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quarta-feira, novembro 09, 2016

TRUMP: DA FRITURA À VITÓRIA

Há meses eu ouço com espanto inúmeros comentaristas que pensam conhecer os EUA apenas porque passaram alguns dias na cosmopolita New York ou em Miami, gente que nunca se ocupou com a história daquele país, opinando às tontas na imprensa (apenas por ouvir dizer) sobre geopolítica ou sobre sociedade americana. 

Testemunhei ao longo de 1 ano e 8 meses de campanha eleitoral, Trump sendo torrado pela combustão de tintas e papeis incendidos pelos sopros das vozes inconformadas de boa parte da imprensa mundial. Durante esse período, todos os americanos tiveram a chance de conhecer as propostas, ideias e até mesmo as idiossincrasias de cada candidato. 

A pergunta que eu faria hoje aos inconformados é simples: por que os americanos elegeram Trump e não Hillary? Ora, é óbvio que o elegeram porque com ele se identificaram e aprovaram a sua plataforma, o seu programa, a sua postura crítica e até mesmo o seu topete cafona de velho vaidoso e autoconfiante.

Tive a sorte de viver nos EUA e de me aprofundar na sua longa e sinuosa história. Talvez por isso eu comprendo os motivos que impingem os americanos a não perdoar líderes fracos, traídores ou covardes. A história mostra que aquele líder que comprometeu ou ousar prejudicar a Nação com inação, populismos, mentiras ou frouxidão, foi ou será abatido num piscar de olhos. 

Quem se assustou com as idiossincrasias de Trump, desconhece que os EUA têm as mais sólidas instituições democráticas do planeta, todas elas estruturadas, guiadas e obedientes aos fundamentos constitucionais seculares, de modo que um presidente nos EUA não pode fazer o que pretende sem a aprovação das instituições jurídico-políticas e sociais do Estado americano. 

Ademais, o cargo de presidente nos EUA tem uma liturgia que praticamente não muda desde a carta de Thomas Jefferson e o povo americano é muito atento a essa liturgia. O poder do presidente dos EUA tem limites claros e suas responsabilidades são ainda mais claras. 

Parece certo dizer que, o que mais vem inquietando os comentaristas da banda pobre e conflituosa do mundo, não é o tema polêmico da imigração, nem a duvidosa tese do aquecimento global, e sim os discursos de campanha de um candidato que ousou afrontar todo o establishment ou melhor, a ordem ideológica, econômica, política, acadêmica e até mesmo a jurídica que regula a sociedade americana.

Trump foi o escolhido pelo contribuinte americano por seus méritos, suas crenças e convicções, e nessa escolha não pesou as oponiões dos brasileiros, latinos, asiáticos e outros. Portanto, Trump tem o dever de governar a América para os americanos, zelando pelos interesses daquela nação e da sua gente. 

É fato incontestável que nenhuma nação do planeta pode suportar o peso social e o impacto cultural de 39 milhões de imigrantes, dentre os quais aparecem 12 milhões vivendo ilegalmente e às custas do contribuinte que trabalha e paga seus impostos. Além disso, há 2 milhões de imigrantes ilegais criminosos cumprindo suas penas na penitenciárias que são mantidas pelo contribuinte.  Atualmente são 1,8 milhões de brasileiros vivendo ilegalmente nos EUA. Ora, o Brasil que se desenvolva e se promova para garantir a subsistência dos cidadãos brasileiros em solo brasileiro. O mesmo vale para as demais nações.

A Europa sempre foi incompetente em matéria de paz e de tolerância. O Reino Unido, após a vitória do "brexit", foi o primeiro a votar contra a onda de imigração latina, asiática e muçulmana. A França, com a sua incorrigível covardia, já declarou-se contra o acolhimento dos refugiados do velho mundo; e a Alemanha, nação que convive com um insuperável drama de consciência, já está arrependida por haver sido tão tolerante com os imigrantes. 

O Canadá tem hoje 6,5 milhões de imigrantes e já avisou que não suporta mais esse peso social. Com certeza, em breve terá, obrigatoriamente, de tomar providências, do contrário cada cidadão canadense sofrerá o impacto dessa omissão governamental pagando mais impostos para suster o peso social dos imigrantes sobre o Estado.

Trump não venceu somente Obama, Hillary e Clinton. Ele venceu todos os DEMOCRATAS, venceu a maioria dos caciques do próprio partido, REPUBLICANOS e foi eleito presidente por méritos próprios, lutando praticamente sozinho contra toda a máquina governamental americana; contra a opinião apressada de grande parte dos comentaristas políticos de outras nações, notadamente dos comentaristas franceses, germânicos, latinos, asiáticos e brasileiros. O recado dos americanos para o mundo foi claro: os EUA não toleram líderes populistas. 

