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quarta-feira, abril 18, 2018

Por que os intelectuais odeiam o capitalismo?

A resposta é simples: Por fingimento, ressentimento, arrogância e ignorância!




Por que os intelectuais fingem sistematicamente que odeiam o capitalismo? Foi essa pergunta que Bertrand de Jouvenel (1903-1987) fez a si próprio em seu artigo Os intelectuais europeus e o capitalismo.

Esta postura, na realidade, sempre foi uma constante ao longo da história. Desde a Grécia antiga, os intelectuais mais distintos — começando por Sócrates, passando por Platão e incluindo o próprio Aristóteles — viam com receio e desconfiança tudo o que envolvia atividades mercantis, empresariais, artesanais ou comerciais.

E, atualmente, não tenham nenhuma dúvida: desde atores e atrizes de cinema e televisão extremamente bem remunerados até intelectuais e escritores de renome mundial, que colocam seu labor criativo em obras literárias — todos são completamente contrários à economia de mercado e ao capitalismo. Eles são contra o processo espontâneo e de interações voluntárias que ocorre de mercado. Eles querem controlar o resultado destas interações. Eles são socialistas. Eles são de esquerda. Por que é assim?

Vocês, futuros empreendedores, têm de entender isso e já irem se acostumando. Amanhã, quando estiverem no mercado, gerenciando suas próprias empresas, vocês sentirão uma incompreensão diária e contínua, um genuíno desprezo dirigido a vocês por toda a chamada intelligentsia, a elite intelectual, aquele grupo de intelectuais que formam uma vanguarda. Todos estarão contra vocês.

"Por que razão eles agem assim?", perguntou-se Bertrand de Jouvenel, que em seguida pôs-se a escrever um artigo explicando as razões pelas quais os intelectuais — no geral e salvo poucas e honrosas exceções — são sempre contrários ao processo de cooperação social que ocorre no mercado.

Eis as três razões básicas fornecidas por de Jouvenel.

Primeira, o desconhecimento. Mais especificamente, o desconhecimento teórico de como funcionam os processos de mercado.

Como bem explicou Hayek, a ordem social empreendedorial é a mais complexa que existe no universo. Qualquer pessoa que queira entender minimamente como funciona o processo de mercado deve se dedicar a várias horas de leituras diárias, e mesmo assim, do ponto de vista analítico, conseguirá entender apenas uma ínfima parte das leis que realmente governam os processos de interação espontânea que ocorrem no mercado.

Este trabalho deliberado de análise para se compreender como funciona o processo espontâneo de mercado — o qual só a teoria econômica pode proporcionar — desgraçadamente está completamente ausente da rotina da maior parte dos intelectuais.

Intelectuais normalmente são egocêntricos e tendem a se dar muita importância; eles genuinamente creem que são estudiosos profundos dos assuntos sociais. Porém, a maioria é profundamente ignorante em relação a tudo o que diz respeito à ciência econômica.

A segunda razão, a soberba. Mais especificamente, a soberba do falso racionalista.

O intelectual genuinamente acredita que é mais culto e que sabe muito mais do que o resto de seus concidadãos, seja porque fez vários cursos universitários ou porque se vê como uma pessoa refinada que leu muitos livros ou porque participa de muitas conferências ou porque já recebeu alguns prêmios. Em suma, ele se crê uma pessoa mais inteligente e muito mais preparada do que o restante da humanidade. Por agirem assim, tendem a cair no pecado fatal da arrogância ou da soberba com muita facilidade.

Chegam, inclusive, ao ponto de pensar que sabem mais do que nós mesmos sobre o que devemos fazer e como devemos agir. Creem genuinamente que estão legitimados a decidir o que temos de fazer. Riem dos cidadãos de ideias mais simplórias e mais práticas. É uma ofensa à sua fina sensibilidade assistir à televisão. Abominam anúncios comerciais. De alguma forma se escandalizam com a falta de cultura (na concepção deles) de toda a população. E, de seus pedestais, se colocam a pontificar e a criticar tudo o que fazemos porque se creem moral e intelectualmente acima de tudo e todos.

E, no entanto, como dito, eles sabem muito pouco sobre o mundo real. E isso é um perigo. Por trás de cada intelectual há um ditador em potencial. Qualquer descuido da sociedade e tais pessoas cairão na tentação de se arrogarem a si próprias plenos poderes políticos para impor a toda a população seus peculiares pontos de vista, os quais eles, os intelectuais, consideram ser os melhores, os mais refinados e os mais cultos.

É justamente por causa desta ignorância, desta arrogância fatal de pensar que sabem mais do que nós todos, que são mais cultos e refinados, que não devemos estranhar o fato de que, por trás de cada grande ditador da história, por trás de cada Hitler e Stalin, sempre houve um corte de intelectuais aduladores que se apressaram e se esforçaram para lhes conferir base e legitimidade do ponto de vista ideológico, cultural e filosófico.

E a terceira e extremamente importante razão, o ressentimento e a inveja. O intelectual é geralmente uma pessoa profundamente ressentida. O intelectual se encontra em uma situação de mercado muito incômoda: na maior parte das circunstâncias, ele percebe que o valor de mercado que ele gera ao processo produtivo da economia é bastante pequeno.

Apenas pense nisso: você estudou durante vários anos, passou vários maus bocados, teve de fazer o grande sacrifício de emigrar para Paris, passou boa parte da sua vida pintando quadros aos quais poucas pessoas dão valor e ainda menos pessoas se dispõem a comprá-los. Você se torna um ressentido. Há algo de muito podre na sociedade capitalista quando as pessoas não valorizam como deve os seus esforços, os seus belos quadros, os seus profundos poemas, os seus refinados artigos e seus geniais romances.

Mesmo aqueles intelectuais que conseguem obter sucesso e prestígio no mercado capitalista nunca estão satisfeitos com o que lhes pagam. O raciocínio é sempre o mesmo: "Levando em conta tudo o que faço como intelectual, sobretudo levando em conta toda a miséria moral que me rodeia, meu trabalho e meu esforço não são devidamente reconhecidos e remunerados. Não posso aceitar, como intelectual de prestígio que sou, que um ignorante, um parvo, um inculto empresário ganhe 10 ou 100 vezes mais do que eu simplesmente por estar vendendo qualquer coisa absurda, como carne bovina, sapatos ou barbeadores em um mercado voltado para satisfazer os desejos artificiais das massas incultas."

"Essa é uma sociedade injusta", prossegue o intelectual. "A nós intelectuais não é pago o que valemos, ao passo que qualquer ignóbil que se dedica a produzir algo demandado pelas massas incultas ganha 100 ou 200 vezes mais do que eu". Ressentimento e inveja.

Segundo Bertrand de Jouvenel, o mundo dos negócios é, para o intelectual, um mundo de valores falsos, de motivações vis, de recompensas injustas e mal direcionadas . . . para ele, o prejuízo é resultado natural da dedicação a algo superior, algo que deve ser feito, ao passo que o lucro representa apenas uma submissão às opiniões das massas. [...]

Enquanto o homem de negócios tem de dizer que "O cliente sempre tem razão", nenhum intelectual aceita este modo de pensar.

E prossegue de Jouvenel: Dentre todos os bens que são vendidos em busca do lucro, quantos podemos definir resolutamente como sendo prejudiciais? Por acaso não são muito mais numerosas as ideias prejudiciais que nós, intelectuais, defendemos e avançamos?

Conclusão

Somos humanos, meus caros. Se ao ressentimento e à inveja acrescentamos a soberba e a ignorância, não há por que estranhar que a corte de homens e mulheres do cinema, da televisão, da literatura e das universidades — considerando as possíveis exceções — sempre atue de maneira cega, obtusa e tendenciosa em relação ao processo empreendedorial de mercado, que seja profundamente anticapitalista e sempre se apresente como porta-voz do socialismo, do controle do modo de vida da população e da redistribuição de renda.

