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segunda-feira, setembro 24, 2012

QUANDO SER-SE DE ESQUERDA DAVA CADEIA, NINGUÉM ERA.

 “QUANDO SER-SE DE ESQUERDA DAVA CADEIA, NINGUÉM ERA. AGORA QUE DÁ PRÊMIO, TODO MUNDO É. (POETA FERREIRA GULLAR)




O poeta Ferreira Gullar tem 82 anos e é considerado pela crítica o maior poeta vivo da língua portuguesa e um dos grandes nomes da literatura brasileira contemporânea, ao lado dos bardos, Ivan Junqueira e Gerardo Mello Mourão, meus referentes. 


Na juventude foi militante do Partido Comunista Brasileiro, iludiu-se com o leninismo, stalinismo, trotskismo e na maturidade passou a ver o mundo com outras lentes, outras cores e rendeu-se à realidade da vida. 

No meu arquivo de trocas epistolares com o amigo Ferreira Gullar, guardei uma lúcida e sincera entrevista, concedida ao jornalista, Pedro Dias Leite, nas Páginas Amarelas de VEJA. 

Leia os trechos.

Veja: O senhor já disse que “se bacharelou em subversão” em Moscou e escreveu um poema em que a moça era “quase tão bonita quanto a revolução cubana”. Como se deu sua desilusão com a utopia comunista?

Gullar: Não houve nenhum fato determinado. Nenhuma decepção específica. Foi uma questão de reflexão, de experiência de vida, de as coisas irem acontecendo, não só comigo, mas no contexto internacional. É fato que as coisas mudaram. O socialismo fracassou. Quando o Muro de Berlim caiu, minha visão já era bastante crítica. A derrocada do socialismo não se deu ao cabo de alguma grande guerra. O fracasso do sistema foi interno. Voltei a Moscou há alguns anos. O túmulo do Lênin está ali na Praça Vermelha, mas, pelo resto da cidade, só se veem anúncios da Coca-Cola. Não tenho dúvida nenhuma de que o socialismo acabou, só alguns malucos insistem no contrário. Se o socialismo entrou em colapso quando ainda tinha a União Soviética como segunda força econômica e militar do mundo, não vai ser agora que esse sistema vai vencer.

Veja: Por que o capitalismo venceu?

Gullar: O capitalismo do século XIX era realmente uma coisa abominável, com um nível de exploração inaceitável. As pessoas com espírito de solidariedade e com sentimento de justiça se revoltaram contra aquilo. O Manifesto Comunista, de Marx, em 1848, e o movimento que se seguiu tiveram um papel importante para mudar a sociedade. A luta dos trabalhadores, o movimento sindical, a tomada de consciência dos direitos, tudo isso fez melhorar a relação capital-trabalho. O que está errado é achar, como Marx diz, que quem produz a riqueza é o trabalhador, e o capitalista só o explora. É bobagem. Sem a empresa, não existe riqueza. Um depende do outro. O empresário é um intelectual que, em vez de escrever poesias, monta empresas. É um criador, um indivíduo que faz coisas novas. A visão de que só um lado produz riqueza e o outro só explora é radical, sectária, primária. A partir dessa miopia, tudo o mais deu errado para o campo socialista. (…) O capitalismo não é uma teoria. Ele nasceu da necessidade real da sociedade e dos instintos do ser humano. Por isso ele é invencível. A força que torna o capitalismo invencível vem dessa origem natural indiscutível. Agora mesmo, enquanto falamos, há milhões de pessoas inventando maneiras novas de ganhar dinheiro. É óbvio que um governo central com seis burocratas dirigindo um país não vai ter a capacidade de ditar rumos a esses milhões de pessoas. Não tem cabimento.

Veja: O senhor se considera um direitista?

Gullar: Eu, de direita? Era só o que faltava. A questão é muito clara. Quando ser de esquerda dava cadeia, ninguém era. Agora que dá prêmio, todo mundo é. Pensar isso a meu respeito não é honesto. Porque o que estou dizendo é que o socialismo faliu, acabou, estabeleceu ditaduras, não criou democracia em lugar algum e matou gentes em quantidades abundantes. É uma farsa ou hipocrisia um sujeito se dizer socialista ou comunista tendo uma conta bancária ou algum outro bem. Isso tudo é verdade. Não estou inventando.

Veja: E Cuba?

Gullar: Não posso defender um regime sob o qual eu não gostaria de viver. Não posso admirar um país do qual eu não possa sair na hora que quiser. Não dá para defender um regime em que não se possa publicar um livro sem pedir permissão ao governo. Apesar disso, há uma porção de intelectuais brasileiros que defendem Cuba, mas, obviamente, não querem viver lá de jeito nenhum. É difícil para as pessoas reconhecer que estavam erradas, que passaram a vida toda pregando uma coisa que nunca deu certo.

(…)

Veja: Como se justifica sua defesa da internação no tratamento da esquizofrenia?

