domingo, agosto 08, 2010

FRAGMENTO DO ROMANCE CANTOS DE OUTONO

A paixão por Beatriz ainda o martiriza e Isidore Ducasse sente vontade de escrever-lhe uma carta. Mas dizer o que, se no íntimo é incapaz de perdoá-la? A mágoa que ainda guarda no peito o impede de ser original, mas não sincero, de modo que plagiar o que Bismarck escrevera à sua musa de 22 anos, a princesa russa Catarina Orlov, esposa do embaixador da Rússia em Bruxelas, lhe contentaria nessa hora de pachorra e solidão.

 Beatriz, suas recordações são para mim, agora vivendo de privações morais e das misérias que afetam as minhas idéias neste pardieiro, são como um reflexo de sol que sumiu numa bela tarde de verão. Nunca esquecerei aqueles ocasos cheios de alegrias, perfumes, loucuras e poesias. É provável que Deus nos concederá isso novamente, talvez na outra vida. Mas duvido muito da sua bondade porque uma rosa nunca floresce duas vezes e um tal amor só sucede uma vez.