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segunda-feira, agosto 18, 2014

18/08/2014
 às 16:00 \ Política & Cia

Lula tem vidão de rico, e continua denunciando “as elites”, às quais hoje ele gostosamente pertence. Por J. R. Guzzo: 

Lula saiu do povo e não voltou mais. Anda com bilionários, exige jato particular para ir às suas conferências e Johnnie Walker Rótulo Azul no cardápio de bordo ( Foto: Ricardo Stuckert / Instituto Lula)
UMA DOCE VIDA DE RICO — Lula saiu do povo e não voltou mais. Anda com bilionários, exige jato particular para ir às suas conferências e Johnnie Walker Rótulo Azul no cardápio de bordo ( Foto: Ricardo Stuckert / Instituto Lula)
Publicado originalmente em 8 de junho de 2013
Artigo publicado em edição impressa de VEJA
O ENIGMA DAS ELITE
campeões de audiência 02A elite brasileira é acusada todo santo dia pelo ex-presidente Lula de ser a inimiga número 1 do Brasil – uma espécie de mistura da saúva com as dez pragas do Egito, e culpada direta por tudo o que já aconteceu, acontece e vai acontecer de ruim neste país.
É possível até que tenha razão, pois se há alguma coisa acima de qualquer discussão é a inépcia, a ignorância e a devastadora compulsão por ganhar dinheiro do Erário que inspiram há 500 anos, inclusive os últimos dez e meio, a conduta de quem manda no país, dentro e fora do governo.
O diabo do problema é que jamais se soube exatamente quem é a elite que faz a desgraça do Brasil. Seria indispensável saber: sabendo-se quem é a elite, ela poderia ser eliminada, como a febre amarela, e tudo estaria resolvido.
Mas continuamos não sabendo, porque Lula e o PT não contam.
Falam do pecado, mas não falam dos pecadores; até hoje o ex-presidente conseguiu a mágica de fazer discursos cada vez mais enfurecidos contra a elite, sem jamais citar, uma vez que fosse, o nome, sobrenome, endereço e CPF de um único de seus integrantes em carne e osso. Aí fica difícil.
Mas a vida é assim mesmo, rica em perguntas e pobre em respostas; a única saída é partir atrás delas. Na tarefa de descobrir quem é a elite brasileira, seria razoável começar por uma indagação que permite a utilização de números: as elites seriam, como Lula e o PT frequentemente dão a entender, os que votam contra eles nas eleições?
Não pode ser. Na última vez em que foi possível medir isso com precisão, no segundo turno das eleições presidenciais de 2010, cerca de 80 milhões de brasileiros não quiseram votar na candidata de Lula, Dilma Rousseff: num eleitorado total pouco abaixo dos 136 milhões de pessoas, menos de 56 milhões votaram nela.
É gente que não acaba mais. Nenhum país do mundo, por mais poderoso que seja, tem uma elite com 80 milhões de indivíduos. Fica então eliminada, logo de cara, a hipótese de os inimigos da pátria serem os brasileiros que não votam no PT.
As elites seriam os ricos, talvez? De novo, não faz sentido: os ricos do Brasil não têm o menor motivo para se queixar de Lula, dos seus oito anos de governo ou da atuação de sua sucessora.
Ao contrário, nunca ganharam tanto dinheiro como nos últimos dez anos, segundo diz o próprio Lula. Ninguém foi expropriado sequer em 1centavo, ou perdeu patrimônio, ou ficou mais pobre em consequência de qualquer ato direto do governo.
Os empresários vivem encantados, na vida real, com o petismo; um dos seus maiores orgulhos é serem “chamados a Brasília” ou alcançarem a graça máxima de uma convocação da presidente em pessoa. No puro campo dos números, também aqui, não dá para entender como os ricos possam ser a elite tão amaldiçoada por Lula e seus devotos.
De 2003 para cá, o número de milionários brasileiros (gente que tem pelo menos 2 milhões de reais, além do valor de sua residência) só aumentou.
Na verdade, segundo estimativas do consórcio Merrill Lynch Capgemini, apoiado pelo Royal Bank of Canada e tido como o grande perito mundial na área, essa gente vem crescendo cada vez mais rápido.
