essa foi a primeira vez, na atual composição do tribunal, que o conselheiro presidente se dignou a usar o voto de minerva em alguma decisão do pleno. E aqui caberia perguntar francamente: para que servem o TCE e a Assembléia Legislativa do Ceará¿

De fato o Ceará tem sido muito generoso com os Ferraira Gomes. Para quem até ontem andava de fusquinha com pneus carecas em Sobral e agora, comandando dessa forma os negócios públicos do Estado, bem como a campanha política mais cara da história deste país, com previsão de gastos na ordem de R$ 273 milhões, sinceramente, é assustador.


Ruy Câmara
Escritor e Sociólogo