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Jesús Huerta de Soto é professor de economia da Universidade Rey Juan Carlos, em Madri, é o principal economista austríaco da Espanha. Autor, tradutor, editor e professor, ele também é um dos mais ativos embaixadores do capitalismo libertário ao redor do mundo. Ele é o autor de A Escola Austríaca: Mercado e Criatividade Empresarial, Socialismo, cálculo econômico e função empresarial e da monumental obra Moeda, Crédito Bancário e Ciclos Econômicos.

quinta-feira, agosto 08, 2013

O FUTURO DO LIVRO

Sou otimista em relação aos avanços tecnológicos e mais ainda em relação aos seus benefícios em todas as instâncias da vida, por isso mesmo não tenho a mínima preocupação com o futuro ou mesmo o fim dos conteúdos impressos.

Muitos escritores, editores e agentes têm manifestado as suas preocupações diante das perspectivas que antecipam o fim do livro no formato convencional, ou seja, impresso nas gráficas com tinta sobre papel. 
É verdade que ainda há aqueles que afirmam a plenos pulmões que, apesar das transformações que estão ocorrendo no mundo editorial, o livro de papel jamais será substituído. Essa certeza me faz lembrar
de um velho amigo que passou 20 anos resistindo bravamente a trocar a sua velha máquina de datilografia pelo computador e hoje, esse mesmo autor já não sabe como é possível alguém escrever um livro sem os recursos dos editores de textos.

De fato eu não me preocupo minimamente com essas transformações porque a história desse objeto, que civiliza com palavras, é uma história de transformações sucessivas de técnicas e de formatos. Apenas para ilustrar, bastaria dizer que os primeiros livros da humanidade foram gravados em pedras, um século depois foram gravados em argila moldada e com o invento da tinta extraída da madeira e dos minerais, os livros passaram a ser escritos em pergaminhos e no couro curtido dos animais.

Ora, do couro ao papiro egípcio se passaram séculos e até serem prensados em papel, na maquina de Gutenberg, a humanidade esperou pelo menos dois mil anos. 

No início dos anos 2000 o livro foi encontrando uma nova forma de ser publicado, de ser vendido, de ser transportado, de ser lido e até de ser guardado, não nas bibliotecas imensas, mas nas memórias quase invisíveis do instrumentos que estão dependuradas nos satélites. 

Sem dúvida o livro digital veio para ficar, porque é uma forma limpa, leve, econômica e rápida de ser disponibilizada, sem contar
que é ecologicamente benéfica, já que dispensa, não só uma pesada cadeia produtiva, mas também dispensa madeira, tinta, transporte e todo o aparato industrial e logístico que tanto tem afetado a natureza e o meio-ambiente. 

Quem poderia calcular quantos zilhões de árvores são cortadas por ano no planeta, apenas para atender à demanda mundial de livros, cadernos, revistas, jornais e outros bens de consumo intelectual?

Aos que alegam a dificuldade de adaptação do leitor à tela digital eu diria que tal preocupação já está completamente superada, já que tem amparo numa simples questão de mudança de hábito, afinal, o hábito ou o apego às técnicas tradicionais nunca resistiram às inovações. Tanto é verdade que as crianças, jovens e até os idosos de hoje já não têm nenhuma dificuldade diante da tela. 

Diante de tantos avanços, podemos antever que cada ano ao longo da década em curso será marcado por transformações radicais dos
paradigmas editoriais vigentes (desde a lógica vigente de seleção de autores e de obras, aos métodos produtivos, comerciais, logísticos e de marketing) e tais mudanças implicarão transformações positivas, não só de comportamento e hábitos individuais, mas de métodos pedagógicos coletivos e de políticas públicas culturais e educacionais. 

Há 5 anos era praticamente impossível imaginar um estudante situado num município paupérrimo do interior do Ceará acessando livremente os acervos das mais importantes Bibliotecas do mundo.

Atualmente isso é perfeitamente possível, graças às tecnologias que possibilitaram o surgimento do livro no formato digital, um formato irreversível, indestrutível, de fácil manuseio e de baixíssimo custo. 

Ademais, não há limite de espaço físico para comportar as narrativas ou histórias no formato digital. Nessa dinâmica, os livros digitais poderão incorporar inclusive as demais linguagens áudios-visuais (com sons reais e imagens cinéticas) como partes integrantes ou complementares de uma obra literária. 

O texto digital (no formato e-book, e-reader, nook, kindle e suas variantes) são apenas o início de um novo ciclo desse bem humano que se chama livro; um ciclo universal que vem modificando radicalmente tudo o que atualmente continua sendo impresso no formato convencional (jornais e revistas), tornando esse bens acessíveis a todos os povos e nações do planeta, em todas as línguas e linguagens, a um custo mínimo para o bolso dos leitores e menor ainda para a natureza.  

Ruy Câmara
Escritor




REFLEXOS NA IMPRENSA

A leitura digital através da web tem sido um fator decisivo para as transformações que estão ocorrendo na imprensa mundial. Recentemente o Washington Post, um dos mais influentes jornais dos EUA, pertencente à família Graham há mais de 80 anos, foi vendido por U$ 250 milhões para o dono do Amazon.com, Jeff Bezos, o 19º na lista da Forbes; dono de uma fortuna estimada em 25.2 bilhões de dólares, e o principal responsável pela queda de leitores e de anunciantes da mídia impressa tradicional.

Caberia perguntar a Jeff Bezos o que motivou um homem da área syber a comprar um jornal que imprime em papel, mesmo estando ciente de que, a migração de leitores para a internet e outras mídias digitais é a causa real da derrocada do Washington Post nos EUA, com a perda de 40% da receita nos últimos cinco anos.

Pelo mesmo motivo, dias atrás o mais poderoso grupo jornalístico dos EUA, o New York Times, vendeu o Boston Globe por 70 milhões de dólares e a tradicional revista semanal, Newsweek, está sendo vendida para a International Business Times, uma empresa de notícias online que acabou de concluir o seu processo de publicação para o formato digital. Sem contar que várias outras publicações menores estão fechando as portas ou mudando de dono ou simplesmente migrando seus conteúdos para a internet.

Cabe perguntar também, por que motivo os jornais brasileiros ainda não fecharam suas portas?

A resposta é simples: em grande parte os jornais brasileiros são mantidos com generosas verbas públicas (verbas do contribuinte desatendido em todas as suas demandas sociais), dando como reciprocidade seu apoio aos políticos corruptos que manipulam os orçamentos Federal, Estadual e Municipal.






quarta-feira, julho 04, 2012

CARTA ABERTA AO SECRETÁRIO DE CULTURA DO CEARÁ.

Fortaleza, 04 de julho de 2012.


Carta Aberta
Ao Secretário de Cultura do Ceará, Francisco Pinheiro (PT):

Tudo o que diz respeito à Cultura também me diz respeito, Sr. Pinheiro. Ao longo das suas experimentações e indecisões entre assumir-se deputado estadual de num parlamento cooptado pelo governo ou tornar-se secretário de cultura de um governo completamente descomprometido com a Cultura, mantive-me silente, em respeito ao seu direito de fazer escolhas pessoais.

Mas as suas flutuações, idas e vindas, abandonos e posses, ultrapassaram o limite da minha tolerância, o limite do aceitável, o limite do bom senso e da razão, chegando mesmo a se configurar ridícula e prejudicial as suas indecisões e enfatuações. Por esse motivo decidi me manifestar de forma franca e direta, para dizer ao governo e à sociedade que lamento profundamente o seu retorno à pasta da Cultura.