Pelos seus cálculos, surgem dezenove novos milionários por dia no Brasil, o que dá quase um por hora, ou cerca de 7 000 por ano; em 2011, o último período medido, o Brasil foi o país que teve o maior crescimento de HNWIs – no dialeto dos pesquisadores, “High Net Worth Individuais”, ou “milionários”.
O resultado é que há hoje no Brasil 170 000 HNWIs – os 156 000 que havia no levantamento de 2011 mais os 14 000 que vieram se somar a eles, dentro da tal conta dos dezenove milionários a mais por dia.
Não dá para entender bem essa história. O número de milionários brasileiros, após dez anos de governo popular, não deveria estar diminuindo, em vez de aumentar?
Deveria, mas não foi o que aconteceu. A sempre citada frota de helicópteros de São Paulo, com 420 aparelhos, é a segunda maior do mundo; no Brasil já são quase 2000, alugados por até 3 000 reais a hora.
Os 800 000 brasileiros, ou pouco mais, que estiveram em Nova York no ano passado foram os turistas estrangeiros que mais gastaram ali: quase 2 bilhões de dólares. Na soma total de visitantes, só ficaram abaixo de canadenses e ingleses – e seu número, hoje, é dez vezes maior do que era dez anos atrás, início da era Lula.
O eixo formado pela Avenida Europa, em São Paulo, é um feirão de carros Maserati, Lamborghini, Ferrari, Aston Martin, Rolls-Royce, Bentley, e por aí afora.
Então não podem ser os ricos os cidadãos que formam a elite brasileira – se fossem, estariam sendo combatidos dia e noite, em vez de viverem nesse clima de refrigério, luz e paz.
Um outro complicador são as ligações de Lula com a nossa vasta armada de HNWIs, como diriam os rapazes da Merrill Lynch. É um mistério.
Como ele consegue, ao mesmo tempo, ser o generalíssimo da guerra contra as elites e ter tantos amigos do peito entre os mais óbvios arquiduques dessa mesmíssima elite?
Ou será que bilionários e outros potentados deixam de ser da elite e recebem automaticamente uma carteirinha de “homem do povo” quando viram amigos do ex-presidente?
Para ficar num exemplo bem fácil de entender, veja-se o caso do ex-governador de Mato Grosso Blairo Maggi, uma das estrelas do círculo de amizades políticas de Lula.
O homem é o maior produtor individual de soja do mundo, e a extensão das suas terras o qualifica como o suprassumo do “latifundiário” brasileiro. É detentor, também, do título de “Motosserra de Ouro”, dado anos atrás pelo Greenpeace – grupo extremista e frequentemente estúpido, mas que ainda faz a cabeça de muita gente boa pelo mundo afora.
É claro que não há nada de errado com Blairo: junto com seu pai, André, fundador da empresa hoje chamada Amaggi, é um dos heróis do progresso do Brasil Central e da transformação do país em potência agrícola mundial.
Mas, se Blairo Maggi não é elite em estado puro, o que seria? Um pilar das massas trabalhadoras do Brasil?
Lula anda de mãos dadas com Marcelo Odebrecht, presidente de uma das maiores empreiteiras de obras do Brasil e do vasto complexo industrial que crescerem torno dela.
Ainda há pouco foi fotografado em companhia do inevitável Eike Batista, cuja fortuna acaba de desabar para meros 10 bilhões de dólares, numa visita a um desses seus empreendimentos que nunca decolam; foi seu advogado, logo em seguida, para conseguir-lhe um ajutório do governo.
É um fato inseparável de sua biografia, desde o ano passado, o beija-mão que fez a Paulo Maluf, hoje um aliado político com direito a pedir cargos no governo – assim como Maggi, que ainda recentemente foi cotado para ser nada menos, que o ministro da Agricultura de Dilma.
Dize-me com quem andas e eu te direi quem andas e te direi quem és, ensina o provérbio. Talvez não dê, só por aí, para saber quem é realmente Lula. Mas, com certeza, está bem claro com quem ele anda.
As classes que Lula e o PT descrevem a “elite brasileira” não são suas amigas só de conversa – estão sempre prontas para abrir o bolso e encher de dinheiro a companheirada.
Nas últimas eleições presidenciais, presentearam a candidata oficial Dilma Rousseff quase 160 milhões de reais – mais do que deram a todos os outros candidatos somados.
