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quarta-feira, abril 18, 2018

Por que o nazismo era socialismo e por que o socialismo é totalitário?




A caracterização da Alemanha Nazista como um estado socialista foi uma das grandes  contribuições de Ludwig von Mises. Neste artigo pretendo demonstrar que a Alemanha Nazista era um estado socialista, e não capitalista. E mostrar por que o socialismo, compreendido como um sistema econômico baseado na propriedade estatal dos meios de produção, necessariamente requer uma ditadura totalitária.

Quando nos recordamos de que a palavra "Nazi" era uma abreviatura de "der Nationalsozialistische Deutsche Arbeiters Partei" — Partido Nacional Socialista dos Trabalhadores Alemães —, a caracterização de Mises pode não parecer tão notável. O que se poderia esperar do sistema econômico de um país comandado por um partido com "socialista" no nome além de ser socialista?

Não obstante, além de Mises e seus leitores, praticamente ninguém pensa na Alemanha Nazista como um estado socialista. É muito mais comum se acreditar que ela representou uma forma de capitalismo, aquilo que comunistas e marxistas em geral têm alegado.

A base do argumento de que a Alemanha Nazista era capitalista é o fato de que a maioria das indústrias foi aparentemente deixada em mãos privadas.

O que Mises identificou foi que a propriedade privada dos meios de produção existia apenas nominalmente sob o regime Nazista, e que o verdadeiro conteúdo da propriedade dos meios de produção residia no governo alemão. Pois era o governo alemão e não o proprietário privado nominal quem decidia o que deveria ser produzido, em qual quantidade, por quais métodos, e a quem seria distribuído, bem como quais preços seriam cobrados e quais salários seriam pagos, e quais dividendos ou outras rendas seria permitido ao proprietário privado nominal receber. 

A posição do que se alega terem sido proprietários privados era reduzida essencialmente à função de pensionistas do governo, como Mises demonstrou.

A propriedade governamental "de fato" dos meios de produção, como Mises definiu, era uma consequência lógica de princípios coletivistas fundamentais adotados pelos nazistas como o de que o bem comum vem antes do bem privado e de que o indivíduo existe como meio para os fins do estado. Se o indivíduo é um meio para os fins do estado, então, é claro, também o é sua propriedade. Do mesmo modo em que ele pertence ao estado, sua propriedade também pertence.

Mas o que especificamente estabeleceu o socialismo "de fato" na Alemanha Nazista foi a introdução do controle de preços e salários em 1936. Tais controles foram impostos como resposta ao aumento na quantidade de dinheiro na economia praticada pelo regime nazista desde a época da sua chegada ao poder, no início de 1933. O governo nazista aumentou a quantidade de dinheiro no mercado como meio de financiar o vasto aumento nos gastos governamentais devido a seus programas de infraestrutura, subsídios e rearmamento. O controle de preços e salários foi imposto em resposta ao aumento de preços resultante desta inflação.

O efeito causado pela combinação entre inflação e controle de preços foi a escassez, ou seja, a situação na qual a quantidade de bens que as pessoas tentam comprar excede a quantidade disponível para a venda.

As escassezes, por sua vez, resultam em caos econômico. Não se trata apenas da situação em que consumidores que chegam mais cedo estão em posição de adquirir todo o estoque de bens, deixando o consumidor que chega mais tarde sem nada — uma situação a que os governos tipicamente respondem impondo racionamentos. Escassezes resultam em caos por todo o sistema econômico. Elas tornam aleatória a distribuição de suprimentos entre as regiões geográficas, a alocação de um fator de produção dentre seus diferentes produtos, a alocação de trabalho e capital dentre os diferentes ramos do sistema econômico.

Face à combinação de controle de preços e escassezes, o efeito da diminuição na oferta de um item não é, como seria em um mercado livre, o aumento do preço e da lucratividade, operando o fim da diminuição da oferta, ou a reversão da diminuição se esta tiver ido longe demais. O controle de preços proíbe o aumento do preço e da lucratividade. Ao mesmo tempo, as escassezes causadas pelo controle de preços impedem que aumentos na oferta reduzam o preço e a lucratividade de um bem. Quando há uma escassez, o efeito de um aumento na oferta é apenas a redução da severidade desta escassez. Apenas quando a escassez é totalmente eliminada é que um aumento na oferta necessita de uma diminuição no preço, trazendo consigo uma diminuição na lucratividade.

Como resultado, a combinação de controle de preços e escassezes torna possíveis movimentos aleatórios de oferta sem qualquer efeito no preço ou na lucratividade. Nesta situação, a produção de bens dos mais triviais e desimportantes, como bichinhos de pelúcia, pode ser expandida à custa da produção dos bens importantes e necessários, como medicamentos, sem efeito sobre o preço ou lucratividade de nenhum dos bens. O controle de preços impediria que a produção de remédios se tornasse mais lucrativa, conforme a sua oferta fosse diminuindo, enquanto a escassez mesmo de bichinhos de pelúcia impediria que sua produção se tornasse menos lucrativa conforme sua oferta fosse aumentando.

Como Mises demonstrou, para lidar com os efeitos indesejados decorrentes do controle de preços, o governo deve abolir o controle de preços ou ampliar tais medidas, precisamente, o controle sobre o que é produzido, em qual quantidade, por meio de quais métodos, e a quem é distribuído, ao qual me referi anteriormente. A combinação de controle de preços com estas medidas ampliadas constituem a socialização "de fato" do sistema econômico. Pois significa que o governo exerce todos os poderes substantivos de propriedade.

Este foi o socialismo instituído pelos nazistas. Mises o chama de modelo alemão ou nazista de socialismo, em contraste ao mais óbvio socialismo dos soviéticos, ao qual ele chama de modelo russo ou bolchevique de socialismo.

O socialismo, é claro, não acaba com o caos causado pela destruição do sistema de preços. Ele apenas perpetua esse caos. E se introduzido sem a existência prévia de controle de preços, seu efeito é inaugurar este mesmo caos. Isto porque o socialismo não é um sistema econômico verdadeiramente positivo. É meramente a negação do capitalismo e seu sistema de preços. E como tal, a natureza essencial do socialismo é a mesma do caos econômico resultante da destruição do sistema de preços por meio do controle de preços e salários. 

