segunda-feira, novembro 21, 2011

BELO MONTE - NATURALISTAS x DESENVOLVIMENTISTAS


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Temos observado as manifestações de pessoas que se dizem preocupadas com a tão maltratada natureza, condenando veementemente o projeto da Hidroelétrica Belo Monte, no Rio Xingu, Estado do Pará, concebido em 1975, remodelado nos anos 80, 90 e protelado por sucessivas ações contrárias até 2011, quando recebeu, finalmente, a licença do IBAMA para iniciar suas obras. 


Agora vemos na TV artistas e naturalistas exaltados, alguns que nunca visitaram uma hidroelétrica na vida e vemos também políticos que, além da falta de compromisso com o próprio entorno, não estão minimante preocupados com a crise energética que afeta regiões importantes do Brasil. 


Evidentemente que esses discursos - criticando por ouvir dizer ou apenas objetivando uma percepção de que são politicamente corretos – nos lembram daqueles protestos históricos dos comunistas contra iniciativas idênticas que foram empreendidas pelo governos militares em benefício do povo brasileiro. 



Claro que é importante e necessário o debate entre desenvolvimentistas e naturalistas, sobretudo quando o debate busca alternativas objetivas para a vida, sem prejuízo do desenvolvimento sustentável que vem em benefício do todo social. Por isso mesmo há de se pesar e medir bem as consequências das decisões ou omissões no calor das emoções e das exaltações, pois não podemos ignorar, sob nenhum pretexto, que a geração de energia é um dos grandes desafios da humanidade no século em curso.


Como podemos imaginar ou pretender um país moderno e civilizado, sem pensarmos nas suas demandas energéticas sempre crescentes? É incontestável que, quanto mais moderna e civilizada se torna uma NAÇÃO, mais demandas energéticas precisam ser atendidas e tal atendimento não pode esperar, afinal, a energia se tornou tão vital para as sociedades, quanto a água para vida humana. Paradoxalmente, a água que gera energia faz com que essa mesma energia garanta água para as cidades e campos. 

Tal como ocorre agora com a Belo Monte, a construção do Complexo Hidrelétrico de Paulo Afonso, na década de 1950, foi também alvo de muitas polêmicas oportunistas. Os comunistas (aves de maus augúrios e abutres do caos) diziam na clandestinidade que controlar e verter o fluxo natural do VELHO CHICO (Rio São Francisco) para inundar um reservatório de 100 km², acumulando 1,2 bilhões de m³ de água, seria um desastre sem precedentes provocado por uma obra de engenharia hídrica sem igual àquela época. Diziam os tolos: "O governo da ditadura vai matar milhares de pessoas e todos os bichos, pássaros e plantas da região morrerão afogados. 

A obra começou a ser feita contra a vontade, sobretudo, da grande maioria dos políticos do Sul, Sudeste e de alguns larápios do Nordeste que viviam da exploração da ignorância do sertanejo e da secular indústria das secas. Decorridos tantos anos, caberia perguntar aos naturalistas exaltados daquela época: E aí senhores, cadê o desastre prometido? 

Diante da evidência, perguntamos: Seria possível pensar em DESENVOLVIMENTO DO NORDESTE sem a energia gerada pelas usinas de Paulo Afonso I, II, III, IV e Apolônio Sales (Moxotó), que produzem 4.279,6 megawatts a partir da força das águas da Cachoeira de Paulo Afonso, num desnível natural de 80 m do Rio São Francisco? CLARO QUE NÃO. Hoje o NORDESTE é um PAÍS fortemente industrializado e com grande potencial de desenvolvimento sustentável, graças, em primeiro lugar, à energia que produz e em segundo lugar, graças à força de trabalho das gentes nordestinas. 

O Cel. Virgílio Távora, governador do Ceará, disse à época na miserável cidade de Canindé: "Caboclos do Ceará, as lamparinas estão com os dias contados. Após 450 anos de escuridão, nós temos agora condições energéticas para começarmos a eletrificar e industrializar o nosso Ceará." 