Há de tudo nesses amigos dos amigos: empreiteiros de obras, é claro, banqueiros de primeira, frigoríficos empenhados até a alma no BNDES, siderúrgicas, fábricas de tecidos, indústrias metalúrgicas, mineradoras. É o que a imprensa gosta de chamar de “pesos-pesados do PIB”.
Ninguém, nessa turma, faz mais bonito que as empreiteiras, que dependem do Tesouro Nacional como nós dependemos do ar.
Foram as maiores doadoras privadas às eleições municipais do ano passado: torraram ali quase 200 milhões de reais, e o PT foi o partido que mais recebeu. Ficou com cerca de 30% da bolada distribuída pelas quatro maiores empreiteiras do país, e junto com seu grande sócio da “base aliada”, o PMDB, raspou metade do dinheiro colocado nesse tacho.
Todo mundo sabe quem são: Andrade Gutierrez, Queiroz Galvão, OAS e Camargo Corrêa. Mas esses nomes não resolvem o enigma que continua a ocultar a identidade dos membros da elite.
Com certeza, nenhum dos quatro citados acima pertence a ela, já que dão tanto dinheiro assim ao ex-presidente, seu partido e seus candidatos. Devem ser, ao contrário, a vanguarda classes populares.
Restariam como membros da elite, enfim “inconformados” com o fato de que “um operário chegou à Presidência” ou que a “classe melhorou de vida. Mais uma vez, não dá para levar a sério.
Por que raios essa gente toda está inconformada, se não perdeu nada com isso? Qual diferença prática lhes fez a eleição de presidente de origem operária, ou por que sofreriam vendo um trabalhador viajar de avião?
Num país com 190 milhões de habitantes, é óbvio há muita gente que detesta o ex-presidente, ou simplesmente não gosta dele. E daí? Que lei os obriga a gostar? Acontece com qualquer grande nome da política, em qualquer lugar do mundo.
Ainda outro dia, milhares de pessoas foram às ruas de de Londres para festejar alegremente a morte da ex-líder britânica Margaret Thatcher – que já não estava mais no governo havia 23 anos. É a vida.
Por que Lula e seus crentes não se conformam com isso e param de encher a paciência dos de outros com sua choradeira sem fim? O resumo dessa ópera é uma palavra só: hipocrisia.
Lula bate tanto assim na “elite” para esconder o fato de que ele é hoje, na vida real, o rei da elite brasileira. O ex-presidente diz o tempo todo que saiu do povo. De fato, saiu – mas depois que saiu não voltou nunca mais.
Falemos sério: ninguém consegue viver todos os dias como rico, viajar como rico, tratar-se em hospital de rico, ganhar como rico (200 000 reais por palestra, e já houve pagamentos maiores), comer e beber como rico, hospedar-se em hotel de rico e, com tudo isso, querer que os outros acreditem que não é rico.
Onde está o operário nisso tudo? (Foto: Valter Campanato / ABr)
Onde está o operário nisso tudo? (Foto: Valter Campanato / ABr)
Lula exige jato particular para ir às suas conferências e Johnnie Walker Rótulo Azul no cardápio de bordo.
Quando tem problemas de saúde, interna-se no Hospital Sírio-Libanês de São Paulo, um dos mais caros do mundo.
Sempre chega ali de helicóptero. Vive cercado por um regimento de seguranças que só o típico magnata brasileiro costuma ter.
O ex-presidente sempre comenta que só falam dessas coisas porque “não admitem” que um “operário” possa desfrutar delas.
Mas onde está o operário nisso tudo?
É como se o banqueiro Amador Aguiar, que foi operário numa gráfica do interior de São Paulo e ali perdeu, exatamente como Lula, um dos dedos num acidente com a máquina que operava, continuasse dizendo, sentado na cadeira de presidente do Bradesco, que era um trabalhador manual.
Lula não trabalha, não no sentido que a palavra “trabalho” tem para o brasileiro comum, desde os 29 anos de idade, quando virou dirigente sindical e ganhou o direito legal de não comparecer mais ao serviço.
Está a caminho de completar iria 68 e, depois que passou a fazer política em tempo integral, nunca mais tomou um ônibus, fez uma fila ou ficou sem dinheiro no fim do mês.
Melhor para ele, é claro. Mas a vida que leva é um igualzinha à de qualquer cidadão da elite. O centro da questão está aí, e só aí. Todo o resto é puro conto do vigário.

