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domingo, dezembro 19, 2021

CRÔNICA DE ITAITINGA



FATOS:

ITAITINGA, a novíssima SUCUPIRA da adulância e confabulância sigilenta do Ceará, celebrou e registrou em vídeo a necessaríssima visita dessa figura trepidante, inoxidável e dinamitosa do mui digno SUPLENTÍSSIMO DE SENADOR apossado sem nenhum voto, e o fez com todos os acautelatórios e meticulâncias de uma guarda de honra insuspeita e puxasaquista que atuou no enredo sem se importar com os encompridamentos dos falatórios e coloquiamentos maldosos que alimentam a imprensa lida, olhada e escutada nessas bandas de mundo.


MESTRE DE CERIMÔNIA:

“Meus amigos e correligionários: por merecência da confiança dos que aqui se presentificam, vamos deixar os entretantos de lado vamos partir para os finalmentes... Por vontade dos munícipes desatendidos em todas as suas demandas, ouviremos agora as palavras sábias do digníssimo e maquiavelento alcaide da grandiosa e desenvolvimentista ITAITINGA, a novíssima SUCUPIRA cearense.”

PREFEITO

“Povo de Itaitinga: não obstantemente o puxa-saquismo dos larapistas que disputam os tronos mais altos e mais baixos do Estado, é com o coração confranzido de emoção e com o espírito esverdecido e amarelecento de amor pelo Brasil, que recebo em nosso município a figura descorpulenta, trepidante e dinamitosa do meu querido senador, doutor Chiquinho.

Emboramente com a alma lavada e enxaguada, nesta hora exorbitante, neste momento extrapolante em que o meu espírito retaguardista se dirige ao altíssimo, peço os mais calorosos aplausos de vocês, meus irmãos de ITAITINGA, para o nosso visitante solucionista, agora senador da república na vacância para folga do doutor Tasso.

Tal-qualmente a visita do Capitão Mombaça ao seu torrão natal na ocupância da presidência do Brasil em 1989, a visita apoteótica do nosso senador, entrará prafrentemente nos anais e menstruais da querida e lendária ITAITINGA e do nosso país, como a mais memorável, a mais apetrechada e a mais solucionática visita de uma autoridade despida estripitisicamente de qualquer ambição de glória, a um município pacatista do nosso Ceará.

UM ELEITOR

“Diante do vulto impoluto de um senador entronado para o ócio e descanso do titular da vaga, e olhando pratrazmente para as confabulâncias sigilistas e descomposturas dos líderes locais no Congresso Nacional e no Estado inteiro, eu alço os olhos para o alto e, vendo no céu a cruz de estrelas que protege os suplentes e a eles presenteiam com aposentadorias compulsórias imerecidas, peço ao Altíssimo que olhe para a nossa Itaitinga, que acorde esse povo de meu Deus e que perdoe a jumentice crônica e o puxa-saquismo da pobre e ingênua gente cearense que, que, mormente após a morte, não precisa defuntar por três léguas por falta de cemitério, como era o caso de SUCUPIRA.

Autor Desconhecido

NOVELA:
ITAITINGA, a novíssima SUCUPIRA da adulância e confabulância sigilenta do Ceará, celebrou e registrou em vídeo a necessaríssima visita dessa figura trepidante, inoxidável e dinamitosa do mui digno SUPLENTÍSSIMO DE SENADOR apossado sem nenhum voto, e o fez com todos os acautelatórios e meticulâncias de uma guarda de honra insuspeita e puxasaquista que atuou no enredo sem se importar com os encompridamentos dos falatórios e coloquiamentos maldosos que alimentam a imprensa lida, olhada e escutada nessas bandas de mundo.
MESTRE DE CERIMÔNIA:
“Meus amigos e correligionários: por merecência da confiança dos que aqui se presentificam, vamos deixar os entretantos de lado e vamos partir para os finalmentes... Por vontade dos munícipes desatendidos em todas as suas demandas, ouviremos agora as palavras sábias do digníssimo e maquiavelento alcaide da grandiosa e desenvolvimentista ITAITINGA, a novíssima SUCUPIRA cearense.”
PREFEITO
“Povo de Itaitinga: não obstantemente o puxa-saquismo dos larapistas que disputam os tronos mais altos e mais baixos do Estado, é com o coração confranzido de emoção e com o espírito esverdecido e amarelecento de amor pelo Brasil, que recebo em nosso município a figura descorpulenta, trepidante e dinamitosa do meu querido senador, doutor Chiquinho.
Emboramente com a alma lavada e enxaguada, nesta hora exorbitante, neste momento extrapolante em que o meu espírito retaguardista se dirige ao altíssimo, peço os mais calorosos aplausos de vocês, meus irmãos de ITAITINGA, para o nosso visitante solucionista, agora senador da república na vacância para folga do doutor Tasso.
Tal-qualmente a visita do Capitão Mombaça ao seu torrão natal na ocupância da presidência do Brasil em 1989, a visita apoteótica do nosso senador, entrará prafrentemente nos anais e menstruais da querida e lendária ITAITINGA e do nosso país, como a mais memorável, a mais apetrechada e a mais solucionática visita de uma autoridade despida estripitisicamente de qualquer ambição de glória, a um município pacatista do nosso Ceará.
UM ELEITOR
“Diante do vulto impoluto de um senador entronado para o ócio e descanso do titular da vaga, e olhando pratrazmente para as confabulâncias sigilistas e descomposturas dos líderes locais no Congresso Nacional e no Estado inteiro, eu alço os olhos para o alto e, vendo no céu a cruz de estrelas que protege os suplentes e a eles presenteiam com aposentadorias compulsórias imerecidas, peço ao Altíssimo que olhe para a nossa Itaitinga, que acorde esse povo de meu Deus e que perdoe a jumentice crônica e o puxa-saquismo da pobre e ingênua gente cearense que, que, mormente após a morte, não precisa defuntar por três léguas por falta de cemitério, como era o caso de SUCUPIRA.
Autor Desconhecido
Suspeita-se que o parafraseamento do autor desse texto incognominável e hemocaterético que defino cenas ridículas da vida cotidiana de uma comunidade, deve ter sido inspirado nos ágrafos de DIAS GOMES, Autor da Novela “O BEM AMADO” e inventor de figuras lendárias como: Odorico Paraguaçú, Zeca Diabo, Dirceu Borboleta e das Irmãs Cajazeiras.

segunda-feira, junho 20, 2016

CRÔNICA DA DELAÇÃO SUPERPREMIADA DE SERGIO MACHADO.