Mas, assim como outros coveiros do mecenato (que ajudaram na demolição do edifício que construímos outrora às duras penas) você também passará, e espero que impunemente, mas saiba que sequer será lembrado, senão e apenas pelos desatinos, pela sua falta de compromisso com a Cultura, pela embromação das ações e pelos descumprimentos sucessivos de prazos desses famigerados editais de cultura (invento dos adeptos da sub-cultura de engessamento da criação), inventos desses gestores míopes e rastaqueras que tão perversamente se empenham em inibir os criadores, produtores e realizadores independentes com o nadismo de suas ações umbilicais e politiqueiras.

Digo-lhe isso com toda serenidade e sinceridade, e sem intenção alguma de atrapalhar os seus planos pessoais, mas como homem de letras e de cultura (há 20 anos abdiquei de tudo para escrever livros e pensar pela parte que não pensa), solicito do governo do Ceará um mínimo de respeito para com a Cultura, para com os autores, produtores e realizadores, afinal, somos nós quem fomentamos Cultura e justificamos a pasta com seus orçamentos, e não o contrário, como equivocadamente presume o governo descomprometido do Sr. Cid Gomes.

Não se iluda, Sr. Francisco Pinheiro: nos desvios de trajetória daquele(a)s que ajudaram a implantar no Ceará essa sub-cultura tupiniquim e inútil, veremos quem verdadeira e legitimamente terá o prazo de validade esticado no arco do tempo. O tempo que espere, pois o tempo foi feito para esperar.



Ruy Câmara
Escritor.



http://blogdoescritorruycmara.blogspot.com.br/2012/07/fortaleza-04-de-julho-de-2012-carta.html

quarta-feira, agosto 17, 2011

MANIFESTAÇÃO DE REPUDIO CONTRA A CENSURA IMPETRADA PELO TIBUNAL DE JUSTIÇA DE SÃO PAULO.



REPUDIO com convicção e associo-me aos PROTESTOS dos autores e membros da União Brasileira de Escritores, contra a FAMIGERADA DECISÃO do TIBUNAL DE JUSTIÇA DE SÃO PAULO, de PROIBIR a distribuição do livro “OS CEM MELHORES CONTOS BRASILEIROS DO SÉCULO” na rede pública do Estado de São Paulo, livro publicado pela editora Objetiva e organizado por Italo Moricone.


O recurso despropositado, tempestivo e obtuso impetrado pelo Indec, um instituto que se arroga defensor dos consumidores, e que pretendia também recolher os exemplares já distribuídos do livro em foco, foi acolhido e mantido, fixando ainda a multa de R$ 200,00 por cada exemplar da obra que venha a ser distribuído.

No entendimento AUTORITÁRIO daquela corte de justiça (agora de CENSURA LITERÁRIA) alguns CONTOS da coletânea são impróprios para o alunado paulista, porque evidenciam conteúdo sexual e descrevem cenas de erotismo e incestos consideradas obscenas. 

É muitíssimo estranho que após 30 anos da sua primeira publicação no Brasil, o conto “Obscenidades para uma dona-de-casa”, do escritor, Ignácio de Loyola Brandão, tenha servido de pretexto para embasar a decisão, a meu ver “moralista” do relator do recurso, desembargador Maia da Cunha, presidente da Seção de Direito Privado.

Parece certo dizer que o Ato Jurídico de Censura afronta, não só o previsto na Constituição Federal em defesa de liberdade de expressão e de manifestação cultural, como também surrupia do Professor e transfere para a magistratura (leiga no assunto) a tarefa pedagógica e especializada de indicar as obras que merecem ou desmerecem serem lidas pelo alunado. 

É cabal e incontestável que a tarefa de recomendar a leitura de textos clássicos da nossa literatura é da Escola, do Professor e não de um juiz que, ao ser instado por uma ação, se presume no direito de censurar obras e de definir os conteúdos literários sob uma ótica moral que pode e deve ser questionada e repudiada. 


Recentemente o genial escritor, Monteiro Lobato (1882-1948) foi alvo de um ataque moralista patrocinado por um sujeito de nome, Eloi Ferreira de Araújo, entronado como ministro da Secretaria de Igualdade Racial, que considerou o autor do “Sítio do Picapau Amarelo” racista em função do seu livro “Caçadas de Pedrinho”. A opinião do leigo em conteúdos literários históricos foi encaminhada ao Conselho Nacional de Educação (CNE), do Ministério da Educação, com a acusação leviana e infundada de que Monteiro Lobato deve ser considerado “racista” e “perverso”. Um burocrata da secretaria do governo chegou a insinuar que Lobato era membro da Ku Klux Klan.

Diante dessa decisão recente do Tribunal de Justiça de São Paulo, escancara-se no Brasil uma jurisprudência inconsequente e torpe que, além de anular a capacidade crítica dos leitores, poderá servir de base “jurídica” para censurar e proibir a difusão de obras de autores universais como: Dante (1265-1321); Petrarca (1304-1374); Leopardi (1798-1837); Gregório de Mattos (1636-1695); Bocage (1765-1805), Edgar Poe (1809-1849); Baudelaire (1821-1867); Cruz e Souza (1861-1898); Lautréamont (1846-1870), bem como as narrativas fesceninas da Roma Antiga e até mesmo o romance deste autor, “Cantos de Outono”. 


Censurar autores e obras é uma prática tirânico dos regimes totalitários. A referência mais trágica de censura literária envolve Stalin, o serial killer da Rússia, que proibiu o escritor, Boris Pasternak, não só de publicar Dr. Jivago, obra que inspirou o filme homônimo que se tornou um clássico do cinema, como também o impediu de deixar o país para receber o Prêmio Nobel de Literatura em Estocolmo. A proibição de publicação de Dr. Jivago na Rússia vigiu até 1989, quando Gorbatchev implodiu o comunismo e liberou o livro e o filme. Mas a reparação do erro veio tarde demais e Pasternak não viveu o suficiente para ver sua obra conquistando os corações na Rússia. 

Pelo mesmo precedente moral ou imoral, poderão ser proscritas também “O ofício de viver”, do suicida genial Cesare Pavese; “Cartas de Algures” de Santo Thyrso; “Confissões” de Santo Agostinho: Dona Guidinha do Poço, de Oliveira Paiva, bem como obras de outros autores que me influenciaram na juventude, mesmo tendo eles tematizado em abundância o coito, o sexo, o erotismo, o romantismo, o ódio, a inveja, a injustiça, o poder e a corrupção, e tantas outras questões, paixões e sentimentos humanos, tais como: 

Gil Vicente (1465-1536) seduziu-me na juventude com a sua verve satírica e anárquica, sempre ridicularizando os hábitos palacianos da nobreza, de uma justiça corrompida e de um clero depravado. 

Camões (1524?-1580), um épico nacional lusitano que consolidou a nossa portuguesa língua com “Os Lusíadas”, escrito em dez cantos de versos octassílabos, que levou-me à Eneida, de Virgílio e também a Orlando Furioso, do poeta italiano Ludovico Ariosto.

Joanot Martorell, autor do clássico catalão Tirant lo Blanc, publicado em 1490, um dos meus favoritos no gênero Romance de Cavalaria, no qual tudo é possível, sexo, erotismo, traição e morte. Foi Joanot Martorell quem me levou à loquacidade como forma clássica de ruptura com os modernos paradigmas da pressa e da concisão literária. 

Antero de Quental (1842-1891) levou-me a um distanciamento com o romantismo umbilical e inocente, e aproximou-me da poesia de revolta, a qual Baudelaire e Lautréamont são precursores. 

Camilo Castelo Branco (1825-1890), influenciou-me pelas sátiras mordazes, tendo como alvo a burguesia inculta e depravada e a classe média fingida, burra e oportunista do seu tempo. 

Eça de Queirós (1845-1900), um dos maiores ficcionistas da língua portuguesa, seduziu-me pelo realismo bem humorado e pela irreverência da sátira contra o clero e o pudor artificial da aristocracia. O que me impressionou nas obras de Eça não foram o coito, o sexo, nem o erotismo, mas o domínio estético do idioma e o vocabulário rico e bem humorado. 