domingo, novembro 11, 2012

POPULISMO E FARSA DAS COTAS RACIAIS





Os debates sobre temas raciais quase sempre são desviados para um terreno ideologicamente perigoso, porque invoca aquele secular e arcaico duelo entre escravocratas e abolicionistas, despertando frustrações ou mesmo acirrando teses racistas entre grupos antagônicos.


Recentemente o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu equivocadamente e por unanimidade, simplificar a gravidade dos problemas econômicos e sociais que afetam a imensa maioria do povo brasileiro, determinando que a introdução de cotas raciais para o acesso às universidades públicas federais não viola a Constituição da República. 

A mais alta corte de justiça do Brasil ignorou solene que, biologicamente não há distinção entre raças, assim como não há comprovação científica capaz de unificar os indivíduos das categoria raciais "parda clara, parda escura e pretos" numa única categoria: "Negra." 

Alias, a expressão RAÇA deriva de um conceito antropológico arcaico, que classifica as pessoas com base no fenótipo, nos traços visíveis, tais como: a cor da pele, o formato do crânio, o tipo de cabelo, etc. 

A antiga classificação de raças do IBGE foi pinçada da classificação adotada secularmente pelas Forças Armadas, ou seja, classificavam-se os alistados para o serviço militar em cinco categorias: branca, preta, parda, amarela e indígena. Eu, por exemplo, fui classificado como pardo claro. 

Com base nessa classificação, o IBGE, de forma fraudulenta, divulgou o quadro cromático brasileiro, onde os brancos representam 50% da população (95 milhões); os pardos representam 43% da população (79 milhões); os negros representam 6% (11 milhões); os amarelos (asiáticos) representam 0,7% da população (1 milhão); e os índios representam 0,3% da população (800 mil). 

Portanto, é uma tremenda FRAUDE ESTATÍSTICA dizer que o Brasil tem a maior população de origem africana das américas. Ao contrário do que afirmam os fraudadores de plantão do governo petista, eu afirmo e comprovo que temos a maior população de origem européia do continente Sul Americano, já que o traço ancestral que predomina nas gentes brasileiras tem sua gênese biológica no cruzamento de brancos (portugueses, espanhóis e holandeses) com nossas índias. 

A prova incontestável dessa afirmação pode ser encontrada na distribuição das gentes no território brasileiro, onde se constata que no Sul do país predomina o elemento europeu de origem alemã, italiana e eslava; no sudeste predomina o elemento europeu de origem portuguesa, espanhola, alemã e italiana; no Nordeste predomina o elemento africano, indígena e europeu de origem portuguesa e holandesa; no Norte predomina o elemento indígena.

Portanto, é um equívoco ou mesmo uma deformação proposital dizer que o Brasil é afro-brasileiro. Em verdade, nesse cadinho cromático ocorreu a miscigenação genuinamente brasileira, que produziu uma civilização que conserva no seu fenótipo a marca da nossa celtibérica-latino-africanidade, ou seja, uma civilização gerada a partir de um elemento novo e que podemos chamar de elemento celtibérico-afro-latino, e não de afro-brasileiro, como querem os líderes desses movimentos raciais e o governo populista do PT. 

O termo afro-brasileiro é reducionista, exclusivista, já que reaviva apenas a ascendência de negros africanos vindos para o Brasil, por isso mesmo não tem a mínima sustentação antropológica e muito menos genética, uma vez que exclui e ignora, por vontade de dominação política, a gênese biológica fundante da nossa formação civilizatória. 

Quanto a malsinada Lei de cotas sancionada pelo populista Lula para privilegiar o ingresso de estudantes que se autoconsideram negros nas universidades públicas do Brasil, podemos afirmar que o MEC viu aí um biombo para esconder as deficiências do ensino básico e fundamental gratuitos no Brasil. 

Fazendo um recorte da linha de pobreza no Brasil, contata-se que temos aproximadamente 57 milhões de pobres. Na faixa da pobreza humana e por falta de renda, temos 20 milhões de brancos, representando 34,2%; temos 33 milhões de pardos, representando 58,7%; e temos somente 3,9 milhões de negros, representando a minoria, ou seja, 7,1% dos pobres do Brasil. Ou seja, brancos e pardos formam uma maioria composta por 92,9% da população brasileira. 