Conheci Sergio Machado nos anos 80, ao tempo em que atuávamos na iniciativa privada e associações de classe, com o propósito de consolidar no Ceará o 2º maior polo da indústria têxtil do Brasil. E o Estado conseguiu e depois destruiu. 

Em 1987, enquanto Eu e muitos outros empresários nos ocupávamos com a produção de manufaturados e negócios de exportação, os rapazes do CIC (Centro Industrial do Ceará), liderados por Tasso Jereissati, Sergio Machado, Beni Veras e outros, ingressaram na vida pública, ganharam as eleições e tomaram as rédeas do governo do Ceará. 


Mas, no final daquela década conturbada a economia brasileira começou a sofrer severamente as inconsequências dos planos econômicos mais desastrados da história (plano cruzado, plano Bresser...) e a indústria manufatureira do Brasil afundou durante o governo Sarney, levando para o abismo milhares de empresas comerciais de todos os portes e setores da economia.



Em 1992, Fernando Collor de Mello gritou do palácio que o Ceará já era uma referência e um exemplo de gestão pública a ser seguido pelo Brasil. Enquanto todos nós aplaudíamos as proezas políticas dos rapazes do CIC Eu, em meio a mais uma crise econômica e política que se abatia ferozmente sobre o país, decidi me afastar dos negócios, apurei uns trocados e passei a me dedicar exclusivamente aos livros. 



Naqueles anos perversos e adversos para quem produzia, Sergio Machada enfrentava muitas dificuldades financeiras, mas com o apoio de Tasso Jereissati e outras lideranças do Estado, ele elegeu-se deputado federal, depois elegeu-se senador da república pelo PSDB; e eu permaneci encafuado na minha biblioteca por 11 anos, sem me deixar contaminar com as questões do mundo empresarial e político.  


Em abril de 2002, Sergio Machado (senador em fim de mandato e relator do orçamento da União) apareceu na minha casa na companhia do seu filho, Daniel Machado, e falou-me com entusiasmo dos seus planos políticos, dos conflitos de interesses com os seus ex-aliados do CIC, falou-me das dificuldades eleitorais que enfrentaria, já que Tasso Jereissati, Ciro Gomes e outros, decidiram apoiar o senador tucano, Lúcio Alcântara, hoje um dileto amigo a quem prezo muitíssimo. 

Poucos dias depois dessa visita reunimos um grupo de apoiadores da sociedade civil, instalamos o comitê central de campanha em minha casa, escrevemos a dez mãos um consistente plano de governo e lançamos Sergio Machado ao governo do Ceará. Durante 6 meses de canseira e de convivência intensa com sua família (esposa, filhos, irmãos e seus pais) a nossa amizade se fortaleceu, fortalecendo mais ainda a nossa convicção de que Lula e o PT seriam um desastre para o país. 

É verdade que lutamos com afinco contra todas as forças contrárias ao nosso projeto (e eram muitas e bem mais poderosas), mas a escassez de recursos financeiros prejudicou a campanha na reta final e Sérgio Machado perdeu as eleições para Lúcio Alcântara, o candidato do PSDB que mais tarde viria a romper com os patrocinadores da sua vitória: Tasso, Ciro e outros líderes locais. 

Em 2003 vieram as compensações que aplacaram de certo modo a derrota de 2002. O meu romance de estreia na literatura foi publicado e em seguida agraciado com os prêmios máximos da literatura brasileira; e Sergio Machado, com o apoio de Renan Calheiros e de outros líderes do PMDB, foi escolhido por Lula para dirigir a Transpetro. 

A notícia me alegrou de verdade, afinal, Sérgio Machado estava sem recursos e carecia se refazer do tombo. Mas ao saber que seu partido (PMDB) estava completamente seduzido pelas facilidades do poder e que passaria a dormir no covil de promiscuidade do PT, preferi me manter distante do novo projeto do Sergio Machado, chegando a dizer para três amigos que ocupariam os cargos de comando na Transpetro, que eu continuaria escrevendo livros e fazendo oposição a Lula e ao PT. 

Naquela época o genial Beni Veras, um amigo da iniciativa privada que Tasso Jereissati escolhera como seu vice-governador, cunhou uma frase na FIEC que se tornaria icônica e trágica: Seu amigo Sergio Machado sairá da Transpetro rico ou preso. 

Confesso que à época eu cheguei a pensar que o meu amigo Beni Veras estava com inveja do Sergio, afinal, comandar uma Transpetro era muito mais fácil do que dirigir um Estado pobre, endividado e com problemas em todas as suas área finalísticas. 

Após 13 anos sem nenhum contato pessoal com Sergio Machado, não por intriga, mas porque o meu ofício de escritor exige reclusão, eis que seu nome, sua imagem e sua trama delatora estouraram no noticiário do Brasil como uma bomba, e só então eu percebi que, cumprira-se com plenitude e autarcia o vaticínio do sábio e probo, Beni Veras: Sergio Machado foi mesmo banido da Transpetro, rico e preso. 

Ruy Câmara

http://blogdoescritorruycmara.blogspot.com.br/2016/06/cronica-da-delacao-superpremiada-de.html

segunda-feira, fevereiro 09, 2015

FRUSTRANTE COMPARAÇÃO

É frustrante comparar os investimentos em EDUCAÇÃO nos EUA com os investimentos no Brasil, pela desproporção das suas grandezas. Vejamos a disparidade: 

No orçamento (PLOA 2015) o governo Dilma provisionou apenas R$ 56,48 bilhões para todo o sistema de Educação Básica; Educação Profissional e Tecnologia: Superior, Pós, Pesquisa e Extensão no Brasil. 