Polêmica de proporções ainda maiores foi levantada pela ESQUERDA BURRA e RETRÓGRADA do Brasil quando o GENERAL ERNESTO GAISEL venceu uma disputa diplomática secular de terras e águas e convenceu o Paraguai a se associar ao Brasil e juntos construiram, no período de 1975 à 1982, a binacional ITAIPU, uma das mais importantes geradores de energia hidráulica do mundo.

40 mil homens deslocaram 50 milhões de toneladas de terras e rochas; usaram concreto equivalente a construção de 15 Euro túneis (entre a França e Inglaterra); e usaram ferro equivalente a construção de 380 torres Eiffel. Diziam os vigaristas da política nacional e os comunistas que criaram o famigerado MST, que o desvio do curso do Rio Paraná, o sétimo maior do mundo, provocaria um desastre ecológico de consequências imprevisíveis, ao inundar uma área de 1500 km² de florestas e de terras agriculturáveis. 

Ora, a cachoeira de Sete Quedas, uma das mais belas formações naturais do Brasil, desapareceu completamente (e não nos faz a menor falta), pois em seu lugar surgiu uma das sete maravilhas do Mundo Moderno: um lago belíssimo, imeanso, perene, benéfico, produtivo em toda a sua extensão e capaz de fornecer água para a produção de 85,9 mil GWh de energia, sem contar com as suas potencialidade de irrigação e de produção real de milhares de toneladas de proteínas para o consumo humano. E aí senhores, cadê o desastre anunciado? 

Não houve desastre algum e hoje, para tristeza dos pessimistas o reservatório de Itaipu (que foi o maior do mundo) é apenas o sétimo do Brasil em tamanho, se comparado aos reservatórios de Sobradinho, Tucuruí, Porto Primavera, Balbina, Serra da Mesa (Sérgio Mota), todos construídos durante os GOVERNOS DA CALUNIADA DITADURA MILITAR; sem falar da Hidrolética de Furnas, concluída em 1963 entre os municípios de São José da Barra e São João Batista do Glória, em Minas Gerais. 

Quem poderia imaginar o que seria do Brasil sem suas hidroelétricas? Nessea sentido ousamos lançar aqui um desafio aos ambientalistas e naturalistas exaltados:

Por favor, senhores, apontem-nos qualquer indício de prejuízo ambiental provocado pelas hidroelétricas brasileiras construídas numa época em que a consciência ambiental era por demais precária. Para facilitar o trabalho, eis os nomes de algumas hidroelétricas que tivemos oportunidade de visitar: 

Hidroelétrica de Furnas (Rio Grande, no trecho "Corredeiras das Furnas) 1963 
Hidroelétrica de Salgadinho (Rio São Francisco, no município de Sobradinho, na Bahia) 1979.
Hidrelétrica de Tucuruí (Rio Tocantins) concluída em 1984
Hidrelétrica Porto Primavera, (Rio Paraná, município paulista de Rosana) 1988
Hidroelétrica de Balbina (Rio Uatumã, distrito de Balbina - Amazonas) 1989.
Hidroelétrica de Serra da Mesa (Bacia do Alto Tocantins, em Goiás), 1995 

O Brasil, um país apinhado de gente que não se importa nem mesmo com a corrupção e com o roubo diário do tesouro, assiste sem entender o que está por detrás dessa velha luta que agora novamente se trava entre NATURALISTAS-AMBIENTALISTAS contra os DESENVOLVIMENTISTAS.

Não há nenhuma dúvida quanto a necessidade real e urgente da energia limpa a ser gerada pela Belo Monte. A única dúvida diz respeito aos prováveis desvios de recursos públicos para os cofres dos larápios que estão no poder.

A grande maioria da população brasileira parece que não sabe e não reconhece que a resistência dos naturalistas e ambientalistas às agressões ao meio ambiente traz como resultado positivo o aprimoramento das iniciativas que objetivam o suprimentos das demandas de tudo o que consumimos e necessitamos todos os dias para viver. Mas parece mais certo dizer que todos entendem muito bem a lei natural que está acima das demais: a de que, O HOMEM, assim como a NATUREZA, quando ameaçados, sabem REAGIR.

Ruy Câmara

Hidroelétrica de Belo Monte
Ocupará 0,0156% da Amazônia Brasileira

NOTAS


A bacia amazônica abrange 7,2 milhões de km², dos quais 5,5 milhões de km² são cobertos por floresta tropical. Essa região abrange territórios de nove nações vizinhas e 60% da floresta  pertence ao Brasil, ou seja, uma área de 3,3 milhões de km2.