Então, surge aí um problema real que se agrava com a famigerada Lei: como inserir 57 milhões de pessoas carentes de escolaridade, de cultura e de melhores condições materiais? O truque do governo populista do PT foi juntar a massa de pobres de todas as cores (exceto os brancos) numa estatística fraudulenta que elevou de 7,1% para 65,8% o contingente de pobres, passando a chamá-los, indistintamente, de NEGROS. Isso é uma fraude grotesca.

Desse modo o governo do PT reuniu na classificação de PARDOS todos os MULATOS, CABOCLOS, CAFUZOS, MAMELUCOS e mestiços de pretos com as demais "cores" e, em seguida, deslocou os pardos para a classificação de negros. Sem dúvida, o governo cometeu um equívoco retumbante e estabeleceu um paradoxo sem solução para encobrir a ausência de uma política sustentável de inserção sem exclusão de qualquer natureza. 

Ao sancionar o regime subjetivo de cotas o governo criou também um racismo envergonhado, acabrunhado, onde um cidadão considerado negro pelo sistema passa a ser visto como inferior em talento e em inteligência, já que seu mérito não será aferido em condições de igualdade com os demais para ingressar na universidade. 

Não há um critério justo e muito menos honesto de seleção segundo a famigerada Lei, e a sua aplicação é tão deformada que chega a dispensar, na prática, as comissões de avaliadores, cometendo o absurdo de considerar dois gêmeos univitelinos como sendo de etnias diferentes, como ocorreu na Universidade de Brasilia a partir de uma fotografia analisada por um burocrata estúpido. 

A Lei criada para atender à demandas eleitoreiras do PT é tão desonesta que permite uma seleção baseada em critérios totalmente subjetivos de um avaliador sem nenhum conhecimento científico para tanto. Os avaliadores de plantão decidem quem terá ou não direito às cotas, segundo uma decisão pessoal, prevalecendo aí um absurdo ainda maior: basta o sujeito assinar um termo autodeclarando sua raça e o milagre está feito, anulando assim o acesso pelo mérito.

A experiência nos autoriza a dizer que, no Brasil o que surge para ser temporário passa a ser permanente porque, tanto a sociedade, quanto as instituições nacionais, sobretudo o governo, são incapazes de cortar privilégios estabelecidos. 

Ora, nenhum problema social pode ser resolvido de forma perene com artifícios legalistas, principalmente quando a própria sociedade não se empenha na solução das deficiências estruturais de base, como por exemplo: exigir dos governos educação de qualidade em todos os níveis; oportunidades para o desenvolvimento intelectual e cultural das famílias e a preparação profissional do alunado para ampliar a distribuição de renda. 

Nesse ponto da questão caberia perguntar aos propagadores de soluções milagrosas o seguinte: Como é possível justificar a eficácia de uma política de inclusão "racial" deixando para trás a massa de 53 milhões brasileiros brancos e pardos, pobres e analfabetos? 

Não resta dúvida alguma de que o STF violou de forma cristalina o Art. 5º da CF: Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes:

I - homens e mulheres são iguais em direitos e obrigações, nos termos desta Constituição.



A irracionalidade da Lei de Cotas raciais é uma deformação populista, que anula o mérito individual do estudante dedicado e por simplificação legalista viola de forma afrontosa e ostensiva a Constituição Federal, bastando para tanto observar que, doravante nem todos serão iguais perante a lei, nem perante ao próximo. 

Ora, todo cidadão tem o direito inalienável de ser visto e de ser respeitado como um indivíduo único, em caráter, trajetória de vida, vocação, conhecimentos e em genoma, e não apenas como pertencente a um dado grupo racial.

O que essa lei infunde, em última instância é o seguinte: baseados numa regra cientificamente falsa e socialmente ofensiva, somos contra à meritocracia e aos sistemas que premiam o mérito individual, porque temos convicção de que os indivíduos que se declaram "negros" não reúnem as condições mínimas para superarem os próprios fracassos.  