Ora, apenas STANFORD, uma universidade em Palo Alto, no Vale do Silício, dispões de um orçamento de R$ 21,4 bilhões de dólares, equivalente a R$ 57,78 bilhões de Reais. Ou seja, o orçamento dessa universidade é maior do que todo o orçamento do Governo Federal para a Educação, sendo ainda 2.4 vezes maior do que o orçamento do Estado do Ceará para 2015. 

E se incluirmos HARVARD, com orçamento equivalente a R$ 91,8 bilhões + YALE, com orçamento de R$ 61 bilhões + UNIVERSITY OF TEXAS, com R$ 60 bilhões + PRINCENTON, com R$ 50 bilhões; podemos afirmar que, somente 5 universidades particulares nos EUA (dentre mais de 500 outras) dispõem de R$ 320 bilhões, ou seja, 5.6 vezes mais do que todo o orçamento do Brasil para a Educação. É possível comprar? 

Concluo esta reflexão afirmando: muitos doutores e mestres no Brasil precisam sair da CAVERNA DE PLATÃO para entender o óbvio, ou seja: a ignorância da massa brasileira; o populismo xenófobo dos governos rudes; o peleguismo fomentado por políticos ordinários; e a endemia da miséria social no Brasil são consequências diretas da precariedade dos investimentos em Educação em todos os níveis. 

Ruy Câmara  
Escritor
http://blogdoescritorruycmara.blogspot.com.br/2015/02/uma-frustrante-comparacao.html


Visita in-loco:

Stanford



Harvard

Ver os links abaixo: 

Orçamento do Estado do Ceará - Exercício 2015:

Orçamento da União - Exercício 2015
http://www.planejamento.gov.br/secretarias/upload/Arquivos/sof/PLOA2015/Volume_I_PLOA_2015.pdf

STANFORD UNIVERSITY - PALO ALTO

quinta-feira, agosto 07, 2014

O BANIMENTO ELEITORAL DE UMA OLIGARQUIA

A oligarquia Ferreira Gomes está no poder há pelo menos 30 anos e mesmo tendo governado o Ceará 3 (três) vezes e a capital 2 (duas) vezes, não esconde de ninguém que intenciona continuar no comando dos negócios públicos do Estado, como se o Ceará e sua capital, fossem um feudo da família.

http://blogdoescritorruycmara.blogspot.com/2014/08/adeus-rapaziada-de-sobral.html

É importante observar que, a cada eleição os oligarcas de Sobral mudam de partido, de discurso, de aliados, de alvos para os seus ataques inconsequentes, e desse modo vão ficando, ficando, ora atraiçoando os aliados que os puseram no poder, ora unindo-se ao que há de pior e de mais ordinário na política brasileira e local.   

Nas eleições de 2010 a oligarquia construiu um extenso arco de alianças políticas e reelegeu com facilidade, no 1º turno, um dos seus herdeiros, o atual governador do Ceará, Cid Gomes.

A vitória dos oligarcas foi bastante facilitada pelas condições precárias dos seus adversários, todos eles muito fraquinhos, sem carismas, sem históricos, sem experiências, sem discursos, sem influências na política nacional, e mais, sem apoiadores de peso e sem caixa para contracooptar as ações da oligarquia e dos seus aliados nos currais eleitorais.     

Além da máquina do Estado em suas mãos, os oligarcas tinham em seu favor o engajamento político, financeiro e eleitoral dos poderes, municipal e federal, tendo ainda o campeão mundial de mentiras por minuto, Lula, a ‘incompetenta presidenta’, Dilma e a totalidade do PT nos palanques, bem como o apoio irrestrito dos caciques do PMDB (municipal, estadual e nacional), e mais, tinham botijas de dinheiro e um vasto tempo de TV para esmagar os adversários,  sendo uma das vítimas, o senador, Tasso Jereissati, a quem os rapazes de Sobral devem quase tudo o que conquistaram na vida, inclusive o poder que os sustêm há mais de 30 anos. 

Ocorre que nessas eleições, as condições e circunstâncias mudaram, o quadro político se inverteu completamente, a correlação de forças também (o adversário de agora é robusto e astuto), e pelo que se desenha, tudo indica que os candidatos majoritários (ao governo e senado) da oligarquia serão atropelados e amargarão uma frustrante derrota, logo no 1º turno.

O leitor deve estar se perguntando por que eu canto a derrota da oligarquia de Sobral com tanta convicção e logo no 1º turno? É fácil explicar!

1.     PLEBISCITO:
Dessa vez as eleições serão um plebiscito, de um lado, pela continuidade de um grupo de poder que chega ao final do segundo mandato bastante desgastado e apresentando claros sintomas de fadiga; e do outro, pelo latente desejo de mudanças que se levanta no país, desejo esse que será bastante ampliado em função da disputa presidencial.

2.     VAZIO:
Como os oligarcas não estão disputando diretamente as eleições, não há garantia de que consigam transferir os votos necessários para eleger seus afilhados, uma vez que esse vazio, descompromete um vasto universo apoiadores e de eleitores afinados até então com o projeto em curso.     

3.     ESCOLHA:
A escolha dos afilhados para a sucessão da oligarquia não foi feliz e não foi bem recebida nem mesmo pelos aliados. Prevaleceu na escolha a afinidade sentimental e não o mérito, o histórico, a folha de serviços e o preparo formal. Tanto é verdade que, no rol de uma dezena de nomes, a oligarquia escolheu uma dupla muito fraquinha, sem carisma, sem discurso, sem influência na política nacional, e mais: sem contar com os apoios irrestritos que tinha antes, de Lula, Dilma, Luizianne e de todos os petistas e petralhas que atualmente estão divididos, enciumados e em acirrado conflito e alguns, trancafiados.

