sexta-feira, julho 20, 2012

BOA NOTÍCIA PARA A CULTURA DO CEARÁ


O governador Cid Gomes, astutamente, vem sondado o ex-secretário da Cultura, PAULO LINHARES, para a presidência do Instituto de Arte e Cultura do Ceará (IACC), órgão gestor do DRAGÃO DO MAR, esse equipamento que vem sendo sucateado desde a desastrosa gestão “Cláudia Leitão”; piorado nos tristes anos de inanição pela fracassada gestão “Auto Filho”; e agora parece um navio à deriva por incompetência do petista e atual secretário, “Francisco Pinheiro”, nome o qual é bom e prudente ser esquecido, afinal, Pinheiro, pelo senta-levanta, senta-levanta, tem sido o mais descomprometido gestor cultural de todos os tempos, responsável por ter usado a SECULT como se fosse um mausoléu à espera de um cadáver.

A notícia da nomeação do Paulo Linhares seria festejada de "A a Z", inclusive por mim (acusado de ser um crítico permanente das atuais políticas culturais) se o governador Cid Gomes tivesse nomeado agora e já o PAULO LINHARES para o posto o qual ninguém até hoje conseguiu substituí-lo a altura: o de gestor da Cultura do Ceará. Ora, ao contrário desses pobres bonifrates que passaram anos e anos enfatuados e embromando na SECULT, Paulo Linhares é do ramo da Cultura, conhece gestão cultural como poucos; realiza, sabe conseguir recursos e ademais de ser, por vivida experiência, um intelectual que sabe ler e muito bem, foi e é o mais arrojado gestor de cultura que vimos no Ceará desde a fundação da SECULT. Quanto a isso não se discute.

Como secretário, com certeza ele modificaria rapidamente essas leis burras e esdrúxulas, criadas por gestores sem visão alguma do grande conjunto de valores que a Cultura abrange. Os últimos “plutocratas” da Cultura foram tão estúpidos que conseguiram inutilizar completamente o MECENATO e criaram o velho balcão para suster apiniguados e preguiçosos que nada empreendem ou realizam. Ora, o MECENATO é, no mundo cultural civilizado e desenvolvido, o instrumento de gestão pública mais ágil e que efetivamente desenvolve, reconhece, difunde e promove de forma sustentável e dinâmica toda a cadeia produtiva da Cultura, permitindo aos profissionais viveram dignamente às custas do próprio talento.

É importante reafirmar que os três últimos gestores da SECULT desmantelaram, de forma até irresponsável, todos os mecanismos do MECENATO e empurraram goela à dentro dos autores, criadores e realizadores, essa famigerada subcultura de EDITAIS, em verdade um mecanismo de atraso, de engessamento da criação, de fomento das jogatinas políticas que os gestores míopes, rastaqueras e de visão obtusa, recorrem sempre quando estão perdidos, e o fazem com o fito único de ludibriar, de protelar as ações, e o que é pior, deixam de cumprir as normas e os prazos, impunemente.

Tenho dito por onde falo do meu ofício (e vou dizer nesse mês de agosto, na Rússia, Ucrânia, Polônia e Alemanha) que o diploma de dramaturgo, formado no Ceará pelo antigo Instituto Dragão do Mar de Arte e Cultura é o diploma que me dá mais orgulho e vale muito mais para mim do que qualquer outro que alguma instituição possa ou venha a me distinguir.

Sinto-me em condição de prestar esse depoimento, em primeiro lugar porque, tudo o que diz respeito à Cultura do Ceará também me diz respeito; e em segundo lugar porque urge, urge mesmo, uma solução vitamínica e não um placebo, para resolver a crise de subnutrição que a Cultura do Ceará suporta há décadas.

Aliás, posso comentar sobre esse tema sem nenhum receio porque sou, de fato e de direito, um dos poucos sobreviventes da Cultura que teve a sorte de conseguir algum destaque lá fora (aqui sou um proscrito) mas, aos contrário desses gestores raquíticos em Cultura, tenho a humildade de reconhecer que devo uma parte do sucesso conquistado como autor, graças às aulas dos mestre (Rui Guerra, Orlando Senna, Maurice Capovilla, Lauro César Diniz e muitos outros) que vieram para ensinar dramaturgia a um punhado de sonhadores. E como me lembro dos quase dois anos nas oficinas de criação do velho, sucateado e esquecido MIS – Museu da Imagem e do Som. E como me entristeço quando vejo o edifício cultural que construímos outrora, às duras penas, afundado completamente no nadismo realizado da última década.

Claro que o Ceará perdeu e muito com os fracassos das últimas gestões. Parece certo que meu velho mestre e querido amigo Maurice Capovilla tem justa razão quando me disse certo dia: “Uma pena que a consciência do naufrágio chega sempre depois de consumado. O tempo não resgata as vítimas e só recupera o navio um século depois”.

Ruy Câmara
Escritor