Ora, se quem é contra a endemia da corrupção e o populismo stalinista dessa camarilha no poder é ser-se da direita, eu sou então da extrema-direita. Mas se quem defende de forma intransigente a Democracia, o Estado de Direito, as Garantias Individuais e a Liberdade de Expressão e de Imprensa, é ser-se da esquerda, então eu sou da extrema esquerda.
Essa dicotomia vigia com autarcia na França do final do século XVIII, ao tempo em que o sistema político era composto por três grupos, os chamados Estados Gerais, formados pelo Clero, Nobreza e pelo Terceiro Estado, composto pelo chamado “resto” da população (industriais, comerciantes, profissionais liberais, artesãos, banqueiros, etc.).
Cabia exclusivamente ao Terceiro Estado a obrigação de PAGAR IMPOSTOS para suster o luxo do Clero e da Nobreza. Inconformado, o Terceiro Estado iniciou a Revolução Francesa, que acabaria com os privilégios das cortes com seus apaniguados e mudaria a esdrúxula situação parasitária do Clero e da Nobreza.
O que originou os termos Direita e Esquerda foi o fato de os membros do terceiro estado sentarem à esquerda do rei, enquanto os do clero e da nobreza sentavam à direita. Foi assim que se originaram os conceitos: Direita era situação (grupo conservador) e Esquerda era oposição (grupo da rebelião).
Mas os tempos mudaram e o fato de alguém ser taxado de Direita ou de Esquerda tornou-se algo mimético, ilusório e não permanente, uma vez que cada partido político tem seu preço de venda no varejo e no atacado, e cada político também, podendo cada um se promiscuir segundo os próprios interesses, saltando da situação para a oposição e vice-versa, sem receio algum de perder o mandato por aplicar calotes e estelionatos eleitorais nos seus currais.
Evidentemente que não há no Brasil uma disputa ideológica no sentido clássico do termo. O que há, de fato e verdadeiramente é uma disputa pelo poder e pela grana pública que todos os dias é desviada dos ministérios, secretarias, estatais, agências reguladoras, governos estaduais e municipais, para entupir os cofres dos petistas, socialistas e comunistas de araque que estão no poder assaltando impunemente.
Parafraseando o filósofo Santayanna, quem não aprendeu as lições da história está condenado a repetir os erros do passado e, como sabemos cabalmente, o populismo, o patrulhamento e o aparelhamento do Estado sempre foram os meios pelos quais os psicopatas empreenderam as grandes tragédias da humanidade.
Ruy Câmara
Escritor