4.     ADVERSÁRIO:
Um dos principais aliados nas eleições anteriores, Eunício Oliveira, foi preterido e ergueu-se como um adversário de peso da oligarquia, tanto pela sua superioridade política em relação ao seu adversário, Camilo, quanto pela sua liderança inquestionável sobre a totalidade do PMDB, sobre boa parte do PT local e também sobre uma parcela expressiva dos candidatos proporcionais (deputados) que, mesmo estando formalmente na base de apoio da oligarquia, trabalham abertamente pelas eleições de Eunício Oliveira, Tasso Jereissati e Aécio Neves.

5.     FICHA
Numa simples comparação das biografias e das fichas dos candidatos em disputa, o eleitor verá com suspeição que, enquanto Eunício Oliveira não responde por nenhum processo na justiça, seu adversário, Camilo Santana, responde 9 processos envolvendo verbas públicas e execução.

6.     ROBUSTEZ
Eunício terá a seu dispor, igualmente, um generoso tempo de TV; tem a seu lado, um dos nomes mais respeitados na política brasileira, Tasso Jereissati (possante puxador de votos); tem ainda um vice do porte de Roberto Pessoa, dono de votos abundantes em todos os municípios do Ceará, notadamente nos maiores; e de quebra, Eunício tem caixa suficiente para contracooptar todas as investidas contrárias, e tem a astúcia necessária para ampliar as ações de campanha menos ortodoxas.

7.     PESQUISAS:
As provas de fadiga da gestão Cid Gomes, da sua impossibilidade de transferir votos e do desejo de mudanças da sociedade, estão nitidamente refletidas em todas as pesquisas de intenção de voto do eleitor, nas quais, Eunício e Tasso lideram com folga.

O único ponto vulnerável que antevejo em prejuízo ético da campanha de Eunício Oliveira e que poderá beneficiar o seu adversário, Camilo (apoiado por Dilma), diz respeito a uma contradição já percebida de forma difusa pelo eleitor: de um lado Eunício tem o apoio ambíguo e muito duvidoso de Lula e do outro, o apoio de firme e decisivo de Tasso Jereissati, o senador que o Ceará e o Brasil precisão.  

Nesse aspecto de coerência ou incoerência, creio que os dois lados poderão se igualar, em lucros e perdas, tendo Eunício um trunfo que Camilo não terá jamais: a possibilidade de embarcar de última hora na companha de Aécio Neves, de quem o PT é freguês em todas as eleições em que o jovem senador mineiro tomara parte diretamente.  

Pelo que demonstrei, posso afirmar, sem medo de errar, que os oligarcas cometeram um erro estratégico e outro de avaliação, quando subestimaram e preteriram um ex-aliado de robustez política invejável, empurrando-o quase a força para a oposição e em consequência desse ato, empurram também importantes lideranças regionais e nacionais, centenas de aliados e milhares de eleitores, permitindo a Eunício firmar alianças fortíssimas em todos os níveis, inclusive uma, que nem de longe se imaginava possível: com o PSDB de Tasso Jereissati e Aécio Neves.

Ruy Câmara


domingo, junho 29, 2014

METROFOR

O velho e ultrapassado METRÔ DE FORTALEZA, obra iniciada em setembro de 1987, portanto, há exatos 27 anos (ouviram bem, há 27 anos) já consumiu mais de R$ 12 bilhões do contribuinte e até hoje se arrasta com a LERDEZA DE UMA CENTOPEIA com a barriga cheia.

Nota: A tabela ao lado foi publicada há 15 anos.

Lembro-me bem do Lula, Dilma, Cid Gomes, Luizienne e outros ilusionistas, ganhando eleições no Ceará, prometendo e reprometendo que entregariam o Metrô mais moderno do mundo antes da Copa.

Imaginem, amigos e leitores, todo esse tempo (quase 3 décadas) e toda essa grana preta, para entregar à população um sistema de trens lentos e ultrapassados, com velocidade de no máximo 75 km/h, sobre uma malha férrea de 75 km, em grande parte de superfície, e eté ontem, apenas 24 km da malha sul, continuam há 2 anos em fase de testes, operando em média 4 h por dia.

O governo alega que, para o METRÔ entrar em operação comercial, ainda faltam 4 licitações, de valor de R$ 186 milhões.

Não resta dúvida de que, transformaram o velho e ultrapassado METRÔ de FORTALEZA, na cacimba mais funda que os TATUZÕES já cavaram em todo o planeta.

quarta-feira, outubro 02, 2013

O TROCA-TROCA DOS SALTIMBANCOS DA POLÍTICA DO CEARÁ



As notícias dão conta de que os membros da OLIGARQUIA, FERREIRA GOMES DE SOBRAL, mais uma vez mudaram de partido, o fazendo, não por vontade própria, mas porque o governador Eduardo Campos (dono do PSB), forçou a debandado do bloco ao negar a legenda que Ciro Gomes queria, não para apoiar Dilma (como vem pregando por aí) mas para lançar a própria candidatura à presidente do Brasil, na vaga que será deixada por Dilma em 2014.

Quem conhece o oportunismo e a capacidade de traição dos oligarcas de Sobral sabe que, se eles tivessem o controle do PSB, nessas alturas os nomes de Aécio Neves, Marina Silva e Dilma/Lula seriam os alvos prioritários dos seus ataques oportunistas.

Vimos esses mesmos filmetes nas duas últimas eleições (2010 e 2012), quando Ciro, Cid e Cia Gomes se aliaram ao PT de última hora para banir Tasso Jereissati da vida pública (a quem devem tudo o que conquistaram na política) e recentemente romperam com a aliada, Luizianne Lins, e a isolaram no PT para garantir a hegemonia política da família no comando dos negócios públicos do Ceará. 

Com tantas mudanças de partido, Cid e Ciro Gomes tornaram-se, verdadeiramente, os mais miméticos e ilusórios camaleões da política ordinária e oportunista que se alastra pelo Brasil. 

Ciro começou sua carreira de político SALTIMBANCO no PDS, sucessor da velha e caluniada ARENA, partido dos generais da contra-revolução de 64 que livrou o Brasil do comunismo.