(Quero demonstrar que a imposição de cotas de produção no estilo bolchevique de socialismo, com a presença de incentivos por todos os lados para que estas sejam excedidas, é uma fórmula certa para a escassez universal da mesma forma como ocorre quando se controla preços e salários.)

No máximo, o socialismo meramente muda a direção do caos. O controle do governo sobre a produção pode tornar possível uma maior produção de alguns bens de especial importância para si mesmo, mas faz isso à custa de uma devastação de todo o resto do sistema econômico. Isto porque o governo não tem como saber dos efeitos no resto do sistema econômico da sua garantia da produção dos bens aos quais atribui especial importância.

Os requisitos para a manutenção do sistema de controle de preços e salários trazem à luz a natureza totalitária do socialismo — mais obviamente, é claro, na variante alemã ou nazista de socialismo, mas também no estilo soviético.

Podemos começar com o fato de que o autointeresse financeiro dos vendedores operando sob o controle de preços seja de contornar tais controles e aumentar seus preços. Compradores, antes impossibilitados de obter os bens, estão dispostos a — na verdade, ansiosos para — pagar estes preços mais altos como meio de garantir os bens por eles desejados. Nestas circunstâncias, o que pode impedir o aumento dos preços e o desenvolvimento de um imenso mercado negro?

A resposta é a combinação de penas severas com uma grande probabilidade de ser pego e, então, realmente punido. É provável que meras multas não gerem a dissuasão necessária. Elas serão tidas como simplesmente um custo adicional. Se o governo deseja realmente fazer valer o controle de preços, é necessário que imponha penalidades comparadas àquelas dos piores crimes.

Mas a mera existência de tais penas não é o bastante. O governo deve tornar realmente perigosa a condução de transações no mercado negro. Deve fazer com que as pessoas temam que agindo desta forma possam, de alguma maneira, ser descobertas pela polícia, acabando na cadeia. Para criar tal temor, o governo deve criar um exército de espiões e informantes secretos. Por exemplo, o governo deve fazer com que o dono da loja e o seu cliente tenham medo de que, caso venham a se engajar em uma transação no mercado negro, algum outro cliente na loja vá lhe informar.

Devido à privacidade e sigilo em que muitas transações no mercado negro ocorrem, o governo deve ainda fazer com que qualquer participante de tais transações tenha medo de que a outra parte possa ser um agente da polícia tentando apanhá-lo. O governo deve fazer com que as pessoas temam até mesmo seus parceiros de longa data, amigos e parentes, pois até eles podem ser informantes.

E, finalmente, para obter condenações, o governo deve colocar a decisão sobre a inocência ou culpa em casos de transações no mercado negro nas mãos de um tribunal administrativo ou seus agentes de polícia presentes. Não pode contar com julgamentos por júris, devido à dificuldade de se encontrar número suficiente de jurados dispostos a condenar a vários anos de cadeia um homem cujo crime foi vender alguns quilos de carne ou um par de sapatos acima do preço máximo fixado.

Em suma, a partir daí o requisito apenas para a aplicação das regulamentações de controle de preços é a adoção de características essenciais de um estado totalitário, nominalmente o estabelecimento de uma categoria de "crimes econômicos", em que a pacífica busca pelo autointeresse material é tratada como uma ofensa criminosa grave. Para tanto é necessário o estabelecimento de um aparato policial totalitário, repleto de espiões e informantes, com o poder de prisões arbitrárias.

Claramente, a imposição e a fiscalização do controle de preços requerem um governo similar à Alemanha de Hitler ou à Rússia de Stalin, no qual praticamente qualquer pessoa pode ser um espião da polícia e no qual uma polícia secreta existe e tem o poder de prender pessoas. Se o governo não está disposto a ir tão longe, então, nesta medida, o controle de preços se prova inaplicável e simplesmente entra em colapso. Nesse caso, o mercado negro assume maiores proporções. 

(Observação: não estou sugerindo que o controle de preços foi a causa do reino de terror instituído pelos nazistas. Estes iniciaram seu reino de terror bem antes da decretação do controle de preços. Como resultado, o controle de preços foi decretado em um ambiente feito para a sua aplicação.)

As atividades do mercado negro exigem o cometimento de outros crimes. Sob o socialismo "de fato", a produção e a venda de bens no mercado negro exige o desafio às regulamentações governamentais no que diz respeito à produção e à distribuição, bem como o desafio ao controle de preços. Por exemplo, o governo pretende que os bens que são vendidos no mercado negro sejam distribuídos de acordo com seu planejamento, e não de acordo com o do mercado negro. O governo pretende, igualmente, que os fatores de produção usados para se produzir aqueles bens sejam utilizados de acordo com o seu planejamento, e não com o propósito de suprir o mercado negro.

Sobre um sistema socialista "de direito", como o que existia na Rússia soviética, no qual o ordenamento jurídico do país aberta e explicitamente tornava o governo o proprietário dos meios de produção, toda a atividade do mercado negro, necessariamente, exige a apropriação indébita ou o roubo da propriedade estatal. Por exemplo, considerava-se que os trabalhadores e gerentes de fábricas na Rússia soviética que tiravam produtos destas para vender no mercado negro estavam roubando matéria-prima fornecida pelo estado.

Além disso, em qualquer tipo de estado socialista — nazista ou comunista —, o plano econômico do governo é parte da lei suprema do país. Temos uma boa ideia de quão caótico é o chamado processo de planejamento do socialismo. O distúrbio adicional causado pelo desvio, para o mercado negro, de suprimentos de produção e outros bens é algo que o estado socialista toma como um ato de sabotagem ao planejamento econômico nacional. E sabotagem é como o ordenamento jurídico dos estados socialistas se refere a isto. Em concordância com este fato, atividades de mercado negro são, com frequência, punidas com pena de morte.

Um fato fundamental que explica o reino de terror generalizado encontrado sob o socialismo é o incrível dilema em que o estado socialista se coloca em relação à massa de seus cidadãos. Por um lado, o estado assume total responsabilidade pelo bem-estar econômico individual. O estilo de socialismo russo ou bolchevique declara abertamente esta responsabilidade — esta é a fonte principal do seu apelo popular. Por outro lado, o estado socialista desempenha essa função de maneira desastrosa, tornando a vida do indivíduo um pesadelo.