O lago da Hidroelétrica Belo Monte ocupará uma área de 516 km2, nas terras dos municípios de Vitória do Xingu (248 km2), Brasil Novo (0,5 km2) e Altamira (267 km2). Isso equivale a ínfimos 0,0156% da floresta amazônica brasileira.  


Na Amazônia brasileira vivem aproximadamente 158 mil ameríndios, distribuídos em 206 sociedades que falam umas 130 línguas. Desse universo, algo em torno de 75 mil vivem entre a civilização e selva, numa área gigantesca de 60 milhões de hectares. Já os 83 mil ameríndios restantes vivem como a grande maioria dos nortistas pobres, em condições precários, insalubres nas vilas e povoados ditos "civilizados", onde falta tudo, inclusive o básico que todo cidadão e cidadã deseja para viver melhor. 

Mas ali não vivem somente ameríndios como pensa a grande maioria dos ambientalistas e naturalistas que  embarcam no bloco da folia verde, apenas repetindo, por ouvir dizer, as propagadas de ONGUITAS que vivem confortavelmente às custas dos cofres públicos, sem terem o menor conhecimento das carências da região e muito menos acerca das suas demandas de energia ao longo do século em curso. 

Não carece inteligência alguma para compreender que há na Amazônia, além dos ameríndios, uma civilização formada por 12,5 milhões de brasileiros que, igualmente aos demais cidadãos e cidadãs das demais regiões do Brasil, carecem de trabalho, de infraestrutura (escolas, universidades, hospitais, estradas, transporte)  e de condições materiais civilizadas que os permitam desfrutar das comodidades urbanas e de lares seguros, equipados com geladeiras, acondicionados, televisores e os demais utensílios domésticos modernos que a zona franca de Manaus produz.


O Amazonas (com 62 municípios) e o Pará (com 144 municípios) não são tribos como pensam muitos naturalistas e ambientalistas exaltados, e sim estados de grande porte, com seus polos industriais, comercias, agrários, agropecuários e portuários que estão (inevitavelmente) em pleno crescimento e desenvolvimento econômico, sócio-cultural e ambiental. 

A civilização amazônica, assim como ocorre com os demais em todas as partes do mundo, deseja o progresso, o bem-estar, o conforto, e não deixará de produzir, nem de consumir, nem de gerar gentes no calor úmido que se esbate nos leitos todas as noites.


Nem mesmo os ameríndios, já civilizados, aceitam brincar de ecologistas de jardim da infância e até os ribeirinhos mais desatendidos pelas ações governamentais, sabem que o ambientalismo sério não recusa o progresso, tanto que, aqui e ali se rebelam contra os aventureiros de ONGs e Igrejas, essa gente expertíssima que se aproveita da pseudo inocência de algumas tribos, para traficar espécies vegetais, animais e até influência para que as grandes MADEIREIRAS continuem explorando mogno, peroba, maçaranduba, pau marfim, jatobá, ipê, angelim vermelho, maracatiara, angico, aroeira  e outras madeiras de lei e fora da lei que os brasileiros,  ambientalistas ou não, usam em suas casas, apartamentos e escritórios.   

É possível, sim, desenvolver e preservar. O que não é profícuo, nem razoável é pretender o sacrifício humano que envolve 12,5 milhões de pessoas, com essa pregações oportunistas que defendem o extermínio humano para o bem da natureza.

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"Há centenas de Advogados Indígenas no Brasil, além de administradores de empresas, filósofos, sociólogos, biomédicos, contadores e outros. Esses profissionais, como os demais brasileiros, encontram muitas dificuldades de inserção no mercado de trabalho, enquanto que nos órgãos que trabalham com as políticas públicas indígenas estão abarrotada de apadrinhados políticos semi-analfabetos." Wilson Matos da Silva, é Índio residente na Aldeia Jaguapirú, Advogado, Pós-graduado em Direito Constitucional, Presidente da Comissão Especial de Assuntos Indígenas da OABMS (CEAI OAB/MS), e Diretor Regional do CINEP/ODIN/MS