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terça-feira, outubro 06, 2015

VOCÊ SÓ SE ENGANA SE QUISER, MAS NÃO POR FALTA DE AVISO!

Não adiantam as negociatas, nem a compra de consciências, nem troca-troca de ministros, nem as promessas lançadas aos ventos. Enquanto DILMA e o PT estiverem no poder, o Brasil não sairá das páginas policiais e não encontrará o caminho para superar a crise criada por esse governo perdulário e irresponsável.


Como se constata, a cada dia a crise se aprofunda um pouco mais, com o recrudescimento da atividade econômica, com os aumentos da inflação, do desemprego, dos juros, do custo de vida, e das altas progressivas do DÓLAR, sobretudo diante da queda nos preços das commodities e da expectativa de mais turbulências com o possível aumento dos juros nos Estados Unidos. 

Em agosto de 2015 a dívida bruta do setor público brasileiro alcançou R$ 3,74 trilhões, o
que representa 65,3% do PIB (a soma de tudo o que o país produz durante 1 ano).

Repito, o Brasil deve (três trilhões, setecentos e quarenta bilhões) e só dispõe de U$ 370 bilhões de reservas. Ou seja, o ROMBO da dívida líquida do setor público brasileiro foi de R$ 2,27 trilhões. Esse montante é impagável nos próximos 15 anos. 

Por que isso está ocorrendo? A resposta é simples. Corrupção endêmica, desvios sistêmicos e roubo continuados nos cofres da nação.

De quem é a culpa? Do governo petista, responsável único por diversas crises com alto poder de destruição da economia. Citarei apenas duas: a crise política, que é consequência da fadiga do PT e do desgaste da gestão; e a crise de credibilidade de DILMA, que inviabiliza qualquer proposta de reforma feita pelo governo. E o mais grave: essas duas crises comprometem seriamente a governabilidade e impedem a recuperação da economia a curto e médio prazos. 

O Banco Central torrou R$ 111,66 bilhões nos últimos 12 meses no programa de swaps cambiais, que dá proteção ao país contra a alta do dólar. Esse rombo equivale a 14 vezes o superávit primário previsto para 2015, que é de 8,7 bilhões de reais. O BC apostou e perdeu feio, tanto que o dólar continua nas alturas.


Um bom exemplo de como as reservas não ditam as regras é a Rússia, que tinha reservas abundantes de dólares e não conteve a desvalorização do rubro frente ao dólar. Dos US$ 560 bilhões em 2013, restam apenas US$ 350 bilhões. E mesmo assim o rublo despencou pela desconfiança dos investidores em função da invasão da Ucrânia e das consequentes sanções que sofreu em função da agressão.


Outro exemplo é a China, que tinha reservas acima de U$ 4 trilhões, queimou nos últimos 2 meses mais de U$ 500 bilhões (quase o dobro das reservas do Brasil) e não conseguiu estancar a alta do dólar. 

E o Brasil, com apenas US$ 370 bilhões de reservas, não tem cacife para enfrentar as apostas dos investidos e especuladores contra o BC. Na melhor das hipóteses, as intervenções do Tesouro apenas tornarão mais onerosas e mais arriscadas tais apostas. 


Mas como o mercado é sempre mais robusto do que as reservas, ao final sempre sairá vitorioso. Portanto, a falta de credibilidade de DILMA perante o POVO, perante o Congresso Nacional e perante os INVESTIDORES nacionais e estrangeiros, inviabiliza toda e qualquer tentativa de recuperação da economia nacional.

O Brasil foi até 2014 a 7ª maior economia do Mundo. Durante 10 meses de crise, perdeu duas posições no ranking, ficando na 9ª posição, atrás da Índia e da Itália.

Ou DILMA cai nos próximos meses, ou Brasil será condenado a conviver (por uma década perdida) com as mesmas dificuldades que enfrentam os cubanos, venezuelanos e argentinos. 