Todos os dias de sua vida, o cidadão de um estado socialista tem de perder tempo em infindáveis filas de espera. Para ele, os problemas enfrentados pelos americanos com a escassez de gasolina nos anos 1970 são normais; só que ele não enfrenta este problema em relação à gasolina — pois ele não tem um carro e nem a esperança de ter — mas sim em relação a itens de vestuários, verduras, frutas, e até mesmo pão. 

Pior ainda: ele é forçado a trabalhar em um emprego que não foi por ele escolhido e que, por isso, deve odiar. (Já que sob escassezes, o governo acaba por decidir a alocação de trabalho da mesma maneira que faz com a alocação de fatores de produção materiais.) E ele vive em uma situação de inacreditável superlotação, com quase nenhuma chance de privacidade. Frente à escassez habitacional, pessoas estranhas são designados pelo governo a morarem juntas; famílias são obrigadas a compartilhar apartamentos. Um sistema de passaportes e vistos internos é adotado a fim de limitar a severidade da escassez habitacional em áreas mais desejáveis do país. Expondo suavemente, uma pessoa forçada a viver em tais condições deve ferver de ressentimento e hostilidade.

Contra quem seria lógico que os cidadãos de um estado socialista dirigissem seu ressentimento e hostilidade se não o próprio estado socialista? Contra o mesmo estado socialista que proclamou sua responsabilidade pela vida deles, prometeu uma vida de bênção, e que é responsável por proporcionar-lhes uma vida de inferno. De fato, os dirigentes de um estado socialista vivem um dilema no qual diariamente encorajam o povo a acreditar que o socialismo é um sistema perfeito em que maus resultados só podem ser fruto do trabalho de pessoas más. Se isso fosse verdade, quem poderiam ser estas pessoas más senão os próprios líderes, que não apenas tornaram a vida um inferno, mas perverteram a este ponto um sistema supostamente perfeito?

A isso se segue que os dirigentes de um estado socialista devem temer seu povo. Pela lógica das suas ações e ensinamentos, o fervilhante e borbulhante ressentimento do povo deveria jorrar e engoli-los numa orgia de vingança sangrenta. Os dirigentes sentem isso, ainda que não admitam abertamente; e, portanto, a sua maior preocupação é sempre manter fechada a tampa da cidadania.

Consequentemente, é correto, mas bastante inadequado, dizer apenas que "o socialismo carece de liberdade de imprensa e expressão." Carece, é claro, destas liberdades. Se o governo é dono de todos os jornais e gráficas, se ele decide para quais propósitos a prensa e o papel devem ser disponibilizados, então obviamente nada que o governo não desejar poderá ser impresso. Se a ele pertencem todos os salões de assembléias e encontros, nenhum pronunciamento público ou palestra que o governo não queira não poderá ser feita. Mas o socialismo vai muito além da mera falta de liberdade de imprensa e de expressão.

Um governo socialista aniquila totalmente estas liberdades. Transforma a imprensa e todo foro público em veículos de propaganda histérica em prol de si mesmo, e pratica cruéis perseguições a todo aquele que ouse desviar-se uma polegada da linha do partido oficial.

A razão para isto é o medo que o dirigente socialista tem do povo. Para se proteger, eles devem ordenar que o ministério da propaganda e a polícia secreta façam de tudo para reverter este medo. O primeiro deve tentar desviar constantemente a atenção do povo quanto à responsabilidade do socialismo, e dos dirigentes socialistas, em relação à miséria do povo. O outro deve desestimular e silenciar qualquer pessoa que possa, mesmo que remotamente, sugerir a responsabilidade do socialismo ou de seus dirigentes em relação à miséria do povo — ou seja, deve desestimular qualquer um que comece a mostrar sinais de estar pensando por si mesmo. 

É por causa do terror dos dirigentes, e da sua necessidade desesperada de encontrar bodes-expiatórios para as falhas do socialismo, que a imprensa de um país socialista está sempre cheia de histórias sobre conspirações e sabotagens estrangeiras, e sobre corrupção e mau gerenciamento da parte de oficiais subordinados, e por que, periodicamente, é necessário desmascarar conspirações domésticas e sacrificar oficiais superiores e facções inteiras do partido em gigantescos expurgos.

E é por causa do seu terror, e da sua necessidade desesperada de esmagar qualquer suspiro de oposição em potencial, que os dirigentes do socialismo não ousam permitir nem mesmo atividades puramente culturais que não estejam sob o controle do estado. Pois se o povo se reúne para uma amostra de arte ou um sarau de literário que não seja controlado pelo estado, os dirigentes devem temer a disseminação de idéias perigosas. Quaisquer idéias não-autorizadas são idéias perigosas, pois podem levar o povo a pensar por si mesmo e, a partir daí, começar a pensar sobre a natureza do socialismo e de seus dirigentes. Estes devem temer a reunião espontânea de qualquer punhado de pessoas em uma sala, e usar a polícia secreta e seu aparato de espiões, informantes, e mesmo o terror para impedir tais encontros ou ter certeza de que seu conteúdo é inteiramente inofensivo do ponto de vista do estado.

O socialismo não pode ser mantido por muito tempo, exceto por meio do terror. Assim que o terror é relaxado, ressentimento e hostilidade logicamente começam a jorrar contra seus dirigentes. O palco está montado, então, para uma revolução ou uma guerra civil. De fato, na ausência de terror, ou, mais corretamente, de um grau suficiente de terror, o socialismo seria caracterizado por uma infindável série de revoluções e guerras civis, conforme cada novo grupo dirigente se mostrasse tão incapaz de fazer o socialismo funcionar quanto foram seus predecessores. 

A inescapável conclusão a ser traçada é a de que o terror experimentado nos países socialistas não foi simplesmente culpa de homens maus, como Stalin, mas sim algo que brota da natureza do sistema socialista. Stalin vem à frente porque sua incomum perspicácia e disposição ao uso do terror foram as características específicas mais necessárias para um líder socialista se manter no poder. Ele ascendeu ao topo por meio de um processo de seleção natural socialista: a seleção do pior.