O sonho americano, outrora levado nas carroças dos velhos ingleses para o Oeste, levantou-se mais uma vez em toda a América com a eleição de Trump. Tanto é verdade a inconformação dos eleitores americanos que, nessas eleições optaram por renovar toda a Câmara e 1/3 do Senado, tendo Trump o apoio da maioria do novo Congresso. 

Ele, com a sua ousadia, estraçalhou todos os prognósticos e jogou na lixeira todas as apostas contrárias à sua vitória. Seu lema de campanha (fazer a América grande de novo) conquistou os americanos de todas as cores, crenças e origens, mas para os não-americanos ou invejosos antiamericanos, seu lema implica impor perdas a todos as nações, rivais potenciais dos Estados Unidos, a começar pela China, seguida pelo México e por outras que se beneficiaram com o declínio da era Obama.

Mais do que todos os ex-presidentes, Trump sabe que o negócio da América são os negócios, por isso, não há dúvidas de que ele, com a sua fibra, coragem e experiência vivida como homem de grandes negócios, será um dos mais importantes presidentes da grande pátria americana. 


Talvez seja desnecessário dizer que, quem o elegeu sabe que ele será o presidente mais rico da história dos Estados Unidos, afinal, sua fortuna, estimada neste ano pela Revista Forbes em US$ 3,7 bilhões, supera a renda e o patrimônio de todos os seus antecessores juntos. Mas, por haver sido eleito tão somente pelo povo americano, seu dever é governar a América para os americanos e não para os imigrantes que por lá vivem às custas do contribuinte que trabalha, que empreende e tem a tradição de doar parte da sua riqueza para desenvolver as intiuições do seu país.

Como bem o disse Obama: “Campanha eleitoral é uma escaramuça intramuros e já terminou. Agora é hora de união, afinal, não somos somente democratas ou republicanos. Somos primeiro americanos e patriotas." 

E Hillary Clinton foi precisa ao dizer: “devemos aceitar o resultado e olhar para o futuro. Trump venceu e estamos prontos para ajudá-lo no que for preciso." Ou seja, disseram, noutras palavras, que toda aquela encenação faz parte dos jogos políticos; faz parte da dramaturgia eleitoral para conquistar do eleitor, de modo que, não será surpresa quando o cotidiano da Casa Branca revelar um Trump paz e amor.   

O revezamento no poder é salutar e a vitória de Trump mostrou ao mundo que a fronteira entre o sonho-realista de uma nação independente e a realidade factual do seu entorno, não é só uma questão de autoafirmação ou de vaidade, mas de percepção, condução e de comando, afinal, o mundo com a presença de Trump no comendo dos EUA não será melhor, nem pior do que já foi ou é. 

Ruy Câmara, é escritor e sociólogo

http://blogdoescritorruycmara.blogspot.com.br/2016/11/trump-da-fritura-vitoria.html

sexta-feira, novembro 09, 2012

ESPAÇOS VAZIOS NA CIA E NO CORAÇÃO DE UM HEROI




ESPAÇOS VAZIOS NA CIA E NO CORAÇÃO DE UM HEROI




A vida de um general de guerra, de um agente da CIA ou a vida de um escritor consciente do seu ofício é, na melhor das hipóteses, uma vida de solidão e o amor quando brota no íntimo de um solitário, rasga seu peito com inpiedade, tal como fazem as raízes de uma roseira, que logo mostram um caule de espinhos sustentando uma bela rosa vermelha. 


As notícias dão conta de que o general da reserva do glorioso exército dos EUA, David Petraeus, chefe da CIA desde setembro de 2011, renunciou hoje ao importante cargo em função de um RELACIONAMENTO EXTRACONJUGAL. 


Eis o que o general escreveu em sua carta de renúncia entregue ao Barak Obama. 



Após ter sido casado por 37 anos, eu mostrei extremamente o meu pouco juízo ao me envolver num caso extraconjugal. Tal comportamento é inaceitável, tanto como marido, quanto como líder de uma organização como a nossa. 

O que é isso? O homem que comandou a guerra após o atentado de 11 de Setembro; que foi o líder de 140 mil soldados da força internacional no Afeganistão; sem contar as missões perigosas e suicidas da qual tomara parte nos territórios de guerras, renunciou hoje a um dos cargos mais importantes do mundo porque envolveu-se numa relação extraconjugal após 37 anos de casado com a Srª Virginia, mãe dos seus dois filhos adultos? Creio que nem mesmo a Srª Virginia o perdoará pelo rigor e severidade moral com que seu marido se puniu. 

No Brasil dos petralhas, dos políticos salafrários e dos bandos de marginais que atuam no Congresso Nacional, tal situação é impensável. Aqui os quadrilheiros da política são flagrados roubando a nação, extorquindo empresários, praticando corrupção e quando são denunciados pelo Ministério Público, com fartura de provas incontestáveis, ainda ousam permanecerem nos cargos até o tombo final, alegando inocência e mentindo descaradamente e ainda contam com a conivência e cumplicidade de gente graúda do poder. 