Ruy Câmara


domingo, junho 30, 2013

O Real, a Rua e o Desgoverno

Edmar Bacha


O Real completa 19 anos em meio a enormes manifestações populares nas ruas brasileiras. O estopim para os protestos foram os reajustes em junho dos preços das passagens dos ônibus no Rio e em São Paulo, normalmente feitos em janeiro ou fevereiro. 

O objetivo do governo federal com o adiamento dos reajustes foi tentar impedir que a alta dos preços superasse no início do ano o teto de 6,5% da meta de inflação. Apesar de ter vindo acompanhado de controles do governo sobre os preços da energia e da gasolina, de nada valeu aquele adiamento, pois o teto da meta de inflação estourou de qualquer jeito em março. 

Durante a preparação do Plano Real, há 19 anos, eram intensas as pressões sobre o ministro da Fazenda e sua equipe para congelar os preços quando da introdução da nova moeda. A equipe econômica resistiu com sucesso a essas pressões arguindo com o fracasso do Plano Cruzado, que foi baseado no congelamento de preços e salários. O real pôde então ser criado como uma moeda na qual os preços refletiam livremente seus custos e não a vontade dos governantes de mantê-los artificialmente baixos. 

O atual governo parece haver esquecido essa lição, ao tentar inutilmente reprimir a inflação com controles de preços e desonerações fiscais. O ministro da Fazenda inventou uma tal de "nova matriz macroeconômica" que supostamente permitiria fazer a quadratura do círculo, evitando que os preços subissem apesar da expansão descontrolada do crédito e dos gastos do governo. 

A presidente da República, por sua vez, somente permitiu que o Banco Central aumentasse tardiamente os juros quando as pesquisas de opinião pública mostraram sua popularidade em rápido declínio por causa da inflação alta, colocando em risco sua reeleição. 

A repressão pelo governo dos preços administrados vem minando a saúde financeira da Petrobras, da Eletrobras e das demais concessionárias de serviços públicos. Apesar disso, o povo nas ruas pede "passe livre" e isso não somente para os transportes públicos. Por enquanto, a resposta dos governos foi cancelar os reajustes dos preços dos ônibus e metrôs. 

Mas de sua tribuna na presidência do Senado, Renan Calheiros apresenta um projeto de lei para dar, Brasil afora, passe livre nos ônibus para os estudantes. A demagogia ameaça correr solta em Brasília. Sempre antenados, os investidores tratam de se livrar das ações das concessionárias de serviços públicos, ao antecipar que doravante será difícil manter os reajustes de preços programados. 

Nesse ambiente conturbado, cabe perguntar o que acontecerá com os leilões de concessão de rodovias, ferrovias, portos e aeroportos programados para o fim do ano. Será que grupos empresariais sérios se candidatarão a adquirir concessões que já vêm com o rótulo da "modicidade tarifária", quando a demanda das ruas é por tarifas menores do que as atuais? 

Esse encolhimento dos investidores ajuda o dólar a disparar e se agrega à alta dos juros para piorar as perspectivas da economia. A consequência provável é que os pibinhos que se vêm se manifestando desde 2011 continuarão a mostrar sua cara feia neste e no próximo ano. Não é só a cara, o nome também é feio: trata-se da estagflação, uma combinação de estagnação com inflação. 

O governo colhe os frutos de se ter comportado como o proverbial aprendiz de feiticeiro. Brincou com a inflação que tanto custou a ser contida há 19 anos, ao promover uma expansão descontrolada do crédito dos bancos públicos e dos gastos governamentais, ao postergar os reajustes dos preços controlados e ao não deixar o Banco Central atuar a tempo para conter a alta dos preços. 

Agora terá que lidar não só com as novas demandas populares mas também com a estagflação que ronda a economia. Resta-nos torcer para que o despertar do Brasil que se manifesta nas ruas de todo o país produza tempos melhores para todos nós.

Por Edmar Bacha - O Globo 29/06/2013