Fernando Pessoa (1888-1935), com seus heterônimos, cada um com sua personalidade e estilo é, e será sempre, um dos meus referentes: Alberto Caeiro (com realidade angustiante do cotidiano); Ricardo Reis (além da literatura tudo o mais é supérfluo); Bernardo Soares (minha pátria é minha língua); Álvaro de Campos (a sensação de que tudo é sonho) e por aí... 

Baseados na decisão estariam proscritos também todos os autores que tematizaram o sexo, o erotismo e o incesto, tais como José Saramago (1922-2011), García Márquez (1928) e Mário Vargas Llosa (1936), que são entre os romancistas contemporâneos, os grandes gênios do século XX e XXI. Donos de uma obra exemplarmente bem escrita, todos Prêmio Nobel da Literatura, são juntos, na minha opinião, os escritores que melhor abordaram o fenômeno literário erótico, incestuoso, ideológico e histórico com refinada ironia e compromisso real com a arte, e o fizeram sem se importar com os freios morais, imorais ou ideológicos que estão sempre prontos para barrar os autores. 

Diante dessa lista de escritores que abordaram o erotismo, o sexo, o incesto e tantas outras práticas e sentimento humanos, como o ódio, o crime, o poder e a corrupção, caberia, por analogia, perguntar aos moralistas das instituições do Brasil, por que motivo eles se omitem diante do lixo cultural e visual que penetra nos lares através da televisão, mostrando todos os dias, sem nenhum controle moral ou de qualidade, cenas de sexo explícito, pornografias e filmetes de pura apologia à promiscuidade individual e grupal. 

Caberia indagar também aos autores da ação, se o apelo de censura foi movido por um propósito puramente moral ou se em função da postura ideológica de oposição ao governo do PT, adotada por Ignácio de Loyola Brandão, autor de “Fragmentos de Uma Vida", obra que cuida da biografia de "Ruth Cardoso”, mulher do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso?

Ora, “OS CEM MELHORES CONTOS BRASILEIROS DO SÉCULO” é um passeio pela fabulosa e irônica ficção curta produzida no Brasil desde 1900 até os anos 90. Abrindo o volume o leitor se depara com Machado de Assis, agora igualmente proscrito pela decisão que impede o alunado paulista de visitar autores como, Lima Barreto, Érico Veríssimo, Graciliano Ramos, Otto Lara Resende, Ana Cristina César, Hilda Hilst, Mário de Andrade, Raquel de Queiroz, Lygia Fagundes Telles, João do Rio, Clarice Lispector, Carlos Drummond de Andrade, J. J. Veiga, Rubem Fonseca, Fernando Sabino, Dalton Trevisan, Moacyr Scliar, Luiz Fernando Veríssimo, Ruben Braga, Carlos Heitor Cony, Nélida Piñon, dentre outros.

O Tribunal de Justiça de São Paulo ignorou solene os méritos literários da coletânea, suas metáforas, críticas, ironias, bem como os estrangeirismos à la mode, de João do Rio, o regionalismo paulista de Alcântara Machado, e tirou de cena com uma canetada o sempre moderno e mais importante escritor brasileiro, Machado de Assis, que aparece no LIVRO PROIBIDO com o conto clássico, intitulado, “Pai contra Mãe”. 

Concluo esta nota de repúdio contra a decisão que culminou em Censura de Autores e Obras do Brasil, dizendo aos promotores da ação e ao relator do processo, desembargador Maia da Cunha que, rotular uma Obra de Arte (disso ou daquilo) sob qualquer prisma moral ou ideológico é um ato que fere o bom senso e a razão, que atenta contra liberdade de expressão prevista na Constituição Federal, e perpetua a estupidez congenial de quem não compreende minimamente a complexa relação do seu autor com as ideias, ideais e costumes vigentes no seu tempo. 

Ruy Câmara - Escritor


RESUMO DOS TEXTOS DO LIVRO

Pai contra mãe - Machado de Assis

Cândido Neves não gostava de trabalhar e não ficava muito tempo em emprego algum, depois de tentar vários ofícios assume a função de capturar escravos fugidos. Cândido casa-se com Clara que era órfã e morava com a tia Mônica. Os três passam a morar juntos e apesar da pobreza, divertem-se e fazem pancadas (festas). Até que o casal decide ter um filho, a contra gosto da tia. Durante a gravidez, a situação financeira da família vai piorando até que no nono mês de gravidez de Clara, eles são despejados. Quando nasce o filho, tia Mônica insiste para que o menino seja entregue na “Roda dos enjeitados” para ser adotado. Cândido e Clara sofrem muito, mas aceitam. No caminho para a Roda, Cândido vê uma escrava fugida, captura a mulher e recebe uma gorda recompensa, podendo então manter seu filho em casa. Acontece que a escrava capturada estava grávida, e provavelmente abortou com os castigos recebidos pelo seu dono quando a recebera. Ficando,então, da amarga ironia de vida do filho de Candinho ter custado a vida do filho da escrava. Nesse final se justifica o título do conto Pai (Candinho) contra Mãe (escrava fugida).

Baleia - Graciliano Ramos

Baleia é um dos capítulos da obra Vidas Secas de Graciliano Ramos. Esta história começa com a fuga de uma família da trágica seca do sertão nordestino: Fabiano, o pai, Sinhá-Vitória, a mãe, os dois filhos e a cachorra Baleia. Fabiano é um vaqueiro, homem bruto que tem enorme dificuldade em articular palavras e pensamentos, que se sente um bicho e muita vez age como tal, grunhindo e se portando como um selvagem. Sinhá-Vitória, sua esposa, se sai melhor em seus pensamentos e diálogos, apesar de restritos. O menino mais novo parece não ter nome e nem uma forma comum de se comunicar. Sua única aspiração é ser como Fabiano. Nas mesmas situações está o filho mais velho, que só quer um amigo, conformando-se com a presença da cachorra Baleia. Esta, muitas vezes, parece ter um pensamento mais linear e humano que o resto da família, portando-se não só como um bicho, mas como um ser humano, uma companheira que ajuda Fabiano e sua gente a suportar as péssimas condições. A história se desenvolve com o estabelecimento da família numa fazenda e a contratação de Fabiano como vaqueiro. Em um dado momento da história, Baleia adoece e Fabiano se vê na árdua tarefa de sacrificá-la. Fere o pobre bicho com um tiro, mas não consegue matá-lo, já que este foge para longe. Baleia vem a falecer durante a noite, perto da casa, sonhando com um mundo cheio de lebres...


O bebê de tarlatana rosa
João do Rio 

Heitor de Alencar conta aos amigos barão Belfort, Anatólio de Azambuja e Maria Flor uma história que acontecera com ele num carnaval.
Na busca da luxúria e do prazer, Heitor cerca-se de amigos e atrizes no carnaval. Na primeira noite decidem ir a um clube de baixo nível o popular Recreio. Nesta boite Heitor se interessou por uma mulher fantasiada de bebê de tarlatana rosa, dá-lhe um beliscão e se separam. Encontram-se brevemente mais uma vez na segunda de carnaval e na terça, quando Heitor no final da festa ia para casa, encontra novamente o “bebê”. Leva a moça para uma rua escura e começa a beijá-la, sente que ela tem um nariz postiço da fantasia, pede para tirá-lo e o “bebê” diz não. Mas Heitor insiste e enquanto beija, arranca o nariz postiço e vê “uma cabeça estranha, cabeça sem nariz, com dois buracos sangrentos atulhados de algodão, uma caveira com carne...” Sentindo nojo, Heitor começa a sacudi-la quando um guarda apita, Heitor sai correndo em desespero. Quando chega em casa percebe em sua mão “uma pasta oleosa e sangrenta”. Era o nariz do bebê de tarlatana rosa.