Por fim, é necessário antecipar um possível mal-entendido em relação à minha tese de que o socialismo é totalitário por natureza. Diz respeito aos países supostamente socialistas dirigidos por social-democratas, como a Suécia e outros países escandinavos, que claramente não são ditaduras totalitárias.

Neste caso, é necessário que se entenda que não sendo estes países totalitários, não são também socialistas. Os partidos que os governam podem até sustentar o socialismo como sua filosofia e seu fim último, mas socialismo não é o que eles implementaram como seu sistema econômico. Na verdade, o sistema econômico vigente em tais países é a economia de mercado obstruída, como Mises definiu. Ainda que seja mais obstruído do que o nosso em aspectos importantes, seu sistema econômico é essencialmente similar ao nosso, no qual a força motora característica da produção e da atividade econômica não é o governo, mas sim a iniciativa privada motivada pela perspectiva de lucro.

A razão pela qual social-democratas não estabelecem o socialismo quando estão no poder, é que eles não estão dispostos a fazer o que seria necessário. O estabelecimento do socialismo como um sistema econômico requer um ato maciço de roubo — os meios de produção devem ser expropriados de seus donos e tomados pelo estado. É virtualmente certo que tais expropriações provoquem grande resistência por parte dos proprietários, resistência que só pode ser vencida pelo uso de força bruta.

Os comunistas estavam e estão dispostos a usar esta força, como evidenciado na União Soviética. Seu caráter é o dos ladrões armados preparados para matar caso isso seja necessário para dar cabo dos seus planos. O caráter dos social-democratas, em contraste, é mais próximo ao dos batedores de carteira: eles podem até falar em coisas grandiosas, mas não estão dispostos a praticar a matança que seria necessária; e desistem ao menor sinal de resistência séria.

Já os nazistas, em geral não tiveram que matar para expropriar a propriedade dos alemães, fora os judeus. Isto porque, como vimos, eles estabeleceram o socialismo discretamente, por meio do controle de preços, que serviu para manter a aparência de propriedade privada. Os proprietários eram, então, privados da sua propriedade sem saber e, portanto, sem sentir a necessidade de defendê-la pela força.

Creio ter demonstrado que o socialismo — o socialismo de verdade — é totalitário pela sua própria natureza.

_______________

George Reisman é Ph.D e autor de Capitalism: A Treatise on Economics. (Uma réplica em PDF do livro completo pode ser baixada para o disco rígido do leitor se ele simplesmente clicar no título do livro e salvar o arquivo). Ele é professor emérito da economia da Pepperdine University.

quinta-feira, novembro 17, 2016

OS ABUTRES PATROCINADOS PELA ORCRIM ESTÃO DE VOLTA ÀS REDES SOCIAIS

Em petistas, comunistas e socialistas não se deve confiar jamais. Esses parasitas do Estado e hospedeiros da sociedade, quando percebem que não têm espaços para expressar as suas patologias ideológicas, se omitem, se escondem e se camuflam de todas as formas, mantendo-se aparentemente ausentes dos debates presenciais e nos grupos sociais. 

Tal como fazem os abutres de bicos e penas, eles passam o tempo que for preciso espreitando um animal enfraquecido e aguardando o momento propício para enfiar suas garras e picos cortantes na carcaça morta. E quando menos se espera, eles já formaram um bando faminto e capaz de devorar tudo que estiver podre e ao alcance. 

PERGUNTO: Alguém percebeu a quantidade de petistas e vigaristas da esquerda (todos eles travestidos de defensores da Lava Jato e da democracia) que voltaram com novas cores e de outras fomas a opinar nas redes sociais, notadamente no Facebook e no Twiter? 

Desde o impeachment de Dilma e o consequente banimento da organização criminosa do poder, não se via tantos petistas comentando postagens e atacando nas redes sociais o governo que eles mesmos elegeram e agora chamavam de golpista. 

E aqui cabe uma pergunta: o que motivou a volta desses abutres da esquerda para as redes sociais? Vamos, reflitam um pouco sobre isso!

Os abutres só estão retornando porque perceberam que muitos dos que até ontem clamavam nas ruas pelo banimento de Lula, de Dilma e do PT, caíram na cilada da pressa e da revolta instantânea, e passaram a atacar de forma virulenta o governo Temer, como se Temer fosse o responsável direto pelo desmantelo da economia do nosso país. 

Ora, o Brasil inteiro sabe que a louca, Dilma, jamais permitiu interferências do vice no seu governo. Sabe que ela maquiou as contas para encobrir seus crimes de responsabilidade fiscal, tanto que, até mesmo os órgãos de fiscalização e a sociedade não sabiam das fraudes contábeis que foram desmascaradas pelo TCU. Até mesmo Lula e a cambada petista se queixaram da forma centralizadora com que a ANTA governava o país, levando-o ao precipício. 

Mas, como faz parte da má-índole desses cretinos da esquerda, para cada ato criminoso cometido é necessário que haja sempre um culpado externo a ser responsabilizado, desde que não sejam eles próprios os verdadeiros culpados. 

Após refletir com a meditativa exatidão dos problemas nacionais e sobre os riscos que institucionais que comprometem as finanças do país, volto a alertá-los sobre o desatino de entrarmos no jogo sujo dessa esquerda fajuta e lacaia, afinal, quando atacamos o presidente Temer, estamos na verdade fazendo o mesmo papel da bancada da chupeta no Congresso Nacional, aquela conhecida bancada de pilantras e vigaristas que deseja a todo custo ver o presidente Temer no inferno e atenta e sabota a cada instante para que nada no país dê certo. 

Lembremo-nos o que essa canalha fez para atrapalhar o exitoso governo do Itamar Franco, o vice que assumiu na vacância de Collor de Melo. Mas foi justamente no governo Itamar que aconteceram as grandes reformas que tiraram o pais da crise, viabilizando o plano Real e uma centena de medidas saneadoras da economia.

É fato incontestável que, quem elegeu Temer foram os petistas, hoje seus inimigos e não nós. Apesar disso, reafirmo com plena convicção: o que interessa ao bando petista não interessa ao Brasil e muito menos a nós brasileiros. 

