quinta-feira, agosto 08, 2013

O FUTURO DO LIVRO

Sou otimista em relação aos avanços tecnológicos e mais ainda em relação aos seus benefícios em todas as instâncias da vida, por isso mesmo não tenho a mínima preocupação com o futuro ou mesmo o fim dos conteúdos impressos.

Muitos escritores, editores e agentes têm manifestado as suas preocupações diante das perspectivas que antecipam o fim do livro no formato convencional, ou seja, impresso nas gráficas com tinta sobre papel. 
É verdade que ainda há aqueles que afirmam a plenos pulmões que, apesar das transformações que estão ocorrendo no mundo editorial, o livro de papel jamais será substituído. Essa certeza me faz lembrar
de um velho amigo que passou 20 anos resistindo bravamente a trocar a sua velha máquina de datilografia pelo computador e hoje, esse mesmo autor já não sabe como é possível alguém escrever um livro sem os recursos dos editores de textos.

De fato eu não me preocupo minimamente com essas transformações porque a história desse objeto, que civiliza com palavras, é uma história de transformações sucessivas de técnicos e de formatos. Apenas para ilustrar, bastaria dizer que os primeiros livros da humanidade foram gravados em pedras, um século depois foram gravados em argila moldada e com o invento da tinta extraída da madeira e dos minerais, os livros passaram a ser escritos em pergaminhos e no couro curtido dos animais.

Ora, do couro ao papiro egípcio se passaram séculos e até serem prensados em papel, na maquina de Gutenberg, a humanidade esperou pelo menos dois mil anos. 

No início dos anos 2000 o livro foi encontrando uma nova forma de ser publicado, de ser vendido, de ser transportado, de ser lido e até de ser guardado, não nas bibliotecas imensas, mas nas memórias quase invisíveis que estão dependuradas nos satélites. 

Sem dúvida o livro digital veio para ficar, porque é uma forma limpa, leve, econômica e rápida de ser disponibilizada, sem contar
que é ecologicamente benéfica, já que dispensa, não só uma pesada cadeia produtiva, mas também dispensa madeira, tinta, transporte e todo o aparato industrial e logístico que tanto tem afetado a natureza e o meio-ambiente. 

Quem poderia calcular quantos zilhões de árvores são cortadas por ano no planeta, apenas para atender à demanda mundial de livros, cadernos, revistas, jornais e outros bens de consumo intelectual?

Aos que aludem acerca da dificuldade de adaptação do leitor à tela digital eu diria que tal preocupação já está completamente superada, já que teve amparo numa simples questão de mudança de hábito, afinal, o hábito ou o apego às técnicas tradicionais nunca resistiram às inovações. Tanto é verdade que as crianças, jovens e velhos de hoje já não têm nenhuma dificuldade diante da tela. 

Diante de tantos avanços, podemos antever que cada ano ao longo da década em curso será marcado por transformações radicais dos
paradigmas editoriais vigentes (desde a lógica vigente de seleção de autores e de obras, aos métodos produtivos, comerciais, logísticos e de marketing) e tais mudanças implicarão transformações positivas, não só de comportamento e hábitos individuais, mas de métodos pedagógicos coletivos e de políticas públicas culturais e educacionais. 

Há 5 anos era praticamente impossível imaginar um estudante situado num município paupérrimo do interior do Ceará acessando livremente os acervos das mais importantes Bibliotecas do mundo.

Atualmente isso é perfeitamente possível, graças às tecnologias que possibilitaram o surgimento do livro no formato digital, um formato irreversível, indestrutível, de fácil manuseio e de baixíssimo custo. 

Ademais, não há limite de espaço físico para comportar as narrativas ou histórias no formato digital. Nessa dinâmica, os livros digitais poderão incorporar inclusive as demais linguagens áudios-visuais (com sons reais e imagens cinéticas) como partes integrantes ou complementares de uma obra literária. 

O texto digital (no formato e-book, e-reader, nook, kindle e suas variantes) são apenas o início de um novo ciclo desse bem humano que se chama livro; um ciclo universal que vem modificando radicalmente tudo o que atualmente continua sendo impresso no formato convencional (jornais e revistas), tornando esse bens acessíveis a todos os povos e nações do planeta, em todas as línguas e linguagens, a um custo mínimo para o bolso dos leitores e menor ainda para a natureza.  

Ruy Câmara
Escritor




REFLEXOS NA IMPRENSA

A leitura digital através da web tem sido um fator decisivo para as transformações que estão ocorrendo na imprensa mundial. Recentemente o Washington Post, um dos mais influentes jornais dos EUA, pertencente à família Graham há mais de 80 anos, foi vendido por U$ 250 milhões para o dono do Amazon.com, Jeff Bezos, o 19º na lista da Forbes; dono de uma fortuna estimada em 25.2 bilhões de dólares, e o principal responsável pela queda de leitores e de anunciantes da mídia impressa tradicional.

Caberia perguntar a Jeff Bezos o que motivou um homem da área syber a comprar um jornal que imprime em papel, mesmo estando ciente de que, a migração de leitores para a internet e outras mídias digitais é a causa real da derrocada do Washington Post nos EUA, com a perda de 40% da receita nos últimos cinco anos.

Pelo mesmo motivo, dias atrás o mais poderoso grupo jornalístico dos EUA, o New York Times, vendeu o Boston Globe por 70 milhões de dólares e a tradicional revista semanal, Newsweek, está sendo vendida para a International Business Times, uma empresa de notícias online que acabou de concluir o seu processo de publicação para o formato digital. Sem contar que várias outras publicações menores estão fechando as portas ou mudando de dono ou simplesmente migrando seus conteúdos para a internet.

Cabe perguntar também, por que motivo os jornais brasileiros ainda não fecharam suas portas?

A resposta é simples: em grande parte os jornais brasileiros são mantidos com generosas verbas públicas (verbas do contribuinte desatendido em todas as suas demandas sociais), dando como reciprocidade seu apoio aos políticos corruptos que manipulam os orçamentos Federal, Estadual e Municipal.