Em 1983, Ciro viu um buraco e entrou no PMDB (partido que chamou de ajuntamento de ladrões).

Em 1988 abriu a porteira e passou para o PSDB, atraído pelo magnetismo dos lendários, Mário Covas, Fernando Henrique, José Serra, Tasso Jereissati e outros vultos da política nacional. 
Em 1996, Ciro saltou para o PPS, partido sob o comando do ex-comunista, Roberto Freire. 
Em 2003 Ciro e Cia Gomes romperam com o PPS e arrancharam-se no PSB, partido aliado do PT e infestado de socialistas de araque.
E agora, por não dispor de legenda partidária para disputar com Aécio e Dilma, Ciro foi instado a deixar o PSB pela porta de fundos. 

Como não há partidos no Brasil sem dono, Ciro, Cid & Cia Gomes estão ingressando na mais nova legenda de aluguel da praça, o PROS, criada de última hora para facilitar o troca-troca partidário nesse promiscuído mercado político brasileiro. Esse é o quadro cromático dos camaleões da política tupiniquim e rastaquera do Ceará, políticos capazes de tudo para levarem adiante o sonho sonambúlico e deletério de ampliar seus CURRAIS ELEITORAIS para se tornarem LATIFUNDIÁRIOS DO BRASIL. 

É certo que nas próximas eleições esse SALTIMBANCOS DA POLÍTICA LOCAL quererão tomar o PROS para eleger alguém do seus bando e, se não for possível dominar a legenda, trocarão novamente de partido. A pergunta é: que partido quererá abrigar os oligarcas saltimbancos que a cada eleição muda de aliados, de partido, de discurso e de caráter? 

Ruy Câmara

Nota:


Saltimbanco: Designa um grupo de farsantes, malabaristas, bufões, falastrões, fimâmbulos, arlequins, mentirosos, politiqueiros ou atores nômades que vão de um povoado a outro fazendo exibições de circo em troca de dinheiro, aplausos, comida ou hospedagem.







PDS (1979 - 1983)




PMDB (1983 - 1988)




PSDB (1988 - 1996)




PPS (1996 - 2003)




PSB (2003 - 2013)




PROS (2013-)




QUAL SERÁ O PRÓXIMO EM 2016?





sexta-feira, julho 20, 2012

BOA NOTÍCIA PARA A CULTURA DO CEARÁ


O governador Cid Gomes, astutamente, vem sondado o ex-secretário da Cultura, PAULO LINHARES, para a presidência do Instituto de Arte e Cultura do Ceará (IACC), órgão gestor do DRAGÃO DO MAR, esse equipamento que vem sendo sucateado desde a desastrosa gestão “Cláudia Leitão”; piorado nos tristes anos de inanição pela fracassada gestão “Auto Filho”; e agora parece um navio à deriva por incompetência do petista e atual secretário, “Francisco Pinheiro”, nome o qual é bom e prudente ser esquecido, afinal, Pinheiro, pelo senta-levanta, senta-levanta, tem sido o mais descomprometido gestor cultural de todos os tempos, responsável por ter usado a SECULT como se fosse um mausoléu à espera de um cadáver.

A notícia da nomeação do Paulo Linhares seria festejada de "A a Z", inclusive por mim (acusado de ser um crítico permanente das atuais políticas culturais) se o governador Cid Gomes tivesse nomeado agora e já o PAULO LINHARES para o posto o qual ninguém até hoje conseguiu substituí-lo a altura: o de gestor da Cultura do Ceará. Ora, ao contrário desses pobres bonifrates que passaram anos e anos enfatuados e embromando na SECULT, Paulo Linhares é do ramo da Cultura, conhece gestão cultural como poucos; realiza, sabe conseguir recursos e ademais de ser, por vivida experiência, um intelectual que sabe ler e muito bem, foi e é o mais arrojado gestor de cultura que vimos no Ceará desde a fundação da SECULT. Quanto a isso não se discute.

Como secretário, com certeza ele modificaria rapidamente essas leis burras e esdrúxulas, criadas por gestores sem visão alguma do grande conjunto de valores que a Cultura abrange. Os últimos “plutocratas” da Cultura foram tão estúpidos que conseguiram inutilizar completamente o MECENATO e criaram o velho balcão para suster apiniguados e preguiçosos que nada empreendem ou realizam. Ora, o MECENATO é, no mundo cultural civilizado e desenvolvido, o instrumento de gestão pública mais ágil e que efetivamente desenvolve, reconhece, difunde e promove de forma sustentável e dinâmica toda a cadeia produtiva da Cultura, permitindo aos profissionais viveram dignamente às custas do próprio talento.

É importante reafirmar que os três últimos gestores da SECULT desmantelaram, de forma até irresponsável, todos os mecanismos do MECENATO e empurraram goela à dentro dos autores, criadores e realizadores, essa famigerada subcultura de EDITAIS, em verdade um mecanismo de atraso, de engessamento da criação, de fomento das jogatinas políticas que os gestores míopes, rastaqueras e de visão obtusa, recorrem sempre quando estão perdidos, e o fazem com o fito único de ludibriar, de protelar as ações, e o que é pior, deixam de cumprir as normas e os prazos, impunemente.

Tenho dito por onde falo do meu ofício (e vou dizer nesse mês de agosto, na Rússia, Ucrânia, Polônia e Alemanha) que o diploma de dramaturgo, formado no Ceará pelo antigo Instituto Dragão do Mar de Arte e Cultura é o diploma que me dá mais orgulho e vale muito mais para mim do que qualquer outro que alguma instituição possa ou venha a me distinguir.

Sinto-me em condição de prestar esse depoimento, em primeiro lugar porque, tudo o que diz respeito à Cultura do Ceará também me diz respeito; e em segundo lugar porque urge, urge mesmo, uma solução vitamínica e não um placebo, para resolver a crise de subnutrição que a Cultura do Ceará suporta há décadas.