Se me fosse permitido dar um conselho ao povo brasileiro, eu diria: ninguém conserta os desmantelos de uma nação como o Brasil em curto prazo. Não há milagres nem façanhas em matéria de economia-política. Portanto, vamos dar um tempo para que a Lava Jato alcance todos os criminosos (não escapará nenhum); e vamos apoiar as com responsabilidade as reformas que estão em curso (PEC dos gastos, reforma política, da previdência e trabalhista) e até 2018 veremos, com certeza, a economia do nosso país nos trilhos. Isso é o que verdadeiramente nos interessa. 

                                                  Ruy Câmara é escritor e sociólogo 

http://blogdoescritorruycmara.blogspot.com.br/2016/11/os-abutres-patrocinados-pela-orcrim.html

quinta-feira, outubro 22, 2015

QUEM NÃO PODE PAGAR O QUE DEVE, NÃO PODE CONTINUAR GASTANDO.

INSISTIR NESSA PRÁTICA É ESTELIONATO

Não há nenhuma nação do planeta que tenha feito o seu orçamento prevendo déficit. Na pior das hipóteses as contas (receitas x despesas) empatam ou resultam em superávit.

Há seis meses a economia de R$ 66 bilhões prometida por DILMA para este ano evaporou. Sem saber o que fazer, há dois meses ela enviou para o Congresso Nacional o orçamento de 2016 com um déficit (rombo) de R$ 30,5 bilhões. 

Ocorre que o rombo real é bem maior e hoje (21 de outubro de 2014) já ultrapassa R$ 55 bilhões. E se o governo decidir pagar até dezembro deste ano o que deve (das pedaladas fiscais) ao BNDES, Banco do Brasil, Caixa Econômica e FGTS, o rombo ultrapassará a casa dos R$ 80 bilhões.

Levy e Dilma insistem na criação da famigerada CPMF e no aumento dos impostos como única alternativa para zerar as contas. Ora, não é preciso ser doutor em economia para entender que, mesmo com a CPMF e com o aumento da carga tributária, a CRISE produzida por esse desgoverno irresponsável, inconsequente, mentiroso e burro se acentuará ainda mais e se prolongará pelo tempo em que DILMA permanecer no poder.

Por que o governo DILMA é incapaz de retirar o país da crise? A resposta é simples: porque seu desgoverno (refém de Lula e do PT) não para de gastar; nem de se endividar e nem de mentir para o povo. Ademais, com a economia em declínio, a tendência natural é de redução progressiva das receitas e, consequentemente, aumento progressivo do déficit primário. O problema, de novo, não é a crise ou o ministro Levy. O problema é a presidente, que mentiu, mentiu e mentiu até perder completamente a minguada credibilidade que restava.

A solução definitiva da crise não passa por aumentos de impostos e sim por corte linear nos gastos e algumas privatizações. Se DILMA não fosse refém de LULA e do PT, bastaria suspender por 12 meses os gatos com 2 programas: Bolsa Família e com o Benefício de Prestação Continuada da Assistência Social. 

O montante das duas rubricas é de R$ 62,2 bilhões, somados com pelo menos R$ 28 bilhões de privatizações, a partir de abril de 2016 as contas públicas estariam equilibradas; a economia brasileira retomaria a curva de crescimento, o dólar retornaria ao patamar de R$ 2,90 e ao final de 2016 a crise estaria completamente superada, isso sem punir o cidadão contribuinte. 

Essa é a receita mais eficiente e racional para superar a CRISE econômica em apenas 12 meses.

terça-feira, outubro 06, 2015

VOCÊ SÓ SE ENGANA SE QUISER, MAS NÃO POR FALTA DE AVISO!

Não adiantam as negociatas, nem a compra de consciências, nem troca-troca de ministros, nem as promessas lançadas aos ventos. Enquanto DILMA e o PT estiverem no poder, o Brasil não sairá das páginas policiais e não encontrará o caminho para superar a crise criada por esse governo perdulário e irresponsável.


Como se constata, a cada dia a crise se aprofunda um pouco mais, com o recrudescimento da atividade econômica, com os aumentos da inflação, do desemprego, dos juros, do custo de vida, e das altas progressivas do DÓLAR, sobretudo diante da queda nos preços das commodities e da expectativa de mais turbulências com o possível aumento dos juros nos Estados Unidos. 

Em agosto de 2015 a dívida bruta do setor público brasileiro alcançou R$ 3,74 trilhões, o
que representa 65,3% do PIB (a soma de tudo o que o país produz durante 1 ano).

Repito, o Brasil deve (três trilhões, setecentos e quarenta bilhões) e só dispõe de U$ 370 bilhões de reservas. Ou seja, o ROMBO da dívida líquida do setor público brasileiro foi de R$ 2,27 trilhões. Esse montante é impagável nos próximos 15 anos. 

Por que isso está ocorrendo? A resposta é simples. Corrupção endêmica, desvios sistêmicos e roubo continuados nos cofres da nação.

De quem é a culpa? Do governo petista, responsável único por diversas crises com alto poder de destruição da economia. Citarei apenas duas: a crise política, que é consequência da fadiga do PT e do desgaste da gestão; e a crise de credibilidade de DILMA, que inviabiliza qualquer proposta de reforma feita pelo governo. E o mais grave: essas duas crises comprometem seriamente a governabilidade e impedem a recuperação da economia a curto e médio prazos. 

O Banco Central torrou R$ 111,66 bilhões nos últimos 12 meses no programa de swaps cambiais, que dá proteção ao país contra a alta do dólar. Esse rombo equivale a 14 vezes o superávit primário previsto para 2015, que é de 8,7 bilhões de reais. O BC apostou e perdeu feio, tanto que o dólar continua nas alturas.


Um bom exemplo de como as reservas não ditam as regras é a Rússia, que tinha reservas abundantes de dólares e não conteve a desvalorização do rubro frente ao dólar. Dos US$ 560 bilhões em 2013, restam apenas US$ 350 bilhões. E mesmo assim o rublo despencou pela desconfiança dos investidores em função da invasão da Ucrânia e das consequentes sanções que sofreu em função da agressão.


Outro exemplo é a China, que tinha reservas acima de U$ 4 trilhões, queimou nos últimos 2 meses mais de U$ 500 bilhões (quase o dobro das reservas do Brasil) e não conseguiu estancar a alta do dólar. 