Qualquer cidadão americano tem consciência de que o exército dos EUA o treinou para ser um soldado honrado, digno, cumpridor das suas missões e notadamente preparado para MATAR centenas ou milhares de pessoas com uma ordem ou um disparo. Mas ninguém daquela academia (US Army) ensinou ao oficial, David Howell Petraeus, mestre e doutor em Relações Internacionais pela Princeton, que os sentimentos, paixões, ódios, desejos, preferências e as dores do amor que precedem o SER são determinidades puramente humanas que estão no âmbito exclusivo do indivíduo, da intimidade de cada um, e pouco diz respeito às questões de Estado, senão à questão MORAL, que nesse caso é de foro íntimo. 

Tivesse ele em guerra e mandado despachar milhares de afegãos, cazaquistãos, iraquianos ou líbios para o éter, não estaria sofrendo essa crise de consciência; não estaria em julgamento nenhuma questão MORAL contra si, e provavelmente o inocente general ainda seria distinguido com as medalhas de bravura e as horas militares que os governos concedem aos heróis da pátria. 

Ao renunciar ao cargo de líder do Serviço Silencioso da Nação americana, David Howell Petraeus ignorou solene aquilo que o genial escritor, Leon Bloy, externou um dia, não exatamente com as mesmas palavras da sua carta de renúncia, mas com o mesmo sentimento de quem tardiamente descobriu que há espaços vazios no coração de um homem que ainda não possuem existências, e neles o amor e o sofrimento penetram para que outros espaços possam existir com plenitude. 

Parece certo dizer que a lógica que norteia a vida e o amor, com direito a desfrutá-lo nas tremuras da carne, está completamente invertida diante de um paradoxo que se afirma com autarcia: Matar em tempos de guarra pode; amar em tempos de paz não pode! Eis uma questão moral que nem mesmo a intelligentsia americana, por mais suprema que se presuma, conseguirá deslindar. 

Ruy Câmara


Escritor



http://blogdoescritorruycmara.blogspot.com.br/2012/11/espacos-vazios-na-cia-e-no-caracao-de.html

quarta-feira, novembro 02, 2011

MÁFIA, SIGILO E PROSTITUIÇÃO



Desde os tempos em no céu só havia sete planetas que as prostitutas são usadas para destruir reputações daqueles que se tornaram alvos nocivos aos meios e sistemas. Tenho uma lista contendo centenas de nomes importantes que tombaram após caírem nos braços de mulheres que venderam seu corpo, sua alma e sua dignidade por dinheiro e algumas horas de glórias.

Hoje o Tribunal Superior de Londres decidiu que o genial Julian Assange, criador do WikiLeaks, deve ser deportado para a Suécia, onde vem sendo processado sob a acusação de haver abusado sexualmente de prostitutas de luxo travestidas de voluntárias do Wikileaks.

Após estudar o caso com o merecido cuidado, estou convencido de que a extradição para a Suécia é um mero pretexto jurídico para que Julian Assange seja entregue aos Estados Unidos, país em que os mandatários querem a todo custo destruí-lo formalmente.

O WikiLeaks deixou de divulgar documentos secretos oficiais porque sofreu um tremendo "bloqueio financeiro, arbitrário e ilegal", de empresas americanas como: Bank of America, Visa, MasterCard, PayPal e Western Union, que impediram o acesso do Wikeleaks às fontes de financiamento das suas investigações.

É prudente observar que os Estados Unidos foram o principal alvo do Wikileaks, notadamente com a publicação de arquivos secretos sobre a invasão do Iraque. Julian Assange, pelo que desvelou acerca dos governos, empresas e autoridades corruptas, tornou-se "persona non grata" nos meios políticos do planeta, sendo agora alvo de um complô internacional grotesco, covarde e criminoso, afinal, sabemos nós, que a Suécia é o reino das mais belas prostitutas de luxo da Europa, e é evidente que tudo isso é o resultado mais objetivo de uma conspiração internacional que tem motivações unicamente políticas.

Julian Assange saiu temporariamente de cena porque está ameaçado de morte, mas deixou o caminho aberto para que outros jovens do mundo possam rastrear e divulgar os sigilos envolvendo desmandos e falcatruas praticadas por aqueles a quem os povos outorgaram o poder de governar as Nações.

Contudo, podemos antever que o aprendiz de ditador do Equador, Rafael Correa, cobrará do exilado um pedágio muito elevado, pois sabe-se que os telegramas diplomáticos divulgados em 2011 pelo WikiLeaks levaram o Correa a expulsar sumariamente do país sem porta para o mar a então embaixadora americana, que aparecia chamando de corrupto o chefe da polícia do país. Desde então, autoridades equatorianas mantêm contato com Assange.

Ruy Câmara