terça-feira, novembro 22, 2011

A HIPOCRISIA DE ONGUISTAS E CARAS PÁLIDAS


Que bela Top Model pode ser essa jovem Ameríndia da Geração Banda Larga do Xingu! Pele bronzeada; cabelos negros, lisos e longos; lábios carnudos e olhos castanhos claros penetrantes, esplêndida de vigor e de beleza; é a encarnação de Eva vestida na própria pele, inteiramente nua, tal como a serpente que induziu Adão a desobedecer o bom Deus para desfrutar das tremuras da carne no Paraíso. 



Para quem está conectado ao paraíso cyber da web, utilizando energia hidráulica das usinas que os histéricos tanto condenaram nos anos pregressos, é cômodo demais pretender que grande parte de uma civilização formada por 12,5 milhões de brasileiros permaneça fora dos contextos por falta de energia elétrica, um item básico e indispensável à vida humana nos tempos que correm e mais ainda no futuro próximo. 


Para os naturalistas, ambientalistas, ecologistas, preservacionistas e onguistas que vivem em casas iluminadas, climatizadas, sem mosquitos, com água bombeada e aquecida por força elétrica das turbinas de Itaipu, Furnas, Salgadinho, Xingó e outras mais, usando roupas lavadas à máquina e passadas a ferro elétrico, rodeado de móveis de madeira de lei ou FORA DA LEI, portando cartão cyber para as transações em caixas 24h (sem energia não funciona), podendo ler e trabalhar em espaços climatizados e sob luzes possantes, andando nas ruas iluminadas ou dirigindo seu carrinho nas estradas sinalizadas, e ao final da canseira do dia, como é sublime ir ao barzinho da esquina para ouvir uma boa música, tomando umas geladíssimas, sabendo ainda que podem dispor de escolas, universidades, aeroportos com esteiras rolantes, hospitais e Uti's equipadas - é de fato cômodo protestar e não aceitar que a Amazônia se desenvolva aos padrões das demais regiões que à distância a dilapidam todos os dias. 


Aos preservacionistas e onguistas exaltados contra a BELO MONTE, esses que querem AMERINDIANIZAR com DINHEIROS PÚBLICOS os descendentes dos meus antepassados, índios da Amazônia, eu proponho que ponham em prática as suas teses e convicções, começando por se desconectarem agora mesmo da web, em seguida desliguem a energia de casa, aproveitem e desliguem a energia do vizinho, do prédio, da rua, do bairro, da cidade inteira e tentem viver assim só por uma semana. Eu não gostaria de testemunhar a confusão que causariam, para não dizer, o caos. 
Para os caras pálidas que pensam que os ameríndios são apenas bichos do mato como os são as pacas, antas e caititus, e que são incapazes de se desenvolverem - material e intelectualmente aos padrões dos ditos civilizados e que, por isso mesmo, não carecem de energia elétrica, eu afirmo com tranquilidade: estão redondamente equivocados, pois no meio da selva de bichos há uma GERAÇÃO BANDA LARGA de AMERÍNDIOS BRASILEIROS de todas as idades que adoram o conforto, o regaço de um lar com peixes e biritas à mesa, e são fascinados por engenhos tecnológicos, tais como: computadores, celulares, filmadoras, motos, carros, aviões, e apreciam filmes, teatro, artes, joias, pessoas bonitas, adoram futebol e muitos ali são torcedores do Corinthians, Flamengo e da Seleção Brasileira. 



Os ameríndios da aldeia de Álvaro Tukano são "famintos de tecnologia" e estão convictos de que o aprendizado e a inclusão digital são muito mais importantes para eles do se imaginava até então. Takuno afirma que só a tecnologia poderá salvá-los do canibalismo cultural e da exclusão social levada à cabo pela igreja, pelos onguistas financiados com dinheiro nosso e por esses caras pálidas que subjugam as potencialidade e necessidades da Amazônia com sua gente. 

Os jovens ameríndios do Xingu que descobriram o feitiço da internet, estão questionando os dolorosos ritos e castigos impostos pelos anciãos das suas tribos. 
Dias atrás uma comissão de ameríndios das etnias Yawanawá e Huni Kui (Kaxinawá), do Acre; Kanoe, de Rondônia; e Suruí, de Rondônia e Mato Grosso, bateram à porta doo Centro de Formação dos Povos da Floresta (CFPF) e da Comissão Pró-Índio do Acre (CPI/AC) cobrando cursos de informática. 


Tenho orgulho da minha ancestralidade ameríndia (sou trineto de uma velha feiticeira do Rio Guaporé) e conheço boa parte da Amazônia brasileira - onde meu pai, FRANCISCO NOBRE CÂMARA, ao regressar da 2ª Guerra Mundial, trabalhou na construção da linha telegráfica de Porto Velho a Rio Branco, e onde trabalhei a serviço da Petrobrás, na construção da Transamazônica - de modo que, não posso levar a sério esse bom mocismo disfarçado de gente que se presume ambientalista, ecologista, preservacionista ou coisa parecida e, no entanto, todo o dia e toda noite degrada o próprio entorno impunemente.

Então, senhores e senhoras defensores de araque da natureza do Brasil, por favor não me venham com argumentos sub-reptícios de que os povos da Amazônia não precisam da energia hidráulica a ser gerada pela HIDROELÉTRICA DE BELO MONTE. Precisam sim, e urgentemente, pois é precisamente na Amazônia onde a natureza oferece uma das maiores reservas hídricas do mundo, e essas potencialidades reais devem sim, (já que outras matrizes energéticas são ainda economicamente inviáveis) serem aproveitados agora e já, em benefício de todos os brasileiros,  uma vez que pelo menos 60% da energia a ser produzida pala Belo Monte será lançada no sistema nacional de distribuição para todas as regiões do país. O restante da produção será destinada para promover o desenvolvimento sustentável da Amazônia e das pessoas que ali vivem com seus sonhos e esperanças quase sempre ameaçados pela incompreensão e estupidez congenial de naturalistas e onguistas que não sabem sequer apontar no mapa onde fica o Xingu

Ruy Câmara