E o Brasil, com apenas US$ 370 bilhões de reservas, não tem cacife para enfrentar as apostas dos investidos e especuladores contra o BC. Na melhor das hipóteses, as intervenções do Tesouro apenas tornarão mais onerosas e mais arriscadas tais apostas. 


Mas como o mercado é sempre mais robusto do que as reservas, ao final sempre sairá vitorioso. Portanto, a falta de credibilidade de DILMA perante o POVO, perante o Congresso Nacional e perante os INVESTIDORES nacionais e estrangeiros, inviabiliza toda e qualquer tentativa de recuperação da economia nacional.

O Brasil foi até 2014 a 7ª maior economia do Mundo. Durante 10 meses de crise, perdeu duas posições no ranking, ficando na 9ª posição, atrás da Índia e da Itália.

Ou DILMA cai nos próximos meses, ou Brasil será condenado a conviver (por uma década perdida) com as mesmas dificuldades que enfrentam os cubanos, venezuelanos e argentinos. 

Ruy Câmara


segunda-feira, julho 20, 2015

O CHEQUE ESPECIAL CHINÊS


O tão propagado vigo da economia chinesa nada mais é do que o resultado da utilização do limite do cheque especial e é graças ao crédito utilizado com o modelo mercantilista, associado à sofreguidão e à miséria da sociedade, que a roda da economia chinesa continua moendo. Mas todo limite tem um fim. 

Há 30 anos eu estudo os regimes comunistas e me sinto bastante seguro para afirmar que, ao longo da histórica trajetória humana, não houve e não há uma única Nação no planeta que tenha confiado o seu destino a governos socialistas (eufemismo envergonhado de comunistas) que tenha conseguido planificar a prosperidade; que tenha eliminado ou reduzido as desigualdades sociais, econômicas e culturais; que tenha atendido às demandas prometidas pelo regime à população; que tenha capacidade de produção de riquezas duradouras; que ofereça segurança jurídica aos parceiros comerciais e aos próprios concidadãos; que tenha honrado os compromissos assumidos com a comunidade internacional; e que não tenha condenado seus filhos aos sofrimentos de uma devastadora crise econômica e moral.

Os comunistas são os coveiros do progresso e do bem-estar da humanidade. Na ânsia de uniformizar o pensamento humano com a patologia derivada da mente insana de Marx, acabam condenando as massas a um suplício que durou séculos e que pode durar décadas, culminando sempre em sangue e mortes. Durante o século XX o sonho da liberdade do indivíduo foi acorrentado no tronco da ferocidade comunista e nele, a vida de milhões foi esganada com um simples despacho do déspota.

O comunismo é a combinação mortífera do canibalismo ideológico com a carnificina perpetrada pelo tirano em nome do Estado. O comunismo infunde a visão ufanista de que livrará o mundo dos fundamentos capitalistas, mas implora pelo capital alheio para uso nas inconsequências do regime. Os comunistas são ardilosos por vocação e vingativos por convicção. A propaganda comunista faz o sujeito acreditar que fez uma ótima opção, mesmo estando arrebentado.

O comunismo ou socialismo só pode existir com o amparo de um capitalismo supremamente monopolista, cujo patrão é o Estado dirigido por um grupo de lacaios que corrompem uma classe privilegiada formada por comissários burgueses, por políticos corruptos e por burocratas incompetentes, todos eles de mentalidade fossilizada e dispostos a eliminar qualquer obstáculo para não perderem seus privilégios.

O intervencionismo comunista é o maior inimigo das forças econômicas de mercado, por isso é impossível que uma economia sob intervenção tenha êxito no longo prazo. 

O comunismo-socialismo jamais dará certo porque não permite a propriedade privada, nem a livre troca de bens de capital, e, assim, proíbe que os recursos encontrem o seu uso mais valoroso.

O igualitarismo proposto pelo comunismo-socialismo é um mero placebo de justiça social que se planifica com a diluição da miséria. A China, assim como as economias emergentes, (Rússia, Grécia, Argentina, Venezuela, Brasil...) está há 14 anos usando o teto do limite do cheque-especial. 

A China não tem um orçamento equilibrado; não tem moeda forte (padrão ouro); não pauta a economia pelo livre comércio; não anula os privilégios monopolistas de produção; e nessas alturas já não pode cortar os subsídios sociais e nem os subsídios para a exportação de suas manufaturas. 

Qualquer alteração negativa dos negócios com os EUA, a bolha vai furar e o prejuízo será novamente socializado e pago pelo povo com escravidão e sangue. 

Ruy Câmara
https://www.youtube.com/watch?v=2yL7t0j_4tQ
https://youtu.be/2yL7t0j_4tQ

terça-feira, julho 15, 2014

DE VOLTA À REALIDADE COTIDIANA

O momento nos solicita que deixemos de lado as ilusões com a tão propagandeada Copa das copas e que voltemos a nossa atenção para a realidade brasileira e para a nossa vida real, afinal, em breve pesarão em nossas costas as pesadas faturas que haveremos de pagar com a roubalheira geral da Copa e com os desvios de verbas públicas para financiar outra gastança ainda maior: com as eleições. 



Mas como a verdade de Lula, Dilma e do PT só dura o tempo da sua combustão, temos que concordar dizendo que a Copa serviu para alguma coisa, principalmente porque o mundo inteiro viu e ouviu claramente que o Brasil não vai bem moralmente, nem economicamente e vai pior ainda de governo. 



O Brasil não vai bem moralmente porque, com a prisão da cúpula do governo petista, Dilma, no afã de ganhar a reeleições na corana da Copa, facilitou de todas as formas a transformação das arenas num grande negócio para o baronato das empreiteiras, da Fifa e da CBF e num mega-negócio para a alta burguesia stalinista no poder.


O Brasil não vai bem economicamente porque, além da dívida impagável de R$ 3 trilhões; dos gastos públicos na ordem de 45% do PIB e da carga tributária de 40%; a inflação em junho estourou o limite máximo estipulado pelo governo, atingindo 6,52% neste ano, prometendo recessão, desemprego e miséria em 2015. 

E mais, enquanto os juros na Europa e nos EUA continuam próximos de zero, a economia do nosso país, (às portas da recessão), convive com os juros mais altos do mundo, na ordem de 11% ao ano.