Aliás, posso comentar sobre esse tema sem nenhum receio porque sou, de fato e de direito, um dos poucos sobreviventes da Cultura que teve a sorte de conseguir algum destaque lá fora (aqui sou um proscrito) mas, aos contrário desses gestores raquíticos em Cultura, tenho a humildade de reconhecer que devo uma parte do sucesso conquistado como autor, graças às aulas dos mestre (Rui Guerra, Orlando Senna, Maurice Capovilla, Lauro César Diniz e muitos outros) que vieram para ensinar dramaturgia a um punhado de sonhadores. E como me lembro dos quase dois anos nas oficinas de criação do velho, sucateado e esquecido MIS – Museu da Imagem e do Som. E como me entristeço quando vejo o edifício cultural que construímos outrora, às duras penas, afundado completamente no nadismo realizado da última década.

Claro que o Ceará perdeu e muito com os fracassos das últimas gestões. Parece certo que meu velho mestre e querido amigo Maurice Capovilla tem justa razão quando me disse certo dia: “Uma pena que a consciência do naufrágio chega sempre depois de consumado. O tempo não resgata as vítimas e só recupera o navio um século depois”.

Ruy Câmara
Escritor

sábado, julho 14, 2012

TORTURA SONORA, IMPUNIDADE E DINHEIRO PÚBLICO




Não há nenhuma autoridade no Estado do Ceará se empenhando para que a Lei do Silêncio seja respeitada ou cumprida. Pior ainda: não há nenhum órgão público fiscalizando os ABUSOS e AGRESSÕES SONORAS por toda a cidade.

Fortaleza, que se transformou numa cidade incivilizada pela criminalidade cotidiana, torna-se também um ANTRO de baderna pública, de desordem sonora e de massificação de mentiras por toda parte.

Cadê a SEMAN? Cadê o Disk Silêncio? Cadê a Ronda? Cadê a IMPRENSA? Cadê o Governador? Cadê a Prefeita? Cadê o Ministério Público? Por que motivo todos esses órgão e pessoas estão omissos, completamente omissos, diante desse MASSACRE SONORO constante?



Claro que na falta da autoridade para coibir tantos absurdos, resta ao cidadão procurar se defender dessas agressões da forma como puder. 


Mas é preciso que a parte civilizada da população se manifeste nas redes sociais para dizer a esses governos irresponsáveis que não se faz um PREFITINHO na MARRA, produzindo barulho, e muito menos com gastanças desenfreadas e atos de incivilidade. O que ou quem essas marionetes do poder pensam que são? Donos das ruas, avenidas, praças?

A POLUIÇÃO SONORA EM FORTALEZA tornou-se um PANDEMÔNIO, uma TORTURA insuportável para as pessoas de todas as idades. Nossa cidade foi tomada de assalto por centenas de CARROS DE SONS barulhando por toda parte, em todos os horários, PROPAGANDEANDO nomes de pelegos que seus CHEFESTES POLÍTICOS querem eleger PREFEITO DE FORTALEZA.

O que está ocorrendo é um ABUSO e uma AFRONTA ao bom senso e à razão do CIDADÃO-CONTRIBUINTE, que vê tudo isso passivamente, sem se manifestar e sem esboçar nenhuma reação cidadã. Tampouco se importa que o dinheiro nosso continue sendo TORRADO de forma tão GROTESCA e INCIVILIZADA.

Com os patrocínios de Cid Gomes e de Luiziane Lins – gestores do dinheiro nosso - (dois) FANTOCHES de uma política rastaquera e tupiniquim se dão ao direito de quebrar o silêncio e tranquilidade das famílias de forma ABUSIVA, COVARDE e onerosa para o Estado e Município.

O Eleitor metropolizado deveria se perguntar, antes de votar nesses patifes do barulho e da poluição visual de onde vem tanto dinheiro para tantos estardalhaços? Posso garantir, ingênuo Eleitor, que a grana preta que estão torrando não saiu do bolso de Cid Gomes nem de Luiziane! Disso podemos ter certeza.

Ruy Câmara



http://blogdoescritorruycmara.blogspot.com.br/2012/07/tortura-sonora-impunidade-dinheiro.html

terça-feira, janeiro 03, 2012

NO QUE RESULTOU O ROUBO DE UMA LASQUINHA DE POPULARIDADE?

Por escassez de bom senso ou por excesso de vaidade a prefeita petista, Luizianne Lins, subiu ao palco no aterro da Praia de Iracema para roubar uma lasquinha de popularidade antes do show de Ivete Sangalo e ganhou do público-contruibuinte a maior vaia pública da história de Fortaleza. 






Somente uma assessoria muito incompetente não sabe que a exposição forçada e oportunista de uma autoridade em eventos festivos custeados pelo contribuinte sempre e inevitavelmente culmina num fiasco. A enxurrada de vaias e achaques abafou o discurso político de Luizianne Lins porque aquele momento não comportava e jamais comportará oportunismos políticos chulos. 




A festa de réveillon já caiu no esquecimento da multidão entorpecida pelo clima artificial da virada de ano, mas aquelas vaias continuarão reverberando nos tímpanos e na memória de uma prefeita que, apesar de estar no final do seu 2º mandato, não aprendeu que a cultura de pão e circo não deu certo nem mesmo na velha e caquética Roma dos Césares. 

Pode ser que as vaias que puseram Luizianne para chorar durante o réveillon de Fortaleza sirvam de reprimenda moral para tantos outro(a)s político(a)s rastaqueras e tupiniquins que andam por aí ansioso(a)s para tirar proveito político dos eventos festivos pagos pelos contribuintes.


Ruy Câmara
Escritor



2012 COMEÇA DE MAL A PIOR NO CEARÁ

2012 começou de mal a pior para o povo do nosso Ceará e mais ainda para a população da nossa tão maltratada Fortaleza. 


Sabemos nós e bem mais os especialistas em segurança que, as portas para a criminalidade, desordem e badernas se escancaram quando uma parte da população percebe a omissão ou negligência dos aparelhos do Estado.