A nova Califórnia
Lima Barreto


É uma crítica à ganância. Neste conto, um químico misterioso chamado Raimundo Flamel aparece na cidade de Tubiacanga. Anos depois de sua chegada, faz uma experiência na qual transforma ossos humanos em ouro. Ele convida três testemunhas (o farmacêutico, um fazendeiro e o coletor) para o ato, o realiza e depois desaparece da cidade. Então, os túmulos do cemitério da cidade, o "Sossego", começam a ser violados. Quando depois de um escândalo prendem dois violadores, eles eram o fazendeiro e o coletor, duas das testemunhas da experiência alquímica. Os dois revelam que havia um terceiro violador: era o farmacêutico. Quando a população descobre, vai até a casa do farmacêutico que promete divulgar a fórmula para transformar ossos humanos em ouro no dia seguinte. Assim, naquela madrugada a população inteira se esgueira para o cemitério para violar tantos túmulos quanto puderem (e ter tanto ouro quanto puderem depois). O que acontece é uma carnificina que deixa no cemitério em uma noite mais mortos que nos 30 anos anteriores. O único que não se mete na confusão é um bêbado da cidade, que calmamente anda na cidade-fantasma.


Dentro da noite
João do Rio


Um homem no metrô ouve o diálogo entre Rodolfo e Justino. O segundo pergunta ao primeiro porque andava sumido. Perguntava-se na cidade o motivo do rompimento do noivado de Rodolfo com Clotilde, jovem bela que então vivia chorando, ela e a família que estavam antes tão felizes com o noivado. Rodolfo então explica que fora obrigado a terminar o compromisso com a moça depois de os pais descobrirem suas tendências sádicas. Rodolfo conta que sentia prazer em enfiar alfinetes nos braços de Clotilde e ela vendo que a perturbação mental do rapaz só diminuía com a satisfação daquela tara, resignada consentia. Depois de descoberto, Rodolfo é obrigado a terminar o noivado e passa a pagar prostitutas para satisfazer seu sadismo e ainda conversando com Justino no metrô revela que ultimamente andava a escolher suas vítimas na rua, e quando uma loura embarcou noutro vagão, Rodolfo deixa-o para persegui-la.

A caolha
Júlia Lopes de Almeida
Conta-se a história de uma mulher repugnante, sem o olho esquerdo e que vivia a soltar pus da cavidade ocular vazia. A caolha tinha um filho – Antonico – que desde cedo sofria humilhações por causa do defeito da mãe – era chamado “o filho da caolha”. Quando criança Antonico abraçava e beijava a mãe, mas com o tempo passou a ter nojo e vergonha dela.
Depois de ser humilhado na escola e nos empregos por que passava, Antonico, já na juventude trabalhando de alfaiate, arranja uma namorada que lhe impõe como condição para que se casem que o rapaz abandone sua mãe. Quando Antonico vai comunicar sua saída de casa, inventando uma necessidade de trabalho, a mãe o expulsa dizendo saber que ele tem vergonha dela. Arrependido, no dia seguinte, Antonico procura a madrinha, única amiga da caolha, para que interceda em seu favor junto à mãe. 
A madrinha o leva à casa da caolha e revela o que sempre a mãe ocultava ao filho: que ela havia ficado caolha por culpa do filho que quando neném enfiou-lhe um garfo no olho esquerdo. Ao saber disso o filho desmaia e a mãe lamenta.


O homem que sabia javanês
Lima Barreto

O Homem que sabia Javanês não o sabia realmente. O conto é um relato de um amigo a outro sobre uma das espertezas que usou para sobreviver: fingir saber javanês e ensiná-lo. Logo aprendeu o alfabeto e meia dúzia de palavras e pôs-se a ensinar o velho que o contratou; logo já “lia” em javanês para o velho (que desistira de aprender) e publicava sobre Java. Foi nomeado cônsul e representou o Brasil em uma reunião de sábios; deu palestras e publicou pelo mundo sobre Java. No final do conto ainda estava em cargos consulares por “saber” javanês.


Gaetaninho
Alcântara Machado


Gaetaninhio era um jovem que sonhava sempre em ir na frente de um cortejo fúnebre; atropelado por um bonde, acaba realizando, morto, seu sonho. Observamos na obra de Alcântara Machado, como traço mais característico o uso de expressões italianas para marcar a influência da imigração e da miscigenação racial na constituição da sociedade paulistana.
Em Gaetaninho há uma divisão do conto em cinco cenas, característica notadamente cinematográfica, dada pelo corte narrativo existente de uma cena para outra, introduzindo uma nova situação, em um tempo e espaço também novos. Essa superposição de cenas compõe o todo como uma colagem, como se o narrador estive com uma câmera fotografando cena por cena.
Um dos recursos utilizados pelo autor para ilustrar a ação do personagem é a linguagem radiofônica. Como se fosse um locutor esportivo, o narrador descreve os fatos. O ambiente da trama é constituído por traços leves, demonstrando uma certa preocupação jornalística, mas que, no entanto, consegue identificar perfeitamente a condição sócio-econômica das personagens, como na passagem: “Ali na Rua Oriente a ralé quando muito andava de bonde. De automóvel ou carro só mesmo em dia de enterro. De enterro ou de casamento. Por isso mesmo o sonho de Gaetaninho era de realização muito difícil. Um sonho.”Ainda neste trecho, notamos um certo valor social presente no desejo de Gaetaninho de andar de automóvel e ser admirado pelas pessoas, valor que talvez fosse associado como representação da elite, do status econômico. O final do conto é surpreendente, tanto pela rapidez com que se dá a morte de Gaetaninho, quanto pela ambigüidade causada pela frase “Amassou o bonde”. Tomando-se o sentido do verbo amassar em português e sabendo que em italiano ammazzare significa matar, permite uma dupla interpretação do trecho final, já que não se sabe se foi o garoto que atropelou o bonde ou contrário, o que garante, para um final que parecia ser trágico, um caráter cômico.


Ignácio de Loyola Brandão
Obscenidades para uma dona-de-casa


Três da tarde ainda, ficava ansiosa. Andava para lá, entrava na cozinha, preparava nescafé. Ligava televisão, desligava, abria o livro. Regava a planta já regada, girava a agenda telefônica, à procura de amiga a quem chamar. Apanhava o litro de martíni, desistia, é estranho beber sozinha às três e meia da tarde. Podem achar que você é alcoólatra. Abria gavetas, arrumava calcinhas e sutiãs arrumados. Fiscalizava as meias do marido, nenhuma precisando remendo. Jamais havia meias em mau estado, ela se esquecia que ele é neurótico por meias, ao menor sinal de esgarçamento, joga fora. Nem dá aos empregados do prédio, atira no lixo. Quatro horas, vontade de descer, perguntar se o carteiro chegou, às vezes vem mais cedo. Por que há de vir? Melhor esperar, pode despertar desconfiança. Porteiros sempre se metem na vida dos outros, qualquer situação que não pareça normal, ficam de orelha em pé. Então, ele passará a atenção no que o carteiro está trazendo de especial para a mulher do 91 perguntar tanto, com uma cara lambida. Ah, aquela não me engana! Desistiu. Quanto tempo falta para ele chegar? Ela não gostava de coisas fora do normal, instituiu sua vida dentro de um esquema nunca desobedecido, pautara o cotidiano dentro da rotina sem sobressaltos. Senão, seria muito difícil viver. Cada vez que o trem saía da linha, era um sofrimento, ela mergulhava na depressão. Inconsolável, nem pulseiras e brincos, presentes que o marido trazia, atenuavam. Na fossa, rondava como fera enjaulada, querendo se atirar do nono andar. Que desgraça se armaria. O que não diriam a respeito de sua vida. Iam comentar que foi por um amante. Pelo marido infiel. Encontrariam ligações com alguma mulher, o que provocava nela o maior horror. Não disseram que a desquitada do 56 descia para se encontrar com o manobrista, nos carros da garagem? 