Gullar: As pessoas usam a palavra manicômio para desmoralizar os hospitais psiquiátricos. Internei meu filho em hospitais que têm piscina, salão de jogos, biblioteca. Mesmo os públicos não têm mais a camisa de força ou sala com grades. Tive dois filhos esquizofrênicos. Um morreu, o outro está vivo, mas não tem mais o problema no mesmo grau. Controlou com remédio, e a idade também ajuda. A esquizofrenia surge na adolescência e se junta à impetuosidade. Com o tempo, a pessoa vai amadurecendo. Doença é doença, não é a gente. Se estou gripado, a gripe não sou eu. A esquizofrenia é uma doença, mas eu não sou a esquizofrenia. Posso evoluir, me tornar uma pessoa mais madura, debaixo de toda aquela confusão. O esquizofrênico com 50 anos não é o mesmo de quando tinha 17.

sexta-feira, março 02, 2012

DIREITA OU ESQUERDA!!!



Todos os dias eu vejo “petistas, socialistas e comunistas de última hora” invocando conceitos ideológicos, já há muito sepultados nas valas do tempo, como por exemplo, fulano é de “Direita, cicrano é de Esquerda”. 



Esses fraudadores, por ignorância congenial, pecham de “direitistas” pessoas como eu e como mais de 65% do povo brasileiro, que reprova o populismo e a corrupção oficial disseminada no Brasil por Lula, Dilma, José Dirceu e muitos outros mensaleiros e quadrilheiros do PT que outrora eram membros dos grupos de delinquentes urbanos que roubavam e matavam para implantar no Brasil uma ditadura stalinista. 



A esses esquerdistas de araque do Brasil eu perguntaria: FHC e José Serra (velhos militantes socialistas, exilados e fundadores do PSDB) são de direita? Hélio Bicudo, fundador do PT, é da direita? Heloísa Helena, Plínio de Arruda Sampaio (PSOL) e Fernando Gabeira (PV) são da direita? 



Para deixá-los ainda mais desnorteados, eu perguntaria: José Sarney, Fernando Collor, Michel Temer, Renan Calheiros, Jader Barbalho, e o burguês-milionário de nome José Dirceu, são da esquerda? E os quadrilheiros do PT, juntamente com os lacaios do PMDB e da base aliada do governo Dilma, são de esquerda¿ Dilma é de esquerda? E você, leitor, representa o que, para os falastrões que levantam esse tipo espúrio de conceito ideológico fraudulento: é de Esquerda ou de Direita? 


Ora, se quem é contra a endemia da corrupção e o populismo stalinista dessa camarilha no poder é ser-se da direita, eu sou então da extrema-direita. Mas se quem defende de forma intransigente a Democracia, o Estado de Direito, as Garantias Individuais e a Liberdade de Expressão e de Imprensa, é ser-se da esquerda, então eu sou da extrema esquerda. 

Essa dicotomia vigia com autarcia na França do final do século XVIII, ao tempo em que o sistema político era composto por três grupos, os chamados Estados Gerais, formados pelo Clero, Nobreza e pelo Terceiro Estado, composto pelo chamado “resto” da população (industriais, comerciantes, profissionais liberais, artesãos, banqueiros, etc.). 

Cabia exclusivamente ao Terceiro Estado a obrigação de PAGAR IMPOSTOS para suster o luxo do Clero e da Nobreza. Inconformado, o Terceiro Estado iniciou a Revolução Francesa, que acabaria com os privilégios das cortes com seus apaniguados e mudaria a esdrúxula situação parasitária do Clero e da Nobreza. 

O que originou os termos Direita e Esquerda foi o fato de os membros do terceiro estado sentarem à esquerda do rei, enquanto os do clero e da nobreza sentavam à direita. Foi assim que se originaram os conceitos: Direita era situação (grupo conservador) e Esquerda era oposição (grupo da rebelião).

Mas os tempos mudaram e o fato de alguém ser taxado de Direita ou de Esquerda tornou-se algo mimético, ilusório e não permanente, uma vez que cada partido político tem seu preço de venda no varejo e no atacado, e cada político também, podendo cada um se promiscuir segundo os próprios interesses, saltando da situação para a oposição e vice-versa, sem  receio algum de perder o mandato por aplicar calotes e estelionatos eleitorais nos seus currais.

Evidentemente que não há no Brasil uma disputa ideológica no sentido clássico do termo. O que há, de fato e verdadeiramente é uma disputa pelo poder e pela grana pública que todos os dias é desviada dos ministérios, secretarias, estatais, agências reguladoras, governos estaduais e municipais, para entupir os cofres dos petistas, socialistas e comunistas de araque que estão no poder assaltando impunemente. 

Parafraseando o filósofo Santayanna, quem não aprendeu as lições da história está condenado a repetir os erros do passado e, como sabemos cabalmente, o populismo, o patrulhamento e o aparelhamento do Estado sempre foram os meios pelos quais os psicopatas empreenderam as grandes tragédias da humanidade.

Ruy Câmara
Escritor