A previsível e anunciada onda de assaltos, arrastões e crimes de toda ordem atingiu em cheio a população nesta terça-feira. O clima nas ruas da nossa capital é de tensão, medo e de revolta diante da criminalidade e marginalidade que assola todo o Estado do Ceará. 

Os Comerciantes do centro de Fortaleza e dos diversos bairros fecharam as portas. Todos os municípios do Estado estão completamente à mercê das quadrilhas de criminosas que passaram a atuar com total liberdade e impunemente diante da complacência das polícias e bombeiros, que estão de braços cruzados, torcendo para que o caos se estabeleça e apavore ainda mais a população desarmada e trancada em suas casas. 

Hoje, o Ceará é o Estado mais perigoso e violento da Amárica Latina e quiçá, do mundo. Por conta dessa violência sem cura e sem remédio, todos os postos de saúde de Fortaleza fecharam as portas; supermercados, lojas, shoppings, repartições públicas e serviços básicos também paralisaram as atividades por conta da insegurança; os Correios; as Secretarias Municipais; o Tribunal de Justiça, o Fórum Clóvis Beviláqua e todas as escolas públicas estão de portas fechadas. Os motoristas de ônibus da capital darão início a uma paralisação; os agentes de trânsito da Autarquia Municipal de Fortaleza (AMC) sumiram das ruas com seus cassetetes de pau; e as forças do Exército Brasileiro (tão prometidas pelo governador Cid Gomes) não estão conseguindo manter a ordem por deficiência de contingente.

Mas o palácio do governo e as famílias da OLIGARQUIA sobralense continuam muito bem protegidos pela polícia particular. Esse CAOS real e entrópico é o resultado mais objetivo da crise de governabilidade, fruto da INCOMPETÊNCIA, da JUMENTICE ou mesmo da escassez de TESTOSTERONA nos bagos de um GOVERNO fraco e incapaz de perceber as inconsequências dos próprios atos.

Ruy Câmara
Escritor



segunda-feira, janeiro 02, 2012

O Irreverente Quintino Cunha


O escritor, poeta, rábula, jornalista e anarquista, José Quintino da Cunha (parente do meu amigo, Roberto Cunha, e da minha nora, Andréa Cunha) nasceu em Itapajé – Ceará, antiga vila de São Francisco de Uruburetama, no dia 24 de julho de 1875, e faleceu em Fortaleza no dia 1º de junho de 1943.



Aos 11 anos de idade o menino já colaborava com jornais de Baturité. Na adolescência foi convidado e aceitou passar uns dias de férias na casa de um dos seus colegas do Colégio Militar. Viajou até a cidade e em lá chegando não encontrou os colegas, que haviam ido para uma fazenda noutra cidade. As tias idosas do colega o convidaram a ficar ali até a volta do sobrinho. Quintino aceitou de pronto o convite, desfez a mala e hospedou-se! À noite não lhe ofereceram jantar; na manhã seguinte não lhe deram o café da manhã e ao meio dia não almoçou. À noite, já bastante faminto, Quintino tirou a barriga da miséria comendo frutas no quintal. No outro dia, antes do sol nascer, resolveu ir embora, deixando um bilhete sobre a mesa:

"Adeus casinha da fome. 
Nunca mais me verás tu. 
Criei ferrugem nos dentes 
E teia de aranha no cu."

Rapaz erudito e de temperamento inquieto, viajou para a Amazônia, onde atuou como rábula durante 5 anos. Ganhou algum dinheiro e partiu para a Europa, onde publicou o seu primeiro livro de poemas "Pelo Solimões", de 1907. Retornando ao Ceará, Bacharelou-se na Faculdade de Direito do Ceará em 1909, passando a exercer a profissão de advogado criminalista. 

Foi deputado estadual de 1913- 1914, mas logo desistiu da carreira de político e encabeçou a campanha do Bode Ioiô para Vereador de Fortaleza. Quando abriram as urnas o animal (BODE) foi um dos candidatos mais votados. 

Certa vez, no tribunal do júri, levou até o promotor à comoção ao dizer que o acusado era arrimo de família e cuidava sozinho de sua mãezinha cega de mais de oitenta anos:

– Não olhem para o crime deste infeliz! Orem pela sua pobre mãe, velhinha, doente, alquebrada pelos anos e pela tristeza, implorando a misericórdia dos homens, genuflexa diante da justiça, se desfazendo em lágrimas, pedindo liberdade para o seu filho querido!

O réu foi inocentado. Na saída do tribunal, um dos presentes, sensibilizado, aproximou-se do causídico:
– Doutor Quintino, quero fazer uma visita à mãe daquele infeliz, pois quero ajudá-la!
– Ora! Eu sei lá se esse filho de uma égua algum dia teve mãe!

Quintinho fazia uma viagem de trem para Cariús (CE), mas no caminho havia uma parada em Iguatu (CE). Era o dia da inauguração do novo prédio do Fórum (ou Foro, como queiram). Alguns colegas, ao encontrarem Quintino na estação, convidaram-no para participar da solenidade.

Mal-humorado, Quintino perguntou:

– Quem é o juiz?
– É o Doutor Fulano.
– E o promotor?
– Sicrano.
– E o advogado?
– Beltrano.

Desdenhoso, o matreiro advogado torceu o nariz e resmungou:
– Pois isso não é um Foro! É um desaforo!

Quintino Cunha ganhou fama por seu estilo irreverente, carismático e hoje é lembrado pelas anedotas que pregava e contava. Tido como o precursor dos nossos humoristas literários, era excêntrico sem ser snobe, feio e cativante. Eternamente esquecido, sempre resgatado, figura ao lado dos grandes mestres do improviso literário ferino, como Bernard Shaw, Quevedo e Swift, sendo considerado pelo crítico Agripino Grieco "o maior humorista brasileiro de todos os tempos". 