O crédito ao consumidor (que é instrumento de fomento do consumo, da produção e emprego), não chegará sequer ao patamar de 12% em 2014, e será, portanto, a menor taxa de expansão nos últimos 11 anos. A produção industrial continua em queda livre nos meses de março, abril, maio e junho. Os níveis de maio e junho estavam 3% abaixo do mesmo período de 2013 e nível de emprego também vem acompanhado essa tendência. A atividade industrial caiu 4% em média neste ano.

O comércio sofreu um declínio na ordem de 38% durante os meses em que a bola rolava nos gramados e ninguém dá um pio contra essa aberração.

O Brasil não vai bem de governo, tanto pela nítida desmoralização de Dilma, quanto pelo populismo xenófobo e pelos esforços objetivos para cubanizar, venezuelizar e implantar o comunismo goela à dentro da sociedade. 

Ora, como esse governo especializou-se em mentiras, corrupção e fraudes de toda ordem, faz-se necessário que se apure direitinho até que ponto as receitas de serviços geradas pela Copa compensaram os gastos públicos com a construção das arenas, com a realização dos jogos, tudo isso somado aos prejuízos reais provocados pela paralisação das diversas atividades produtivas do país.

Diante dessa realidade obscurecida pelas mentiras oficiais, podemos afirmar, sem medo de errar que, a situação do Brasil se assemelha à situação de uma família deslumbrada que, apesar de endividada, vende o fusquinha, torra a poupança e o fundo de garantia, com a festa de 15 anos da filha e, no dia seguinte caem todos em depressão ao constatarem que os presentes recebidos pela menina, não valem nem a metade dos gastos com a festona. 

Ruy Câmara 

 http://blogdoescritorruycmara.blogspot.com/2014/07/de-volta-realidade-cotidiana.html

domingo, junho 29, 2014

ECONOMIA - BRASIL X CHILE

O país do meu querido amigo, António Skármeta, vai muito bem obrigado. Com o maior Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) da América Latina, a renda per capita do Chile continuará superior à do Brasil nos próximos anos: de U$ 14.856 em 2014 e U$ 15.736 em 2015, ante U$ 11.080 em 2014 e U$ 10.989 em 2015 no Brasil.

Dados do FMI mostram que o cenário chileno é mais favorável que o brasileiro, com uma inflação de 3% ao ano, abaixo dos 6,4% projetados para o Brasil este ano. A economia chilena crescerá de 3,6% à 5% este ano, enquanto a brasileira estancar-se-a em 1,6%.

O PIB do Chile para 2015, será de 4% e o Brasil, 2,6%. O crescimento médio anual do PIB chileno na última década é de 4,7%, apesar da retração econômica de 2009, que fez a economia chilena recuar 0,9%.

Ao contrário do Chile, o Brasil não avança porque adotou uma política econômica demasiada protecionista que funciona com freio de mão do crescimento. Já o Chile, reaplica idêntica austeridade e rigor fiscal da época de Pinochet que são mantidas até hoje, com menor participação do estado na economia, consorciada com uma política de abertura pró mercado, priorizando o controle dos gastos públicos e uma maior eficiência no crescimento da economia.

As exportações de cobre são responsáveis por 40% do PIB chileno e com os ventos favoráveis da década passada, o governo chileno criou fundos e ampliou suas reservas financeiras, tornando-se o país mais líquido do continente, com um caixa equivalente a 12% do seu PIB à época, (cerca de U$ 30 bilhões), apesar dos prejuízos estimados em 18 bilhões de dólares com as catástrofes naturais (terremotos) que o país andino enfrentou e superou.

Chile, oficialmente República do Chile, é um país da América do Sul, que ocupa uma longa e estreita faixa costeira encravada entre a cordilheira dos Andes e o oceano Pacífico. Fonte: Wikipédia

Capital: Santiago

Moeda: Peso chileno

População: 17,46 milhões (2012) Banco Mundial

Produto Interno Bruto: 322 bilhões USD (2013)


Durante o Governo Dilma a economia do Brasil não cresceu, o país não se modernizou e agora se vê ameaçado pelo dragão da inflação, porque o atual governo Dilma, mais que Lula, perdeu o controle, afrouxou as rédeas da gastança com populismos e promiscuidades políticas de toda ordem, para se manter no poder.

A gastança do governo Dilma com iniquidades situa-se na casa de 40% do PIB entre 2014 e 2015, praticamente o dobro do governo chileno, cujos gastos situam-se em torno de 23% do PIB.

Podemos metaforizar a situação econômica do Brasil durante o governo Dilma, com a situação de um pai que não tem dinheiro para atender as demandas da família e torra 40% do seu salário com farras e promiscuidades.

sexta-feira, julho 12, 2013

O Real, a Rua e o Desgoverno


Edmar Bacha



O Real completa 19 anos em meio a enormes manifestações populares nas ruas brasileiras. O estopim para os protestos foram os reajustes em junho dos preços das passagens dos ônibus no Rio e em São Paulo, normalmente feitos em janeiro ou fevereiro. 

O objetivo do governo federal com o adiamento dos reajustes foi tentar impedir que a alta dos preços superasse no início do ano o teto de 6,5% da meta de inflação. Apesar de ter vindo acompanhado de controles do governo sobre os preços da energia e da gasolina, de nada valeu aquele adiamento, pois o teto da meta de inflação estourou de qualquer jeito em março. 

Durante a preparação do Plano Real, há 19 anos, eram intensas as pressões sobre o ministro da Fazenda e sua equipe para congelar os preços quando da introdução da nova moeda. A equipe econômica resistiu com sucesso a essas pressões arguindo com o fracasso do Plano Cruzado, que foi baseado no congelamento de preços e salários. O real pôde então ser criado como uma moeda na qual os preços refletiam livremente seus custos e não a vontade dos governantes de mantê-los artificialmente baixos. 

O atual governo parece haver esquecido essa lição, ao tentar inutilmente reprimir a inflação com controles de preços e desonerações fiscais. O ministro da Fazenda inventou uma tal de "nova matriz macroeconômica" que supostamente permitiria fazer a quadratura do círculo, evitando que os preços subissem apesar da expansão descontrolada do crédito e dos gastos do governo. 

