quinta-feira, agosto 07, 2014

O BANIMENTO ELEITORAL DE UMA OLIGARQUIA

A oligarquia Ferreira Gomes está no poder há pelo menos 30 anos e mesmo tendo governado o Ceará 3 (três) vezes e a capital 2 (duas) vezes, não esconde de ninguém que intenciona continuar no comando dos negócios públicos do Estado, como se o Ceará e sua capital, fossem um feudo da família.

http://blogdoescritorruycmara.blogspot.com/2014/08/adeus-rapaziada-de-sobral.html

É importante observar que, a cada eleição os oligarcas de Sobral mudam de partido, de discurso, de aliados, de alvos para os seus ataques inconsequentes, e desse modo vão ficando, ficando, ora atraiçoando os aliados que os puseram no poder, ora unindo-se ao que há de pior e de mais ordinário na política brasileira e local.   

Nas eleições de 2010 a oligarquia construiu um extenso arco de alianças políticas e reelegeu com facilidade, no 1º turno, um dos seus herdeiros, o atual governador do Ceará, Cid Gomes.

A vitória dos oligarcas foi bastante facilitada pelas condições precárias dos seus adversários, todos eles muito fraquinhos, sem carismas, sem históricos, sem experiências, sem discursos, sem influências na política nacional, e mais, sem apoiadores de peso e sem caixa para contracooptar as ações da oligarquia e dos seus aliados nos currais eleitorais.     

Além da máquina do Estado em suas mãos, os oligarcas tinham em seu favor o engajamento político, financeiro e eleitoral dos poderes, municipal e federal, tendo ainda o campeão mundial de mentiras por minuto, Lula, a ‘incompetenta presidenta’, Dilma e a totalidade do PT nos palanques, bem como o apoio irrestrito dos caciques do PMDB (municipal, estadual e nacional), e mais, tinham botijas de dinheiro e um vasto tempo de TV para esmagar os adversários,  sendo uma das vítimas, o senador, Tasso Jereissati, a quem os rapazes de Sobral devem quase tudo o que conquistaram na vida, inclusive o poder que os sustêm há mais de 30 anos. 

Ocorre que nessas eleições, as condições e circunstâncias mudaram, o quadro político se inverteu completamente, a correlação de forças também (o adversário de agora é robusto e astuto), e pelo que se desenha, tudo indica que os candidatos majoritários (ao governo e senado) da oligarquia serão atropelados e amargarão uma frustrante derrota, logo no 1º turno.

O leitor deve estar se perguntando por que eu canto a derrota da oligarquia de Sobral com tanta convicção e logo no 1º turno? É fácil explicar!

1.     PLEBISCITO:
Dessa vez as eleições serão um plebiscito, de um lado, pela continuidade de um grupo de poder que chega ao final do segundo mandato bastante desgastado e apresentando claros sintomas de fadiga; e do outro, pelo latente desejo de mudanças que se levanta no país, desejo esse que será bastante ampliado em função da disputa presidencial.

2.     VAZIO:
Como os oligarcas não estão disputando diretamente as eleições, não há garantia de que consigam transferir os votos necessários para eleger seus afilhados, uma vez que esse vazio, descompromete um vasto universo apoiadores e de eleitores afinados até então com o projeto em curso.     

3.     ESCOLHA:
A escolha dos afilhados para a sucessão da oligarquia não foi feliz e não foi bem recebida nem mesmo pelos aliados. Prevaleceu na escolha a afinidade sentimental e não o mérito, o histórico, a folha de serviços e o preparo formal. Tanto é verdade que, no rol de uma dezena de nomes, a oligarquia escolheu uma dupla muito fraquinha, sem carisma, sem discurso, sem influência na política nacional, e mais: sem contar com os apoios irrestritos que tinha antes, de Lula, Dilma, Luizianne e de todos os petistas e petralhas que atualmente estão divididos, enciumados e em acirrado conflito e alguns, trancafiados.

4.     ADVERSÁRIO:
Um dos principais aliados nas eleições anteriores, Eunício Oliveira, foi preterido e ergueu-se como um adversário de peso da oligarquia, tanto pela sua superioridade política em relação ao seu adversário, Camilo, quanto pela sua liderança inquestionável sobre a totalidade do PMDB, sobre boa parte do PT local e também sobre uma parcela expressiva dos candidatos proporcionais (deputados) que, mesmo estando formalmente na base de apoio da oligarquia, trabalham abertamente pelas eleições de Eunício Oliveira, Tasso Jereissati e Aécio Neves.

5.     FICHA
Numa simples comparação das biografias e das fichas dos candidatos em disputa, o eleitor verá com suspeição que, enquanto Eunício Oliveira não responde por nenhum processo na justiça, seu adversário, Camilo Santana, responde 9 processos envolvendo verbas públicas e execução.

6.     ROBUSTEZ
Eunício terá a seu dispor, igualmente, um generoso tempo de TV; tem a seu lado, um dos nomes mais respeitados na política brasileira, Tasso Jereissati (possante puxador de votos); tem ainda um vice do porte de Roberto Pessoa, dono de votos abundantes em todos os municípios do Ceará, notadamente nos maiores; e de quebra, Eunício tem caixa suficiente para contracooptar todas as investidas contrárias, e tem a astúcia necessária para ampliar as ações de campanha menos ortodoxas.

7.     PESQUISAS:
As provas de fadiga da gestão Cid Gomes, da sua impossibilidade de transferir votos e do desejo de mudanças da sociedade, estão nitidamente refletidas em todas as pesquisas de intenção de voto do eleitor, nas quais, Eunício e Tasso lideram com folga.

O único ponto vulnerável que antevejo em prejuízo ético da campanha de Eunício Oliveira e que poderá beneficiar o seu adversário, Camilo (apoiado por Dilma), diz respeito a uma contradição já percebida de forma difusa pelo eleitor: de um lado Eunício tem o apoio ambíguo e muito duvidoso de Lula e do outro, o apoio de firme e decisivo de Tasso Jereissati, o senador que o Ceará e o Brasil precisão.  

Nesse aspecto de coerência ou incoerência, creio que os dois lados poderão se igualar, em lucros e perdas, tendo Eunício um trunfo que Camilo não terá jamais: a possibilidade de embarcar de última hora na companha de Aécio Neves, de quem o PT é freguês em todas as eleições em que o jovem senador mineiro tomara parte diretamente.  

Pelo que demonstrei, posso afirmar, sem medo de errar, que os oligarcas cometeram um erro estratégico e outro de avaliação, quando subestimaram e preteriram um ex-aliado de robustez política invejável, empurrando-o quase a força para a oposição e em consequência desse ato, empurram também importantes lideranças regionais e nacionais, centenas de aliados e milhares de eleitores, permitindo a Eunício firmar alianças fortíssimas em todos os níveis, inclusive uma, que nem de longe se imaginava possível: com o PSDB de Tasso Jereissati e Aécio Neves.

Ruy Câmara