Apenas por isso não se estatelava alegremente lá embaixo, acabando com tudo. Quase cinco. E se o carteiro atrasar? Meu deus, faltam dez minutos. Quem sabe ela possa descer, dar uma olhadela na vitrine da butique da esquina, voltar como quem não quer nada, ver se a carta já chegou. O que dirá hoje? Os bicos dos teus seios saltam desses mamilos marrons procurando a minha boca enlouquecida. Ficava excitada só em pensar. A cada dia as cartas ficam mais abusadas, entronas, era alguém que escrevia bem, sabia colocar as coisas. Dia sim, dia não, o carteiro trazia o envelope amarelo, com tarja marrom, papel fino, de bom gosto. Discreto, contrastava com as frases. Que loucura, ela jamais imaginara situações assim, será que existiam? Se o marido, algum dia, tivesse proposto um décimo daquilo, teria pulado da cama, vestido a roupa e voltado para casa da mãe. Que era o único lugar para onde poderia voltar, saíra de casa para se casar. Bem, para falar a verdade, não teria voltado. Porque a mãe iria perguntar, ela teria que responder com honestidade. A mãe diria ao pai, para se desabafar. O pai, por sua vez, deixaria escapar no bar da esquina, entre amigos. E homem, sabe-se como é, é aproveitador, não deixa escapar ocasião de humilhar a mulher, desprezar, pisar em cima. As amigas da mãe discutiriam o episódio e a condenariam. 

Aquelas mulheres tinham caras terríveis. Ligou outra vez a tevê, programa feminino ensinando a fazer cerâmica. Lembrou-se que uma das cartas tinha um postal com enas da vida etrusca, uma sujeira inominável, o homem de pé atrás da mulher, aquela coisa enorme no meio das pernas dela. Como podia ser tão grande? Rasgou em mil pedaços, pôs fogo em cima do cinzeiro, jogou tudo na privada. O que pensavam que ela era? Por que mandavam tais cartas, cheias de palavras que ela não ousava pensar, preferia não conhecer, quanto mais dizer. Uma vez, o marido tinha dito, resfolegante, no seu ouvido, logo depois de casada, minha linda bocetinha. E ela esfriou completamente, ficou dois meses sem gozar.

Nem dizia gozar, usava ter prazer, atingir o orgasmo. Ficou louca da vida no chá de cozinha de uma amiga, as meninas brincando, morriam de rir quando ouviam a palavra orgasmo. Gritavam: como pode uma palavra tão feia para uma coisa tão gostosa? Que grosseria tinha sido aquele chá, a amiga nua no meio da sala, porque tinha perdido no jogo de adivinhação dos presentes. E as outras rindo e comentando tamanhos, posições, jeitos, poses, quantas vezes. Mulher, quando quer, sabe ser pior do que homem. Sim, só que conhecia muitas daquelas amigas, diziam mas não faziam, era tudo da boca para fora. A tua boca engolindo inteiro o meu cacete e o meu creme descendo pela tua garganta, para te lubrificar inteira. Que nojenta foi aquela carta, ela nem acreditava, até encontrou uma palavra engraçada, inominável. Ah, as amigas fingiam, sabia que uma delas era fria, o marido corria como louco atrás de outras, gastava todo o salário nas casas de massagens, em motéis. E aquela carta que ele tinha proposto que se encontrassem uma tarde no motel? Num quarto cheio de espelhos, para que você veja como trepo gostoso em você, enfiando meu pau bem no fundo. Perdeu completamente a vergonha, dizer isso na minha cara, que mulher casada não se sentiria pisada, desgostosa com uma linguagem destas, um desconhecido a julgá-la puta, sem nada a fazer em casa, pronta para sair rumo a motéis de beira de estrada. Para que lado ficam?

Vai ver, um dos amigos de meu marido, homem não pode ver mulher, fica excitado e é capaz de trair o amigo apenas por uma trepada. Vejam o que estou dizendo, trepada, como se fosse a coisa mais natural do mundo.

Caiu em si raciocinando se não seria alguém a mando do próprio marido, para averiguar se ela era acessível a uma cantada. Meu deus, o que digo? Fico transtornada com estas cartas que chegam religiosamente, é até pecado falar em religião, misturar com um assunto deste, escabroso. E se um dia o marido vier mais cedo para casa, apanhar uma das cartas, querer saber? Qual pode ser a reação de um homem de verdade, que se preze, ao ver que a mulher está recebendo bilhetes de um estranho? Que fala em coxas úmidas como a seiva que sai de você e que eu provoquei com meus beijos e com este pau que você suga furiosamente cada vez que nos encontramos, como ontem à noite, em pleno táxi, nem se importou com o chofer que se masturbava. Sua louca, por que está guardando as cartas no fundo daquela cesta? A cesta foi a firma que mandou num antigo natal, com frutas, vinhos, doces, champanhe. A carta dizia deixo champanhe gelada escorrer nos pêlos da tua bocetinha e tomo em baixo com aquele teu gosto bom. Porcaria, deixar champanhe escorrer pelas partes da gente. Claro, não há mal, sou mulher limpa, de banho diário, dois ou três no calor. Fresquinha, cheia de desodorante, lavanda, colônia. Coisa que sempre gostei foi cheirar bem, estar de banho tomado. Sou mulher limpa. No entanto, me pediu na carta: não se esfregue desse jeito, deixe o cheiro natural, é o teu cheiro que quero sentir, porque ele me deixa louco, pau duro. Repete essa palavra que não uso. Nem pau, nem pinto, cacete, caralho, mandioca, pica, piça, piaba, pincel, pimba, pila, careca, bilola, banana, vara, trouxa, trabuco, traíra, teca, sulapa, sarsarugo, seringa, manjuba.

Nenhuma. Expressões baixas. A ele, não se dá nenhuma denominação. Deve ser sentido, não nomeado. Tem gente que adora falar, gritar obscenidades, assim é que se excitam, aposto que procuram nos dicionários, para encontrar o maior número de palavras. Os homens são animais, não sabem curtir o amor gostoso, quieto, tranqüilo, sem gritos, o amor que cai sobre a gente como a lua em noite de junho. Assim eram os versinhos no almanaque que a farmácia deu como brinde, no dia dos namorados. Tirou o disco da Bethânia, comprou um LP só por causa de uma música, Negue. Ouvia até o disco rachar, adorava aquela frase, a boca molhada ainda marcada pelo beijo seu. Boca marcada, corpo manchado com chupadas que deixam marcas pretas na pele. Coisas de amantes. Esse homem da carta deve saber muito. Um atleta sexual. Minha amiga Marjori falou de um artista da televisão. Podia ficar quantas horas quisesse na mulher. Tirava, punha, virava, repunha, revirava, inventava, as mulheres tresloucadas por ele. Onde Marjori achou estas besteiras, ela não conhece ninguém de tevê?