A presidente da República, por sua vez, somente permitiu que o Banco Central aumentasse tardiamente os juros quando as pesquisas de opinião pública mostraram sua popularidade em rápido declínio por causa da inflação alta, colocando em risco sua reeleição. 

A repressão pelo governo dos preços administrados vem minando a saúde financeira da Petrobras, da Eletrobras e das demais concessionárias de serviços públicos. Apesar disso, o povo nas ruas pede "passe livre" e isso não somente para os transportes públicos. Por enquanto, a resposta dos governos foi cancelar os reajustes dos preços dos ônibus e metrôs. 

Mas de sua tribuna na presidência do Senado, Renan Calheiros apresenta um projeto de lei para dar, Brasil afora, passe livre nos ônibus para os estudantes. A demagogia ameaça correr solta em Brasília. Sempre antenados, os investidores tratam de se livrar das ações das concessionárias de serviços públicos, ao antecipar que doravante será difícil manter os reajustes de preços programados. 

Nesse ambiente conturbado, cabe perguntar o que acontecerá com os leilões de concessão de rodovias, ferrovias, portos e aeroportos programados para o fim do ano. Será que grupos empresariais sérios se candidatarão a adquirir concessões que já vêm com o rótulo da "modicidade tarifária", quando a demanda das ruas é por tarifas menores do que as atuais? 

Esse encolhimento dos investidores ajuda o dólar a disparar e se agrega à alta dos juros para piorar as perspectivas da economia. A consequência provável é que os pibinhos que se vêm se manifestando desde 2011 continuarão a mostrar sua cara feia neste e no próximo ano. Não é só a cara, o nome também é feio:trata-se da estagflação, uma combinação de estagnação com inflação. 

O governo colhe os frutos de se ter comportado como o proverbial aprendiz de feiticeiro. Brincou com a inflação que tanto custou a ser contida há 19 anos, ao promover uma expansão descontrolada do crédito dos bancos públicos e dos gastos governamentais, ao postergar os reajustes dos preços controlados e ao não deixar o Banco Central atuar a tempo para conter a alta dos preços. 

Agora terá que lidar não só com as novas demandas populares mas também com a estagflação que ronda a economia. Resta-nos torcer para que o despertar do Brasil que se manifesta nas ruas de todo o país produza tempos melhores para todos nós.

Por Edmar Bacha - O Globo 29/06/2013

domingo, junho 30, 2013

O Real, a Rua e o Desgoverno

Edmar Bacha


O Real completa 19 anos em meio a enormes manifestações populares nas ruas brasileiras. O estopim para os protestos foram os reajustes em junho dos preços das passagens dos ônibus no Rio e em São Paulo, normalmente feitos em janeiro ou fevereiro. 

O objetivo do governo federal com o adiamento dos reajustes foi tentar impedir que a alta dos preços superasse no início do ano o teto de 6,5% da meta de inflação. Apesar de ter vindo acompanhado de controles do governo sobre os preços da energia e da gasolina, de nada valeu aquele adiamento, pois o teto da meta de inflação estourou de qualquer jeito em março. 

Durante a preparação do Plano Real, há 19 anos, eram intensas as pressões sobre o ministro da Fazenda e sua equipe para congelar os preços quando da introdução da nova moeda. A equipe econômica resistiu com sucesso a essas pressões arguindo com o fracasso do Plano Cruzado, que foi baseado no congelamento de preços e salários. O real pôde então ser criado como uma moeda na qual os preços refletiam livremente seus custos e não a vontade dos governantes de mantê-los artificialmente baixos. 

O atual governo parece haver esquecido essa lição, ao tentar inutilmente reprimir a inflação com controles de preços e desonerações fiscais. O ministro da Fazenda inventou uma tal de "nova matriz macroeconômica" que supostamente permitiria fazer a quadratura do círculo, evitando que os preços subissem apesar da expansão descontrolada do crédito e dos gastos do governo. 

A presidente da República, por sua vez, somente permitiu que o Banco Central aumentasse tardiamente os juros quando as pesquisas de opinião pública mostraram sua popularidade em rápido declínio por causa da inflação alta, colocando em risco sua reeleição. 

A repressão pelo governo dos preços administrados vem minando a saúde financeira da Petrobras, da Eletrobras e das demais concessionárias de serviços públicos. Apesar disso, o povo nas ruas pede "passe livre" e isso não somente para os transportes públicos. Por enquanto, a resposta dos governos foi cancelar os reajustes dos preços dos ônibus e metrôs. 

Mas de sua tribuna na presidência do Senado, Renan Calheiros apresenta um projeto de lei para dar, Brasil afora, passe livre nos ônibus para os estudantes. A demagogia ameaça correr solta em Brasília. Sempre antenados, os investidores tratam de se livrar das ações das concessionárias de serviços públicos, ao antecipar que doravante será difícil manter os reajustes de preços programados. 

Nesse ambiente conturbado, cabe perguntar o que acontecerá com os leilões de concessão de rodovias, ferrovias, portos e aeroportos programados para o fim do ano. Será que grupos empresariais sérios se candidatarão a adquirir concessões que já vêm com o rótulo da "modicidade tarifária", quando a demanda das ruas é por tarifas menores do que as atuais? 

Esse encolhimento dos investidores ajuda o dólar a disparar e se agrega à alta dos juros para piorar as perspectivas da economia. A consequência provável é que os pibinhos que se vêm se manifestando desde 2011 continuarão a mostrar sua cara feia neste e no próximo ano. Não é só a cara, o nome também é feio: trata-se da estagflação, uma combinação de estagnação com inflação. 

O governo colhe os frutos de se ter comportado como o proverbial aprendiz de feiticeiro. Brincou com a inflação que tanto custou a ser contida há 19 anos, ao promover uma expansão descontrolada do crédito dos bancos públicos e dos gastos governamentais, ao postergar os reajustes dos preços controlados e ao não deixar o Banco Central atuar a tempo para conter a alta dos preços. 

Agora terá que lidar não só com as novas demandas populares mas também com a estagflação que ronda a economia. Resta-nos torcer para que o despertar do Brasil que se manifesta nas ruas de todo o país produza tempos melhores para todos nós.

Por Edmar Bacha - O Globo 29/06/2013