Ruy Câmara 
Escritor

http://blogdoescritorruycmara.blogspot.com.br/2012/11/populismo-e-farsa-da-cotas-raciais.html

quinta-feira, fevereiro 02, 2012

CATADORA DE PAPEL E A LIÇÃO FINAL APRENDIDA POR FAUSTO

LARISSA, CATADORA DE PAPEL, FEZ HOJE SUA MATRÍCULA NA USP. Essa é a geração dos jovens inspirados pelo presidente Lula... (Noticia um certo blog que faz de Lula um deus, com "d" minúsculo) 

Lendo a estupidez acima, em verdade a reprodução malsinada de um embuste petista, portanto, indigno da mais medíocre lógica, pus-me a pensar nas pessoas ingênuas ou mal informadas que diariamente são ludibriadas com farsas, simulacros e oportunismos infundados dessa natureza. 
Atribuir o êxito de Larissa ao ignaro Lula da Silva, por haver ela conseguido uma vaga na USP, é a negação tácita de toda e qualquer fundamentação de verdade. A fraude dessa matéria destituída de um mínimo de verdade é intencionalmente perigosa, uma vez que retira do sujeito moral, não só os seus méritos próprios, como também objetiva anular, de forma leviana e oportunista a capacidade de o indivíduo livre fazer suas escolhas para prosperar na vida. 

Ora, atribuir qualquer sucesso individual do cidadão a um governante (seja aqui ou na China, seja hoje ou na média idade da razão) significa afirmar que a vontade consciente do indivíduo não é compatível, nem proporcional, com os seus objetivos concretos. Basta um Lula no poder e os êxitos e sucessos de todos os brasileiros estarão garantidos por todo o sempre. 

Sabemos nós que a intenção ou vontade consciente de uma pessoa nem sempre reproduz a máxima expressão das suas ações. A realidade é uma prova incontestável de que, no confronto de vontades dos indivíduos, prevalece sempre a ação individual mais vigorosa, aquela que contenha maior capacidade de suplantar os obstáculos. Foi o que Larissa fez e mesmo que ela não tenha consciência disso, é fato que ela suplantou as adversidades da vida e conseguiu, por mérito seu (e não do Lula com seus quadrilheiros do PT) uma vaga na USP. Se Larissa, assim como tantos outros jovens não houvessem se preparado, nem Deus ou o Satanás os ajudariam a conseguir uma vaga em universidade, muito menos o tal Lula da Silva, esse deus tupiniquim da petralhada que nunca leu um livro.    

Mas a jumentice dessa gente é tanta, que chaga a aceitar uma caricatura midiática comprada com verdade absoluta. Ora, a caricatura do real é, em síntese, o resultado dessa tipificação equivocada que os tolos fazem por aí dos fenômenos sociais, onde um determinado traço da realidade é demasiadamente corrompido, para não dizer, fictício, haja vista a imensa maioria de pessoas que está por aí, penando com seus dilemas cotidianos, por serem incapazes de romper com o imobilismo que Larissa e outros romperam ao longo da história. 

Quantos bons exemplos de superação nós podemos trazer à luz para desmoralizar, de uma vez por todas, esse embuste discursivo publicado na web por gente muito maliciosa? Vamos ao 1º exemplo: 


Machado de Assis (1839 à 1908) filho de Francisco de Assis, um mulato paupérrimo – ajudante de pintor de paredes – com Maria Leopoldina da Câmara Machado - lavadeira de roupas - mal estudou em escolas públicas, nunca frequentou universidades e, no entanto, tornou-se um dos mais importantes escritores brasileiros, sendo ainda, ademais de fundador da ABL, poeta, romancista, cronista, dramaturgo, contista, folhetinista, jornalista, crítico literário e homem público de reputação ilibada. O imperador, Lula ou o PT nada têm a ver com isso. 
Cruz e Sousa (1861 à 1889), nem sobrenome tinha, já que era filho de negros, escravos alforriados. Seu pai, Guilherme da Cruz, era um simples pedreiro e analfabeto; sua mãe, Carolina Eva da Conceição, era doméstica da família do Marechal Guilherme Xavier de Sousa - de quem adotou o nome de família, Sousa. O menino estudou, trabalhou, chegou a ser diretor do jornal Tribuna Popular, no qual combateu a escravidão e o preconceito racial e em 1883 foi recusado como Promotor de Justiça de Laguna por ser negro. Mas nem a cor da pele, nem a pobreza o impediram de se tornar um dos mais profícuos poetas e intelectuais do Brasil, fluente em francês, latim e grego. O imperador, Lula ou o PT nada têm a ver com isso. 

Silvio Santos (1930) de engraxate a camelô, tornou-se dono de um grandes conglomerados de empresas nacionais. Quando Lula e o PT se aproximaram de Silvio Santos, o resultado foi um tremando desfalque num certo banco que contou com a cumplicidade e conivência de gente graúda do PT. 