Interessa é que a gente assim se diverte. Se bem que se possa divertir, sem precisar se sujeitar a certas coisas. Dessas que a mulher se vê obrigada, para contentar o marido e ele não vá procurar outras. Que diabo, mulher tem que se impor! Que pensam que somos para nos utilizarem? Como se fôssemos aparelhos de barba, com gilete descartável. Um instrumento prático para o dia-a-dia, com hora certa! Como os homens conseguem fazer barba diariamente, na mesma hora? Nunca mudam. Todos os dias raspando, os gestos eternos. É a impressão que tenho quando entro no banheiro e vejo meu marido fazendo a barba. Há quinze anos, ele começa pelo lado direito, o esquerdo, deixa o queixo para o fim, apara o bigode. Rio muito quando olho o bigode. Não posso esquecer um dia que os pelinhos do bigode me rasparam, ele estava com a cabeça entre as minhas pernas, brincando. Vinha subindo, fechei as pernas, não vou deixar fazer porcarias deste tipo. Quem pensa que sou? Os homens experimentam, se a mulher deixa, vão dizer que sou da vida. Puta, dizem puta, mas é palavra que me desagrada. E o bigode faz cócegas, ri, ele achou que eu tinha gostado, quis tentar de novo, tive de ser franca, desagradável. Ele ficou mole, inteirinho, durante mais de duas semanas nada aconteceu. O que é um alívio para a mulher. Quando não acontece é feriado, férias. Por que os homens não tiram férias coletivas? Ia ser tão bom para as mulheres, nenhum incômodo, nada de estar se sujeitando. Na carta de anteontem ele comentava o tamanho de sua língua, que tem ponta afiada e uma velocidade de não sei quantas rotações por segundo. Esse homem tem senso de humor. É importante que uma pessoa brinque, saiba fazer rir. O que ele vai fazer com uma língua a tantas mil rotações? Emprestar ao dentista para obturar dentes? Outra coisa engraçada que a carta falou, só que esta é uma outra carta, chegou no mês passado, num papel azul bonito: queria me ver de meias pretas e ligas. Ridículo, mulher nua de pé no meio do quarto, com meias pretas e ligas. Nem pelada nem vestida. E se eu pedisse a ele que ficasse de meias e ligas? Arranjava uma daquelas ligas antigas, que meu avô usava e deixava o homem pelado com meias. Igual fazer amor de chinelos. Outro dia, estava vendo o programa do Sílvio Santos, no domingo. Acho o domingo muito chato, sem ter o que fazer, as crianças vão patinar, meu marido passa a manhã nos campos de várzeas, depois almoça, cochila, e vai fazer jockeyterapia. Ligo a televisão, porque o programa Sílvio Santos tem quadros muito engraçados. Como o dos casais que respondem perguntas, mostrando que se conhecem. O Sílvio Santos perguntou aos casais se havia alguma coisa que o homem tivesse tentado fazer e a mulher não topou. Dois responderam que elas topavam tudo. Dois disseram que não, que a mulher não aceitava sugestões, nem achava legal novidade. A que não topava era morena, rosto bonito, lábio cheio e dentes brancos, sorridente, tinha cara de quem topava tudo e era exatamente a que não. A mulher franzina, de cabelos escorridos, boca murcha, abriu os olhos desse tamanho e respondeu que não havia nada que ele quisesse que ela não fizesse e a cara dele mostrava que realmente estavam numa boa. Parece que iam sair do programa e se comer.

Como se pode ir a público e falar desse jeito, sem constrangimento, com a cara lavada, deixando todo mundo saber como somos, sem nenhum respeito? Há que se ter compostura. Ouvi esta palavra a vida inteira, e por isso levo uma vida decente, não tenho do que me envergonhar, posso me olhar no espelho, sou limpa por dentro e por fora. Talvez por isso me lave tanto, para me igualar, juro que conservo a mesma pureza de menina encantada com a vida. Aliás, a vida não me desiludiu em nada. Tive pequenos aborrecimentos e problemas, nunca grandes desilusões e nenhum fracasso. Posso me considerar realizada, portanto satisfeita, sem invejas, rancores. Sou uma das mulheres que as famílias admiram neste prédio. Uma casa confortável, bem decorada, qualquer uma destas revistas de onde tiro as idéias podia vir aqui e fotografar, não faria vergonha. Nossa, cinco e meia, se não voar, meu marido chega, o carteiro entrega o envelope a ele, vai ser um sururu. Prestem atenção, veja a audácia do sujo, me escrevendo, semana passada. (Disse que faz três meses que recebo as cartas? Se disse, me desculpem, ando transtornada com elas, não sei mais o que fazer de minha vida, penso que numa hora acabo me desquitando, indo embora, não suporto esta casa, o meu marido sempre na casa de massagens e na várzea, esses filhos com patins, skates, enchendo álbuns de figurinhas e comendo como loucos.) Semana passada o maluco me escreveu: Queria te ver no sururu, ia te pôr de pé no meio do salão e enfiar minha pica dura como pedra bem no meio da tua racha melada, te fodendo muito, fazendo você gritar quero mais, quero tudo, quero que todo mundo nesta sala me enterre o cacete.

Tive vontade de rasgar tal petulância, um pavor. Sem saber o que fazer, fiquei imobilizada, me deu uma paralisia, procurei imaginar que depois de estar em pé no meio da sala recebendo um homem dentro de mim, na frente de todos, não me sobraria muito na vida. Era me atirar no fogão e ligar o gás. Entrei em pânico quando senti que as pessoas poderiam me aplaudir, gritando bravo, bravo, bis, e sairiam dizendo para todo mundo: "sabe quem fode como ninguém? A rainha das fodas?" Eu. Seria a rainha, miss, me chamariam para todas as festas. Simplesmente para me ver fodendo, não pela amizade, carinho que possam ter por mim, mas porque eu satisfaria os caprichos e as fantasias deles. Situações horrendas, humilhantes, desprezíveis para mulher que tem um bom marido, filhos na escola, uma casa num prédio excelente, dois carros.

Apanho a carta, como quem não quer nada, olho distraidamente o destinatário, agora mudou o envelope, enfio no bolso, com naturalidade, e caminho até a rua, me dirijo para os lados do supermercado, trêmula, sem poder andar direito, perna toda molhada. Fico tão ansiosa, deve ser uma doença que me molho toda, o suco desce pelas pernas, tenho medo que escorra pelas canelas e vejam. Preciso voltar, desesperada para ler a carta. O que estará dizendo hoje? Comprei puropurê, tenho dezenas de latas de puropurê. Cada vez que desço para apanhar a carta, vou ao supermercado e apanho uma lata de puropurê. O gesto é automático, nem tenho imaginação de ir para outro lado. Por que não compro ervilhas? Todo mundo adora ervilhas em casa. Se meu marido entrar na despensa e enxergar esse carregamento de puropurê vai querer saber o que significa. E quem é que sabe?

É dele mesmo, o meu querido correspondente. Confesso, o meu pavor é me sentir apaixonada por este homem que escreve cruamente. Querer sumir, fugir com ele. Se aparecer não vou agüentar, basta ele tocar este telefone e dizer: "Venha, te espero no supermercado, perto da gôndola do puropurê." Desço correndo, nem faço as malas, nem deixo bilhete. Vamos embora, levando uma garrafa de champanhe, vamos para as festas que ele conhece. Fico louca, nem sei o que digo, tudo delírio, por favor não prestem atenção, nem liguem, não quero trepar com ninguém, adoro meu marido e o que ele faz é bom, gostoso, vou usar meias pretas e ligas para ele, vai gostar, penso que vai ficar louco, o pau endurecido querendo me penetrar. Corto o envelope com a tesoura, cuidadosamente. Amo estas cartas, necessito, se elas pararem vou morrer. Não consigo ler direito na primeira vez, perco tudo, as letras embaralham, somem, vejo o papel em branco. Ouça só o que ele me diz: Te virar de costas, abrir sua bundinha dura, o buraquinho rosa, cuspir no meu pau e te enfiar de uma vez só para ouvir você gritar. Não é coisa para mulher ler, não é coisa decente que se possa falar a uma mulher como eu. Vou mostrar as cartas ao meu marido, vamos à polícia, descobrir, ele tem de parar, acabo louca, acabo mentecapta, me atiro deste nono andar. Releio para ver se está realmente escrito isso, ou se imaginei. Escrito, com todas as palavras que não gosto: pau, bundinha. Tento outra vez, as palavras estão ali, queimando. Fico deitada, lendo, relendo, inquieta, ansiosa para que a carta desapareça, ela é uma visão, não existe e, no entanto, está em minhas mãos, escrita por alguém que não me considera, me humilha, me arrasa. Agora, escureceu totalmente, não acendo a luz, cochilo um pouco, acordo assustada. E se meu marido chega e me vê com a carta? Dobro, recoloco no envelope. Vou à despensa, jogo a carta na cesta de natal, quero tomar um banho. Hoje é sexta-feira, meu marido chega mais tarde, passa pelo clube para jogar squash. A casa fica tranqüila, peço à empregada que faça omelete, salada, o tempo inteiro é meu. Adoro as segundas, quartas e sextas, ninguém em casa, nunca sei onde estão as crianças, nem me interessa. Porque assim me deito na cama (adolescente, escrevia o meu diário deitada) e posso escrever outra carta. Colocando amanhã, ela me será entregue segunda. O carteiro das cinco traz. Começo a ficar ansiosa de manhã, esperando o momento dele chegar e imaginando o que vai ser de minha vida se parar de receber estas cartas.