Já célebre advogado, a fama de Quintino Cunha se espalhava pelo Nordeste. Certo dia ocorreu um crime no interior da Paraíba, onde pai e filho assassinaram um adversário político e para defendê-los, convidaram o famoso causídico. Quintino fez a defesa com muita propriedade conseguindo a absolvição dos réus. A cidade fez festa de comemoração pela semana, hospedando Dr. Quintino no melhor hotel. Eis que surge no hotel um humilde casal dos sítios afastados. O marido dirigiu-se ao advogado expondo-lhe o desejo de um desquite, em face dos desentendimentos do casal. Dr Quintino então pergunta-lhe se este possui algum bem, alguma propriedade. 

- Não doutor, eu nada "pissuo" e trabalho alugado, em sítios alheios. 
Vira-se para a esposa e faz-lhe idêntica pergunta, vindo a resposta. 
- Doutor, pra que a verdade lhe seja dita eu ainda tenho menos que ele. 
Dr. Quintino respondeu-lhes em versos: 

"A questão é muito tola!
Aqui mesmo, eu os desquito.
Fique ele com sua rola
E ela com o seu priquito." 

Quintino Cunha cousou-se diversas vezes e viveu em constante penúria financeira. Seu livro de versos mais famoso é, Pelo Solimões, publicado em Paris (1907) durante uma viagem do poeta à Europa à convite de amigos. 

Um dos casos mais conhecidos e apreciados pelos frequentadores da Praça do Ferreira nos anos 20 diz respeito a um assassinato perpetrado por um deficiente físico muito pobre, órfão de pai e mãe, que perambulava nas ruas do Centro de Fortaleza à procura de biscates. Tímido e calado, o moço parecia não se importar com as piadas e apelidos que recebia. Todos os dias um sujeito o chamava: "Chico Mei Cu!", "Chico Mei Cu!" e assim foram anos de chacotas. 

Certo dia, num ato de cólera, Francisco armou-se e desferiu umas punhaladas certeiras, ceifando a vida de um de seus mais ferrenhos mangadores. Foi preso no ato e imediatamente trancafiado na cadeia pública, onde permaneceu aguardando o julgamento. 

Atendendo às súplicas dos que queriam a libertação de Francisco, apareceu diante do Júri o consagrado advogado, Quintino Cunha. Após ouvir os argumento vigorosos da promotoria, que pedia a condenação e pena máxima para o réu, o Juiz convocou a defesa. Quintino Cunha levantou-se e entrou em cena: 

- Meritíssimo Juiz, Ilustríssimo Doutor Promotor, Respeitabilíssimos Jurados. Em defesa de Francisco eu tenho a dizer que... (Pausa). Sentou-se começou a escrever. 

Após alguns segundos de pausa, ele repete: 

- Meritíssimo Juiz, Ilustríssimo Doutor Promotor, Respeitabilíssimos Jurados. Em defesa de Francisco eu tenho a declarar que... (Nova pausa). Sentou-se e continuou escrevendo. 

Após os novos segundos de pausa, ele torna: - Meritíssimo Juiz, Ilustríssimo Doutor Promotor, Respeitabilíssimos Jurados. Em defesa de Francisco eu poderia falar que... 

De imediato o Juiz esbraveja: 

- Mas quanta demora! O Senhor irá ou não dar início à defesa do reú? 

Ao que Quintino replicou: 

Repare só, Meritíssimo: Não faz sequer um minuto que eu só me dirijo a vós de forma respeitosa, e já provoquei vossa inquietação. Agora imagine Vossa Excelência, o que deve ter passado pelas idéias do pobre Francisco, após todos esses anos de achincalhamento e mangoça pública. 

Seguindo, Quintino Cunha deu continuidade ao discurso de defesa. E com toda a eloquência e poder de convencimento que lhes eram peculiares, conseguiu a absorvição do réu. Saiu do tribunal carregado nos braços por seus amigos, rumo ao botequim mais próximo.

Germanófilo anti-Hitler; esquerdista anti-Stalin; homem do povo e orador nato, Quintino Cunha era culto, boêmio e frequentador assíduo da Praça do Ferreira nos anos 20 e 30, à época dos cafés Art Nouveau, Riche, Glória e do Comércio. Contemporâneo de Leonardo Mota, Gustavo Barroso e Paula Nei, foi homenageado por Euclides da Cunha, Guerra Junqueiro e Émile Faguet e por outros bastiões da Academia Francesa. 

É dele a singela expressão: "O cearense é como o passarinho: tem que arribar para fazer o ninho.” "No Ceará, o sujeito nasce na Fé, cresce na Esperança e morre na Caridade”.

Há quem diga que momentos antes de morrer Quintino ditou uma frase para seu próprio epitáfio: "O Padre Eterno, segundo conta a Sagrada Escritura, tirou o Mundo do nada... e eu nada tirei do mundo!”.


                                Quintino Cunha
                               Rui Barbosa Morto


                           Cerebração complexa e o primeiro
                           dos grandes homens nacionais em tudo.
                           Continente a viver do conteúdo
                           de si mesmo, na Pátria e no estrangeiro.


                          De virtudes, um másculo pioneiro;
                          da nossa Liberdade, eterno escudo;
                          deram-lhe tudo, menos sobretudo,
                          a direção do povo brasileiro!


                          Vivo, não fora a tanto necessário...
                          Morto, é tão grande, é tão extraordinário,
                          que encontra, em cada Estrela, um cemitério!


                          De onde passo a ilagir, um tanto aflito:
                          ou o Rui foi menos do que se tem dito,
                          ou este nosso Brasil é um caso sério...


Nota: soneto feito de improviso, numa mesa do bar Rotisserie, em Fortaleza, a pedido de Leonardo Mota, quando da morte de Rui Barbosa.
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Fontes:
Livro “Anedotas do Quintino”, de Plautus Cunha, com colaboração de José Rodrigues dos Santos.

PELO SOLIMÕES, Quintino Cunha, 2a. edição revista, Manaus: Editora Valer,1999. ISBN 85-86512-15-X

Comunhão da serra (c/ João Quintino)
Encontro das águas (c/ Mamede Cirino)
Mulher do norte (c/ João Quintino)
Vais? (c/ Manuel Cândido)