Vamos para outros países, onde os exemplos de superação são aos milhares: 
Aristóteles Sócrates Onassis (1906 à 1975), nasceu numa família grega pobre que vivia em Esmirna, região da Ásia Menor, onde os colonos gregos cultivavam o tabaco. Em 1927 ele partiu para aventurar a vida em Buenos Aires, onde falsificou sua identidade para "envelhecer" 6 anos e para ter condições legais de trabalhar. Tornou-se telefonista da British United River Plate Telephone Company e, nas horas vagas, estudava por conta própria o mercado financeiro. Nunca frequentou nenhuma universidade e o resto é o que sabemos.  

Nelson Mandela (1918), negro e paupérrimo, não deve ter se inspirado no Lula e nos quadrilheiros do PT, do contrário teria corrompido gente graúda do judiciário e não teria perdido mais de uma década de vida na cadeia; tornando-se o símbolo da luta contra o apartheid e um dos líderes mais respeitados do nosso tempo. 

Elvis Presley (1935 à 1971), filho de pais pobres, cresceu no meio dos destroços de um furacão que em 1936 devastou sua cidade, East Tupelo, Mississipi, e ganhava a vida como engraxate. Seria ridículo que alguém atribuísse ao presidente dos U.S.A os êxitos conquistados pelo rei do rock'n'roll, que faleceu no topo da glória, deixando para a filha uma fortuna incalculável. 

Bill Gates (1955) garotão da classe média americana, filho de advogado competente, iniciou os estudos em escolas públicas, elevou-se à Harvard, mas abandonou a universidade porque tinha um sonho a realizar. O resto é o que sabemos.  
Barack Obama (1961), negro e pobre, filho de um kenyano  muçulmano com uma americana, foi criado pela avó no Hawaii, estudou, formou-se, advogou e saiu batendo de porta à porta pedindo votos, e hoje é o que sabemos. 

Na web se pode encontrar milhares de exemplos de pessoas pobres e de todas as cores de pele que prosperaram na vida sem nem ao menos saberem da existência de Lula e do PT. A lista vem crescendo desde os tempos em que no céu só havia sete planetas. 

Essa conexão forçada com Lula (uma fraude que comporta todos os adjetivos desmerecedores) é tão destituída de fundamento quanto afirmar que o êxito do apedeuta mor do Brasil, Lula da Silva (1945) – o 7º dos oito filhos de um casal de lavradores analfabetos que viviam na miséria em Caetés - Pernambuco, deveu-se, em 1º lugar, ao presidente Getúlio Vargas, e mais tarde aos presidentes, Costa e Silva e Médici, ao tempo de 1969, quando Lula cortou um dedo e ingressou num Sindicato do ABC fazendo chantagens e extorsões a pretexto de defender salário digno para trabalhadores, aposentados e pensionistas, todos esquecidos e desmerecidos ao longo do seu governo e também do governo Dilma. 

É preciso honestidade para dizer a verdade: Larissa, assim como tantos outros brasileiros que trabalham e se esforçam por melhores dias, dentre as quais me incluo, não devemos nada a Lula, nem ao PT, nem mesmo ao Estado e muito menos aos contribuintes ou larápios, os que sustêm ou os que dilapidam o Estado brasileiro com todas as suas deficiências. Devemos a nós mesmos, e aos nossos familiares e amigos, esses que nos incentivaram ao longo da vida.  

É uma grotesca fraude tentar anular, de forma sub-reptícia, os êxitos e conquistas de um indivíduo que se esforça com zelo, empenho e diligência para conseguir, às duras penas, realizar seu sonho. 

Válido é, portanto, encerrar a minha intervenção, invocando o velho Goethe: Sim! A esta ideia atenho-me com firme persistência: A sabedoria impõe-me o seio da verdade; conquista a existência e a liberdade, somente quem todo dia a conquista. (Guethe, na lição final aprendida por Fausto). 


Tenho asco de pelegos e desdenho olimpicamente dos bajuladores baratos, puxa-sacos, lambedores de botas e também dos descarados que inventarem essa tese repugnante e insustentável, a quem eu ousaria sugerir: aprendam a lição final de Goethe e deixarão de ser um bando de tolos integrados às correntes de lacaios que obumbram, subvertem e corrompem a verdade, impunemente. 

Ruy Câmara
Escritor