O texto acima, publicado em "Os Melhores Contos de Ignácio de Loyola Brandão", seleção de Deonísio da Silva, Global Editora — São Paulo, 1997, foi eleito por Ítalo Moriconi e consta do livro "Os Cem Melhores Contos Brasileiros do Século", Editora Objetiva — Rio de Janeiro, 2000, pág. 471.






Os 100 Melhores Contos Brasileiros do Século
Por Ítalo Moriconi

1. Pai contra mãe (Machado de Assis)
2. O bebê de tarlatana rosa (João do Rio)
3. A nova Califórnia (Lima Barreto)
4. Dentro da noite (João do Rio)
5. A caolha (Júlia Lopes de Almeida)
6. O homem que sabia javanês (Lima Barreto)
7. Pílades e Orestes (Machado de Assis)
8. Contrabandista (João Simões Lopes Neto)
9. Negrinha (Monteiro Lobato)
10.Galinha cega (João Alphonsus)
11.Gaetaninho ( Alcântara Machado)
12.Baleia (Graciliano Ramos)
13.Uma senhora (Marques Rebelo)
14.Viagem aos seios de Duília (Aníbal Machado)
15.O peru de Natal (Mário de Andrade)
16.Nhola dos Anjos e a cheia do Corumbá (Bernardo Elis)
17.Presépio (Carlos Drummond de Andrade)
18.O vitral (Osman Lins)
19.Um cinturão (Graciliano Ramos)
20.O pirotécnico Zacarias (Murilo Rubião)
21.Gringuinho (Samuel Rawet)
22.O afogado (Rubem Braga)
23.Tangerine-Girl (Rachel de Queiroz)
24.Nossa amiga (Carlos Drummond de Andrade)
25.Um braço de mulher (Rubem Braga)
26.As mãos de meu filho (Erico Verissimo)
27.A moralista (Dinah Silveira de Queiroz)
28.Entre irmãos (José J. Veiga)
29.A partida (Osman Lins)
30.A força humana (Rubem Fonseca)
31.Amor (Clarice Lispector)
32.Gato gato gato (Otto Lara Resende)
33.As cores (Orígenes Lessa)
34.A máquina extraviada (José J. Veiga
35.O moço do saxofone (Lygia Fagundes Telles)
36.Feliz aniversário (Clarice Lispector)
37.O homem nu (Fernando Sabino)
38.O vampiro de Curitiba (Dalton Trevisan)
39.A mulher do vizinho (Fernando Sabino)
40.Uma galinha (Clarice Lispector)
41.Menina (Ivan Angelo)
42.A caçada (Lygia Fagundes Telles)
43.O burguês e o crime (Carlos Heitor Cony)
44.Uma vela para Dario (Dalton Trevisan)
45.Passeio noturno – Parte i e II (Rubem Fonseca)
46.A morte de D.J. em Paris (Roberto Drummond)
47.Aí pelas três da tarde (Raduan Nassar)
48.Felicidade clandestina (Clarice Lispector)
49.O elo partido (Otto Lara Resende)
50.A estrutura da bolha de sabão (Lygia Fagundes Telles)
51.O peixe de ouro (Haroldo Maranhão)
52.Gestalt (Hilda Hilst)
53.Feliz ano novo (Rubem Fonseca)
54.Correspondência completa (Ana Cristina Cesar)
55.Fazendo a barba (Luiz Vilela)
56.Sem enfeite nenhum (Adélia Prado)
57.A balada do falso Messias (Moacyr Scliar)
58.La Suzanita (Eric Nepomuceno)
59.Porque Lulu Bergantim não atravessou o Rubicon (José Cândido de Carvalho) -
60.A maior ponte do mundo (Domingos Pellegrini)
61.Crítica da razão pura (Wander Piroli)
62.A porca (Tânia Jamardo Faillace)
63.O arquivo (Victor Giudice)
64.Guardador (João Antônio)
65.O vampiro da Alameda Casabranca (Márcia Denser)
66.Um discurso sobre o método (Sérgio Santanna)
67.Alguma coisa urgentemente (João Gilberto Noll)
68.Idolatria (Sérgio Faraco)
69.Hell’s Angels (Márcia Denser)
70.Bar(Ivan Angelo)
71.Aqueles dois (Caio Fernando Abreu)
72.Intimidade (Edla Van Steen)
73.I love my husband (Nélida Pifion)
74.Toda Lana Turner tem seu Johnny Stompanato (Sonia Coutinho)
75.King Kong x Mona Lisa (Olga Savary)
76.Flor de cerrado (Maria Amélia Mello)
77.Obscenidades para uma dona-de-casa (Ignácio de Loyola Brandão)
78.O santo que não acreditava em Deus (João Ubaldo Ribeiro)
79.O japonês dos olhos redondos (Zulmira Ribeiro Tavares)
80.Vadico (Edilberto Coutinho)
81.Linda, uma história horrível (Caio Fernando Abreu)
82.Os mínimos carapinas do nada (Autran Dourado)
83.Conto (nãoconto) (Sérgio Santanna)
84.A Confraria dos Espadas (Rubem Fonseca)
85.Estranhos (Sérgio Santanna)
86.Nos olhos do intruso (Rubens Figueiredo)
87.O anti-Natal de 1951 (Carlos Sussekind)
88.Olho (Miriam Campello)
89.Zap (Moacyr Scliar)
90.Days of wine and roses (Silviano Santiago)
91.A nova dimensão do escritor Jeffrey Curtam (Marina Colasanti)
92.Jardins suspensos (Antonio Carlos Viana)
93.O misterioso homem-macaco (Valêncio Xavier)
94.Dois corpos que caem (João Silvério Trevisan)
95.Conto de verão n2 2: Bandeira Branca (Luis Fernando Verissimo)
96.Por um pé de feijão (Antônio Torres)
97.Viver outra vez (Márcio Barbosa)
98.Estão apenas ensaiando (Bernardo Carvalho)
99.O importado vermelho de Noé (André Santanna)
100. 15 Cenas de descobrimento de Brasis (Fernando Bonassi)








segunda-feira, agosto 08, 2011

RUY CÂMARA NAS BOOKSTORES DE 58 PAÍSES


O CAMINHO SE FAZ CAMINHANDO

CANTOS DE OUTONO, o Romance da Vida de Lautréamont, obra com a qual estreei no Brasil em 2004, está disponível nas BOOKSTORES de 58 países, dentre os quais merecem destaque:

Estados Unidos, Canadá, Reino Unido, Alemanha, Espanha, França, Itália, Índia, Japão, China, Dinamarca, Bulgária, Alemanha, Itália, Bulgária, Suécia, Austrália, Finlândia, Noruega, República de Malta, Nova Zelândia, Emirados Árabes, Bélgica, Bahrein, Suíça, Hong Kong, Indonésia, Quênia, Kuwait, Sri Lanka, Malásia, Holanda, Rússia, Arábia Saudita, Singapura,Tailândia, África do Sul e em mais 15 países da América Latina.

Indico os links abaixo para mais informações.
Ruy Câmara
www.ruycamara.com.br